“Metendo o louco”: falsa financeira é suspeita de agiotagem e ameaça

Quadrilha de agiotas criou empresa de crédito falsa para divulgar empréstimos com juros abusivos e praticar ameaças contra devedores

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“Metendo o louco": quadrilha se passa por credora para praticar agiotagem - Metrópoles
1 de 1 “Metendo o louco": quadrilha se passa por credora para praticar agiotagem - Metrópoles - Foto: Reprodução

Uma quadrilha tem se passado por credora financeira para praticar agiotagem. O grupo utiliza o nome de uma empresa de crédito extinta em 2018, a Cred Original, e identidade visual semelhante à do Banco Original para divulgar empréstimos a pessoas físicas “negativadas”. Na data acertada para devolução do dinheiro, com juros abusivos, as ameaças e perseguições começam.

Um homem que prefere não ser identificado procurou o Metrópoles para denunciar o modus operandi da Cred Original. “Eles usam a logo como se fosse uma financeira de banco e fazem a proposta, mas no final você acaba sendo vítima de agiotagem. Eles fazem ameaças se você não pagar e cobram juros altos”, disse.

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Imagem divulgada pela falsa gravadora
Comentários feitos na página da falsa credora no Facebook
Mulher relatou juros abusivos e ameaças após fechar empréstimo com falsa credora
Falsa credora expôs suposta devedora no Instagram. Ameaças são comuns
Quadrilha utiliza o nome de uma empresa extinta em 2018, a Cred Original, e identidade visual semelhante à do banco Original para praticar agiotagem
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Mulher relatou juros abusivos e ameaças após fechar empréstimo com falsa credora
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Mulher relatou juros abusivos e ameaças após fechar empréstimo com falsa credora

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Falsa credora expôs suposta devedora no Instagram. Ameaças são comuns
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Falsa credora expôs suposta devedora no Instagram. Ameaças são comuns

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Quadrilha utiliza o nome de uma empresa extinta em 2018, a Cred Original, e identidade visual semelhante à do banco Original para praticar agiotagem
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Quadrilha utiliza o nome de uma empresa extinta em 2018, a Cred Original, e identidade visual semelhante à do banco Original para praticar agiotagem

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Agiotagem

De acordo com a negociação feita, o homem deve pagar 75% a mais do que o valor recebido no empréstimo. A porcentagem é quase quatro vezes maior que a taxa de juros ao mês mais alta para crédito pessoal não consignado informado pelo Banco Central (BC), de 21,28%.

Do ponto de vista jurídico, é considerado abusivo qualquer valor que ultrapasse em até duas vezes a taxa média de mercado informada pelo Banco Central.

O crime de usura, ou agiotagem, prevê pena de detenção de 6 meses a 2 anos, além de multa, como determina a Lei 1.521/51. Se a cobrança é acompanhada de extorsão ou coação, o criminoso pode ser enquadrado no Código Penal, e ser condenado a até 10 anos de prisão.

Ameaças

Quando informou a falsa credora que não poderia cumprir a data combinada para pagamento, o homem passou a receber intimidações. “Eu não sou banco para você dar a direção do meu dinheiro”, disse uma mulher em uma mensagem de voz.

“Você bateu o pé falando que ia pagar [na data acertada] e agora tá metendo o louco falando que vai pagar depois”, acrescentou a suspeita.

Ao fazer o cadastro para solicitar o empréstimo, o homem forneceu informações de contato e enviou um comprovante de endereço – documento exigido pela quadrilha. “Dá o seu corre. Não sei o que você vai fazer. Pede emprestado, não sei. Porque senão, infelizmente, vou ter que mandar o motoboy pra resolver, entendeu?”, ameaçou a mulher.

Em seguida, o homem passou a receber mensagens de diferentes números desconhecidos. “E aê meu mano, me passaram sua ficha aqui. Já pode tá indo? To com a loc aqui já. Bora se agiliza aí fio, vou adicionar você na rota já (sic)”, escreveu um dos integrantes da quadrilha.

“Toda hora um número entra em contato comigo. Não só comigo, mas com a minha família toda”, relatou o homem, que precisou deixar a casa onde mora por medo de retaliação. Ele procurou a polícia e registrou um boletim de ocorrência.

O Metrópoles contatou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) para saber se um inquérito foi instaurado, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Divulgação nas redes sociais

A reportagem identificou diversos perfis no Instagram em nome da suposta credora, que indicam atuação em São Paulo e no Paraná. Em uma das contas, o nome de usuário acaba com a numeração 157 – artigo do Código Penal para o crime de roubo.

Nenhum dos perfis acumula mais do que 10 seguidores e, em um deles, há uma publicação com o rosto de uma suposta devedora. Além da imagem da mulher, a quadrilha também divulgou o endereço dela com a legenda: “Paga o que deve puta safada, vou posta sua cara (sic)”.

A quadrilha também possui um perfil no Facebook, sem novas publicações desde 2023. Há, no entanto, diversos comentários de supostas vítimas relatando cobrança de juros abusivos e ameaças em casa.

O modus operandi não se restringe à Cred Original. Em poucos cliques, ou até mesmo de forma passiva, é possível encontrar falsas financeiras que oferecem crédito facilitado a pessoas físicas — e dão indícios de possível agiotagem. Por isso, o usuário deve estar sempre atento, e não fechar negociações nem fornecer dados pessoais a instituições financeiras que não estão credenciadas pelo Banco Central.

Em nota ao Metrópoles, a Meta, responsável pelo Instagram, informou que atividades que visam enganar, fraudar ou explorar terceiros não são permitidas nas plataformas.

“Estamos sempre aprimorando nossa tecnologia para combater atividades suspeitas. Também recomendamos que as pessoas relatem qualquer conteúdo que considerem violar os Padrões da Comunidade do Facebook, as Diretrizes da Comunidade do Instagram e os Padrões de Publicidade da Meta diretamente pelos próprios aplicativos”, disse a empresa.

Em seu site oficial, o Banco Original destacou um alerta no qual afirma que a instituição não oferece linhas de crédito pré-aprovadas nem o pagamento de taxas ou quaisquer valores para analisar ou aprovar crédito por WhatsApp, e-mail, SMS ou telefone. O banco também informou não solicitar informações pessoais por esses canais.

Como não cair no golpe de falsas financeiras

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) alerta sobre o golpe do falso empréstimo, destacando que quadrilhas se passam por falsas instituições financeiras e fazem anúncios oferecendo crédito com condições muito atrativas na internet.

A federação ressalta que nenhuma linha de crédito precisa de pagamento antecipado para ser liberada. Por isso, é importante desconfiar caso uma “instituição financeira” entre em contato oferecendo empréstimo com taxas atrativas.

A desconfiança deve ser ainda maior caso seja solicitada uma transferência para confirmar a operação. Segundo a Febraban, “é golpe na certa”.

Caso você feche uma negociação com uma falsa credora e forneça seus dados pessoais, procure a polícia. Vá até a delegacia mais próxima ou registre um boletim de ocorrência de maneira virtual.

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