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São Paulo

Com proposta de emprego, Cravinhos pede progressão para regime aberto

Cristian Cravinhos, preso pelo assassinato dos Richthofen, apresentou proposta de emprego na Justiça e pediu ida para o regime aberto

Milena Vogado24/02/2025 13:06, atualizado 24/02/2025 15:45
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Saidinha Derrite Cristian Cravinhos é uma homem careca, de barba e usa jaqueta na foto - Metrópoles

São Paulo – Preso na Penitenciária de Tremembé, Cristian Cravinhos, de 49 anos, pediu à Justiça para cumprir o restante da pena em regime aberto. O pedido inclui uma declaração de proposta de emprego para trabalhar como ajudante geral em uma gráfica na zona sul de São Paulo, em horário comercial, de segunda a sexta. Para ocupar a vaga, no entanto, ele precisa progredir do regime semiaberto, que cumpre atualmente.

Cravinhos enfrenta uma condenação de 38 anos de prisão pelo envolvimento nas mortes de Manfred e Marísia von Richthofen, em 2002. Daniel, irmão de Cristian, e Suzane von Richthofen, filha do casal, também foram condenados pelo crime. Os dois cumprem pena em regime aberto.

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Cristian conseguiu direito ao mesmo benefício em 2017, mas voltou ao regime fechado no ano seguinte por corrupção ativa. Ele estava fora de casa e em horário irregular quando foi capturado por policiais. O réu ofereceu R$ 1 mil aos agentes para evitar ser levado à delegacia. A tentativa de suborno resultou em seu retorno imediato para a penitenciária e no acréscimo de mais quatro anos em sua pena, totalizando 42 anos de reclusão.

Pedido de progressão de regime

No pedido, protocolado em 14 de fevereiro, os advogados Maieli Luna Rodrigues e Renato Moreira da Silva apontaram que Cristian cumpriu, em setembro de 2023, o período necessário de reclusão para progressão de regime. Além disso, ele “ostenta bom comportamento carcerário”.

Conforme a defesa, há mais de um ano, Cravinhos pede para progredir ao regime mais brando, continuando preso. “A demora na apreciação do pedido acarreta danos irreparáveis à vida do encarcerado. É dever do Estado julgar e processar o processo dentro de um prazo razoável”, alegaram os advogados.

Em pedidos anteriores, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) se opôs, solicitando realização de exame criminológico e de teste de Rorschach, técnica de avaliação psicológica que se baseia na análise de imagens.

Testes psicológicos

O exame criminológico se mostrou favorável à ida de Cravinhos para o regime aberto. A análise foi complementada pelo Teste Projetivo de Rorschach, que também foi favorável à progressão de regime.

O teste de Rorschach apontou rigidez emocional e controle excessivo. Ele também teria “dificuldade em compreender e integrar suas emoções de maneira objetiva, resultando em reações que são frequentemente influenciadas por fantasias e ideias pouco realistas”.

A psicóloga que assinou o teste afirmou também que Cravinhos tem “dificuldades em compreender e expressar os afetos de maneira madura e adaptativa”, bem como “mecanismos empáticos deficitários, que comprometem sua capacidade de reconhecer e responder de forma apropriada às emoções e necessidades dos outros”.

O teste apontou ainda “instabilidade emocional e dificuldades de integração entre os aspectos intelectuais e afetivos”. Segundo a especialista responsável, “essas limitações interferem negativamente na qualidade de suas interações e na adaptação às demandas do cotidiano”.

Apesar desses apontamentos, Cristian estaria apto para progredir ao regime aberto, contanto que mantenha acompanhamento psicológico regular.

Posicionamento do MP

O pedido feito pela defesa de Cristian Cravinhos é o último andamento em seu processo de execução penal. O requerimento ainda deve passar por análise do MPSP e por apreciação da Justiça.

Antes desse requerimento, o promotor Gustavo José Pedroza Silva se mostrou contra o relaxamento da pena de Cravinhos. Para ele, “o teste de Rorschach ofereceu algumas dúvidas sobre a questão, impondo sérias reflexões”.

Conforme o promotor, Cristian “apresenta traços de imaturidade, percepção da realidade voltada para questões pessoais, a partir de sua própria perspectiva do mundo, sem compreender e levar em consideração a experiência do outro (sinal de falta de empatia), além de propensão a concretizar impulsos reprimidos e tomar medidas irrefletidas e descontroladas”.

Segundo Pedroza, tais características condizem com os crimes pelos quais Cristian foi condenado e também permitem concluir que ele precisa de “melhorias no âmbito interno para que possa retornar ao seio da sociedade”.

Contatada pela reportagem, a defesa de Cravinhos informou que “o pedido de progressão ao regime aberto está fundamentado no cumprimento de todos os requisitos exigidos pela lei, para a sua concessão”. No presente momento, o pedido se encontra aguardando decisão judicial, reforçaram os advogados.

Paternidade anulada na Justiça

Recentemente, Cristian teve outro revés da Justiça. A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, na última terça-feira (18/2), pela anulação de paternidade de um filho de Cravinhos, que tinha três anos na época do assassinato dos Richthofen.

O rapaz havia entrado com processo e conseguido anular a paternidade na Justiça do Paraná, mas Cristian recorreu ao STJ. A decisão foi unânime.

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