Rede bolsonarista impulsiona campanha ao Senado contra Moraes

Políticos de direita impulsionam posts nas redes sociais para eleger maioria no Senado e poder votar impeachment contra ministros do STF

atualizado

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Antonio Augusto/STF
Alexandre de Moraes durante sessão no Supremo Tribunal Federal (STF); rede bolsonarista mira senado para combater STF - Metrópoles
1 de 1 Alexandre de Moraes durante sessão no Supremo Tribunal Federal (STF); rede bolsonarista mira senado para combater STF - Metrópoles - Foto: Antonio Augusto/STF

Senado tem sido uma palavra-chave nas redes sociais bolsonaristas por representar a Casa legislativa que pode derrubar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo pesquisa do Projeto Brief, menções ao termo cresceram 85% em um ano nas redes sociais, ultrapassando 30 milhões de registros.

As citações impulsionadas são majoritariamente de políticos de direita e de extrema direita, que descrevem o Senado como uma instituição com “rabo preso”, enquanto o STF aparece como o poder que teria avançado sobre as competências do Legislativo.

Bolsonaristas planejam eleger maioria no Senado para confrontar seus desafetos na Corte, como o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal que condenou Jair Bolsonaro (PL) por golpe de Estado.

Em outubro deste ano, dois nomes serão eleitos ao cargo por São Paulo. No estado, os principais pré-candidatos ao Senado são Guilherme Derrite (PP), Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede), Gil Diniz (PL), Mário Frias (PL), Sonaira Fernandes (PL), Coronel Mello Araújo (PL), Rosana Valle (PL) e Ricardo Salles (Novo).

O estudo também analisou conteúdos pagos da Biblioteca de Anúncios da Meta (Facebook e Instagram) entre 1° e 31 de janeiro deste ano, rastreando os termos “Senado”, “Senador”, “Senadora” e “Senadores”. Ao todo, foram mapeados 890 anúncios políticos.

Senado como campo de batalha político

Para Sofia Azevedo, pesquisadora especializada em investigação digital e monitoramento político em redes sociais, a dinâmica observada nas plataformas mostra que a disputa existe desde antes da abertura do calendário eleitoral, ainda que com vistas às eleições.

“Quando as pessoas falam em ‘Senado’, já não estão falando apenas de uma casa legislativa abstrata, mas de um campo de batalha político que já está em disputa bem antes da abertura do calendário eleitoral”, afirmou a pesquisadora.

Os posts seguem um eixo comum:

  • O Senado atual é descrito como omisso ou fragilizado.
  • O STF aparece como poder que teria avançado sobre as competências do Legislativo.
  • A eleição de 2026 é apresentada como momento decisivo para “restaurar o equilíbrio entre os Poderes”.

A uniformidade atravessa estados, partidos e perfis diferentes, conforme a pesquisa. Ao invés de pedir votos diretamente — o que seria vedado pela legislação eleitoral vigente —, os anúncios operam na formação de sentido do Senado “como o verdadeiro centro da disputa política brasileira nos próximos anos”.

A pesquisa identificou anúncios patrocinados por parlamentares em exercício, ex-parlamentares, partidos, advogados, influenciadores e podcasts regionais. O uso sistemático de videocasts e cortes impulsionados cria aparência de conversas espontâneas e reduz a percepção de propaganda eleitoral.

Conteúdo patrocinado

Candidatos ao Senado de todo o Brasil impulsionam postagens com valores que chegam aos R$ 1.500. Veja lista com alguns nomes e dinheiro gasto:

  • Bibo Nunes (PL – RS) – <R$ 100
  • Republicast (Podcast) – R$ 100 a R$ 199
  • Cândido Albuquerque (Advogado) – R$ 200 a R$ 299
  • Eduardo Girão (NOVO – CE) – R$ 700 a R$ 799
  • Vitor Gabriel (PL – JUÍNA/MT) – <R$ 100
  • Antonio Nicoletti (União Brasil) – R$ 100 a R$ 199
  • Carlos Portinho (PL – RJ) – R$ 1 mil a R$ 1,5 mil
  • Coronel Hélio (PL -RN) – R$ 100 a R$ 199
  • Celso Sabino (União Brasil – PA) – R$ 100 a R$ 199
  • Mara Rocha (MDB – AC) – <R$ 100
  • Mistura Cuiabana (Podcast) – R$ 100 a R$ 199
  • Danilo Visconti (influenciador) – R$ 100 a R$ 199

De acordo com o levantamento, o aspecto mais sofisticado da estratégia é que ela opera já antes à campanha eleitoral. Quando outubro de 2026 chegar, a expectativa da rede bolsonarista é de que o eleitor, o qual já absorveu essa narrativa ao longo de meses, irá às urnas com o “conflito já nomeado, o responsável já identificado e a expectativa de revanche já formada“.

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