Quem é o ex-vereador suspeito de articular “núcleo político” do PCC

Thiago Rocha foi político em Santo André. Polícia diz que ele atuava para colocar fintech do PCC em prefeituras e no governo estadual

atualizado

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1 de 1 thiago-rocha-de-paula - Foto: Reprodução / Redes sociais

Um ex-vereador do PSD de Santo André é apontado pela Polícia Civil de São Paulo como o responsável por articular o “núcleo político” da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Thiago Rocha de Paula, de 39 anos, é um dos suspeitos presos, nessa segunda-feira (27/4), no âmbito da Operação Contaminatio. Além dele, foram detidos Joel Ferreira De Souza, Victor Augusto Veronez De Souza e Adair Meira. João Gabriel de Mello Yamawaki, outro alvo da operação, já estava preso no Tocantins.

Em 2020, Thiago Rocha foi eleito terceiro suplente de Santo André, na Região Metropolitana de São Paulo, com 1.564 votos. Ele chegou a assumir o mandato na cidade por 20 dias, durante um período em que o titular da cadeira se licenciou do posto.

Uma investigação da Polícia Civil mostrou, no entanto, que o ex-vereador tinha contato direto com membros do PCC, entre eles Márcio Barbosa da Silva, conhecido como “Beiço de Mula”, a principal liderança da organização criminosa no ABC paulista.

Segundo a apuração policial, Thiago se aproximou de políticos de prefeituras de grandes cidades paulistas, como Santo André e Campinas, para fazer com que as administrações contratassem os serviços da fintech 4TBANK, ligada ao PCC. O objetivo seria lavar o dinheiro da organização em meio aos contratos com o setor público.

Suspeitas iniciais

O nome de Thiago entrou pela primeira vez na mira da Polícia em 2023, quando apareceu em uma troca de mensagens entre outros dois investigados, Fabiana Manzini e João Gabriel.

Fabiana é esposa de Anderson Manzini, sequestrador do PCC detido há mais de 20 anos. Em 2023, a Polícia descobriu que ela atuava como informante dos membros da organização criminosa, além de participar diretamente do tráfico de drogas. Já João Gabriel é primo de Anderson, e entrou no PCC por intermédio do parente.

Na época, Fabiana foi presa e teve o celular apreendido. Uma análise do aparelho mostrou conversas importantes entre Fabiana e João Gabriel. Nas mensagens, João cita alguns nomes que seriam de interesse do grupo para as eleições e fala de Thiago, dizendo que “Beiço o conhece”.

Na Operação Decurio, deflagrada em agosto de 2024 com foco no núcleo do PCC voltado à infiltrar pessoas da organização criminosa na política, a Polícia apreendeu celulares de Thiago. E foi justamente a análise desse conteúdo que mostrou as ligações do ex-vereador com o crime organizado.

As relações são citadas na representação enviada pela Polícia Civil à Justiça para pedir a prisão de Thiago. O documento, ao qual o Metrópoles teve acesso, mostra que Thiago chegou a comentar, em uma conversa com João Gabriel, que estaria reunido com “Beiço”.

Mensagens mostram que ele cita o criminoso do PCC mais de uma vez, chegando a comentar com João Gabriel sobre a prisão da liderança dele.

Ao mesmo tempo que se relacionava com membros do PCC, Thiago se aproximou de uma série de políticos para apresentar os serviços da fintech 4TBANK. Segundo a investigação, ele teria se reunido com nomes ligados às cidades de Ribeirão Preto, Santos e Campinas. Thiago também se aproximou de nomes do governo estadual, durante a gestão João Doria.

O material obtido pela polícia mostra que, de fato, Thiago tinha entrada no Palácio dos Bandeirantes. Em 2022, Thiago conseguiu uma autorização para que João Gabriel, apontado pela polícia como traficante e operador financeiro do PCC, pousasse seu helicóptero no heliponto localizado na sede do governo paulista.

Ao assinar a solicitação para a pouso, Thiago carimbou o documento como diretor-executivo da Escola de Governo do Executivo Andreense (EGEA), instituição que ajudou a fundar em Santo André e que atuava na capacitação de servidores públicos da cidade.

Outro lado

Em nota ao Metrópoles, a defesa de Thiago nega relação dele com o PCC.

“Cumpre destacar que Thiago é relevante ator político do ABC Paulista, tendo desempenhado reconhecido trabalho na Administração Pública da região, sem jamais ter mantido qualquer vínculo pessoal ou profissional com organização criminosa”, diz a defesa, afirmando que o ex-vereador colaborou ativamente com as investigações desde o início.

“A operação policial, marcada por evidente espetacularização, baseia-se em graves equívocos factuais e presunções que serão oportunamente esclarecidos no curso do processo. A prisão cautelar decretada mostra-se manifestamente ilegal e, como tal, já é objeto de impugnação por meio de habeas corpus. Thiago é o maior interessado na célere e correta apuração dos fatos e deposita plena confiança no Poder Judiciário”, termina a nota.

Por mensagem, o advogado Vinícius Drago afirmou ainda que a citação a Beiço ficará bem esclarecida no inquérito. Em depoimento à Polícia no início da investigação, Thiago negou ter envolvimento com o criminoso.

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