Contato em celular indica suspeito de liberar pouso do PCC no Palácio

Ex-assessor da gestão Doria aparece em lista de contatos de suposto integrante do PCC. Ele nega envolvimento com o caso

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução
Troca de mensagens mostra que Casa Militar autorizou pouso de helicóptero a contato ligado a empresário tido como operador do PCC - Metrópoles
1 de 1 Troca de mensagens mostra que Casa Militar autorizou pouso de helicóptero a contato ligado a empresário tido como operador do PCC - Metrópoles - Foto: Reprodução

Um ex-assessor da gestão João Doria (PSDB) e atual suplente de deputado federal paulista pode ter sido o responsável por articular a autorização para que um suposto membro da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) pousasse um helicóptero no Palácio dos Bandeirantes, em março de 2022, para ir a um jogo de futebol.

Isso porque, segundo a investigação policial, o número de Adriano Guimarães Simões, ex-assessor do secretário de Desenvolvimento Regional Marco Vinholi (Republicanos), aparece entre os contatos do celular de Thiago Rocha (PSD), preso na segunda-feira (27/4) por suspeita de integrar o “núcleo político” do PCC.

As informações aparecem na representação enviada à Justiça pedindo a prisão de Thiago e de outros quatro suspeitos. O conteúdo está em segredo de justiça, mas o Metrópoles teve acesso ao material.

Os documentos mostram que no dia 10 de março de 2022, data em que o São Paulo enfrentaria o Palmeiras no Estádio do Morumbi, Thiago recebeu uma mensagem de outro suposto membro do PCC, João Gabriel de Mello Yamawaki, pedindo ajuda para utilizar o heliponto do Palácio dos Bandeirantes.

Thiago respondeu dizendo que, como João Gabriel era de “origem oriental”, diria ao Palácio que representantes de uma “delegação do Japão” estariam na aeronave para conseguir a autorização. Na sequência, ele afirma que conseguiu o “gabinete do secretário Marco Vinholi” e que iria mandar os dados para a Casa Militar a fim de obter a autorização do pouso.

Às 14h33, menos de seis horas após João Gabriel fazer o pedido à Thiago, ele recebe um print de um e-mail assinado pelo Núcleo de Aviação da Casa Militar autorizando o pouso. “Quero mais dois mil reais caralho (sic)”, diz Thiago na sequência, comemorando o feito.

Troca de mensagens mostra que Casa Militar autorizou pouso de helicóptero

A velocidade com que Thiago conseguiu a autorização chamou a atenção da Polícia. “Surpreendeu-nos ainda a rapidez com que todo esse trâmite se desenvolveu, já que as tratativas se iniciaram às 8h58 e a autorização deferida às 14h23”, diz a representação policial.

A investigação faz ressalva ao fato de que, apesar de citar Vinholi nominalmente, não é possível afirmar que o pedido foi feito diretamente ao então secretário, porque não foi localizado o contato de Vinholi no celular de Thiago.

Apesar disso, um contato gravado como “Adriano Deputado Vinholi” foi encontrado no celular do ex-vereador de Santo André e destacado em representação policial, segundo a qual “isso pode indicar que Adriano seria a pessoa responsável em ‘agilizar’ o uso das dependências do Palácio do Governo por um integrante do PCC”.

“O que resta saber é se as informações dadas acerca dos motivos para pouso da aeronave foram minimamente verificadas, pois é extremamente grave que com um simples pedido e informando apenas que uma “delegação do Japão” estaria embarcada em um helicóptero, consiga-se pousar tão facilmente dentro do Palácio do Governo”, continua o documento, que é assinado pelo delegado Fabricio Intelizano.

O texto da representação ressalta, ainda, que é preciso verificar “se houve conivência de um ou mais servidores públicos que trabalham no Palácio dos Bandeirantes”. A reportagem perguntou ao governo atual, de Tarcísio de Freitas (Republicanos), se alguma investigação interna foi aberta sobre o caso e para entender quem autorizou o voo pela Casa Militar.

A gestão não respondeu ao questionamento e afirmou apenas que a autorização para pousos e decolagens no heliponto do Palácio dos Bandeirantes segue critérios técnicos e operacionais determinados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Outro lado

O Metrópoles também procurou Adriano, o funcionário mencionado pela investigação. Ele negou envolvimento no caso. “Em 2021 eu fui exonerado, saí do Palácio. Então isso não procede. Eu nem conheço, nem sei quem é esse Thiago”, disse o político.

Questionado sobre por que acreditava que Thiago tinha seu contato salvo, ele disse que Thiago foi vereador de Santo André e, por isso, deveria ter seu número. “Eu era assessor do Palácio, do governo. Todos os vereadores do estado de São Paulo, todos os prefeitos, tinham meu contato no celular. Está totalmente equivocada essa investigação.”

Em nota, a assessoria do ex-secretário disse que Vinholi “desconhece completamente o assunto”.

“Importante destacar, inclusive, que a pasta comandada por ele, à época, no governo do Estado de São Paulo, não tinha nenhuma gerência quanto ao heliponto do Palácio dos Bandeirantes – uma prerrogativa da Casa Militar”, diz a nota enviada ao Metrópoles.

Depois de sair do governo estadual, Adriano foi candidato a deputado federal por São Paulo em 2022 pelo Partido Progressista (PP).

Em nota, a legenda disse que ele não é mais filiado ao partido: “Ressaltamos que o vínculo mantido anteriormente teve caráter pontual e restrito ao período eleitoral, não havendo, atualmente, qualquer relação política ou institucional entre as partes”.

Em contato com o Metrópoles, a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que, desde que assumiu o governo, em 2023, nunca autorizou nenhum pouso em nome de João Gabriel de Mello Yamawaki e que, portanto, não tem nenhuma relação com o atual governo.

Já João Doria, por meio de sua assessoria, disse que não vai comentar o caso e que as tratativas sobre o uso do heliponto cabem à Casa Militar, órgão subordinado ao gabinete do governador.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?