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São Paulo

Rope Jump: salto "aviãozinho" é considerado arriscado por especialista

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu após ser jogada sem cordas no método "aviãozinho" em Limeira (SP)

16/06/2026 22:42, atualizado 16/06/2026 22:43
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Reprodução/Redes sociais
Montagem colorida de vídeo onde mostra Maria Eduarda sendo lançada em rope jump no modo "aviãozinho"

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, a jovem de 21 anos que morreu após um salto de rope jump no interior de São Paulo, foi a primeira cliente do dia a saltar na modalidade conhecida como “aviãozinho”, segundo o depoimento de um dos instrutores à polícia. Antes dela, outra mulher também saltaria dessa forma, mas acabou desistindo.

Não ficou claro no depoimento se essa mulher desistiu apenas de fazer o salto no método “aviãozinho” ou de fazer o passeio de rope jump. Maria Eduarda foi a 17ª cliente a saltar da Ponte do Esqueleto, de acordo com a defesa dos três homens acusados pela morte. A jovem sofreu politraumatismo depois de ser jogada sem cordas da ponte, que tem cerca de 27 metros de altura.

Nessa modalidade, dois ou três indivíduos erguem a pessoa na altura acima da cabeça para pegar impulso e, assim, arremessá-la da plataforma. O “aviãozinho”, no entanto, é considerado mais arriscado do que a técnica convencional — em que a pessoa pula sozinha ou concorda em receber um “empurrãozinho” (literalmente) do instrutor para arrancar –, avalia o presidente da Associação Brasileira de Rope Jump e Pêndulo Humano, Marco Antonio de Campos.

“Eles estavam com ela [Maria Eduarda] acima da cabeça deles, andando em uma plataforma de menos de um metro de largura. E se chega no meio da plataforma, ela se desespera: ‘Quero sair daqui!’, começa a se debater? Ela puxa os dois pra baixo, cai os três. Um deles estava sem linha de vida [cabo de segurança], então ia cair”, diz o especialista, em entrevista ao Metrópoles.

Pelas regras, as cordas devem ser colocadas com a pessoa ainda no chão. Uma delas é acoplada no mosquetão entre o peitoral e a cintura e a outra entre a cintura e a cadeira de sustentação. Ainda assim, Maria Eduarda foi jogada sem o equipamento de proteção. Dois dos três presos pela tragédia, Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos e Maicon Fernandes Cintra, de 42, admitiram que eram os responsáveis pela função, mas não souberam explicar em que momento a ausência de cordas passou despercebida.

Além deles, um terceiro homem, Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos, também foi preso preventivamente. À polícia, Vitor afirmou que foi chamado pelos colegas para ajudar a levantar a jovem. O trio aparece no vídeo que registrou o incidente na Ponte do Esqueleto.

Para o presidente da Associação Brasileira de Rope Jump, Marco Antonio de Campos, caso Maria Eduarda tivesse feito o salto convencional, a probabilidade de os instrutores notarem que ela estava sem cordas seria maior. “Não dá para cravar, mas, a minha opinião é que eles teriam visto, porque o instrutor não sai de cima da plataforma, ele teria que dar passagem para ela. Nesse ato de dar passagem para ela, ele teria que segurar a corda. Obrigatoriamente, ele teria visto que a corda não estava presa. Então, como ela deitou, e ele nem olhou, só olhou pra cima, só viu a cabeça dela e o ombro”, complementa.

Instrutores presos

Os três instrutores envolvidos foram presos por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de morte mesmo sem a intenção de matar, e estão presos no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Piracicaba, segundo informações da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).

Os instrutores presos são: Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos; Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32; e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27. Segundo a defesa deles, Luis Felipe e Maicon Fernandes são os homens filmados lançando a jovem morta. Vitor de Freitas é quem segura os pés da vítima.

Entenda o caso

  • Uma jovem de 21 anos morreu após cair de uma altura de cerca de 30 metros durante prática conhecida como rope jump.
  • Vídeos mostram três instrutores levantando a vítima e, em seguida, jogando a jovem da Ponte do Esqueleto, em Limeira, interior de São Paulo.
  • Praticantes da modalidade percebem que a jovem estava sem cordas. A queda assusta os presentes.
  • Um amigo da jovem ficou em choque ao presenciar o ocorrido e precisou ser hospitalizado.
  • Três instrutores que aparecem nos vídeos foram presos por homicídio com dolo eventual, quando há risco de morte, mesmo que sem intenção de matar.
  • A Justiça decidiu que os três devem permanecer presos. A prisão em flagrante foi convertida para preventiva. Nos primeiros 10 dias, eles ficarão isolados dos demais detentos.

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