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São Paulo

PCC mapeou hábitos diários de promotor e coordenador de presídios

Operação realizada nesta sexta (24/10) cumpre mandados contra integrantes do PCC suspeitos de planejar assassinatos de autoridades

Camila Olivo, Leonardo Amaro24/10/2025 08:51, atualizado 24/10/2025 11:53
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Reprodução/ Redes Sociais/ Alfredo Henrique/ Metrópoles
Roberto Medina (esquerda) e Lincoln Gakiya (direita) - Metrópoles

Investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), descobriram a existência de uma célula do Primeiro Comando da Capital (PCC) encarregada de realizar levantamentos detalhados da rotina de autoridades públicas e de seus familiares. O promotor Lincoln Gakiya (à direita na foto de destaque) e o coordenador de presídios Roberto Medina (à esquerda da foto de destaque) seriam alvos da facção.

O trabalho de investigação do MPSP resultou na operação Recon, deflagrada nesta sexta-feira (24/10) em parceira com a Polícia Civil. São cumpridos 25 mandados de busca e apreensão nas cidades de Presidente Prudente (11), Álvares Machado (6), Martinópolis (2), Pirapozinho (2), Presidente Venceslau (2), Presidente Bernardes (1) e Santo Anastácio (1), todas no interior de São Paulo.

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Promotor de Justiça Lincoln Gakiya
Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo
Roberto Medina, coordenador de presídios na zona oeste de SP
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Roberto Medina, coordenador de presídios na zona oeste de SP

Reprodução
Promotor de Justiça Lincoln Gakiya
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Promotor de Justiça Lincoln Gakiya

Alfredo Henrique/Metrópoles
Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo
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Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo

Divulgação/Polícia Civil

A célula do PCC seria “altamente disciplinada” e estruturada de forma compartimentada, de maneira que cada integrante desempenhava uma função específica, sem conhecer a totalidade do plano, o que dificultava a detecção da trama, afirma a promotoria.

A Operação Recon, coordenada do MPSP e da Polícia Civil, identificou os envolvidos na fase de reconhecimento e vigilância, bem como a apreensão de materiais e equipamentos que serão submetidos à perícia e, em última análise, poderão levar à descoberta dos responsáveis pela etapa de execução do atentado.

Quem é o promotor jurado de morte pelo PCC

Diante de sua atuação de 20 anos no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e do histórico de ameaças, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, de 58 anos, vive há mais de dez anos sob escolta feita por grupos de elite da Polícia Militar. A primeira vez que chefes da facção decretaram a morte do promotor foi em 2005.

Gakiya atua no Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, e foi o responsável pelo pedido de transferência de Marcola, líder do PCC, para um presídio federal em Brasília no final de 2018.

Com a operação realizada nesta sexta-feira, a polícia já desvendou cinco planos da facção para matá-lo. Em entrevista ao programa Acorda, Metrópoles, o promotor disse que cogita pedir asilo quando se aposentar. A fala veio logo depois do assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz, morto em setembro, em Praia Grande.

“Se não houver essa garantia de proteção, principalmente após aposentadoria, pessoas como eu, por exemplo, não teriam outra opção a não ser pedir asilo político no exterior. Não seria um visto de turista, pois estaríamos correndo risco de vida dentro do meu país por organizações criminosas que o Estado não conseguiu enfrentar e propiciar minha segurança”, disse o promotor, que considera ir para a Europa ou Estados Unidos.

Nota de apoio do MPSP

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) publicou uma nota, na manhã desta sexta-feira, em que apoia “de forma irrestrita” a operação deflagrada contra integrantes do PCC suspeitos de planejarem o assassinato do promotor Lincoln Gakiya e do coordenador de presídios Roberto Medina.

“Graças à atuação integrada do Ministério Público, da Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Penal, o tentame não se consumou. A população pode ficar tranquila. As instituições continuarão desempenhando o seu papel constitucional: defender a sociedade e combater os que vivem à margem da lei. Diferentemente do que possam suspeitar os autores do plano frustrado, esse acontecimento não intimidará nenhum dos valorosos membros do MPSP, que têm como marca a coragem e a altivez”, afirma o órgão em nota.

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