Apesar de proibido, empresas oferecem rapel e saltos no Viaduto Sumaré
Em nota, Prefeitura de São Paulo afirma que a prática de esportes radicais no viaduto não é permitida

Quem passa pela Avenida Doutor Arnaldo, na altura do número 1.470, na zona oeste da capital paulista, pode se deparar com homens e mulheres praticando queda livre no Viaduto Sumaré, que tem cerca de 27 metros de altura. O Metrópoles encontrou ao menos quatro empresas na internet que oferecem pacotes de esportes radicais no local, como: rope jump, bungee jump e rapel, no local. A Prefeitura de São Paulo, no entanto, afirma que a prática é proibida.
A reportagem tentou pré-agendar um passeio de rapel no viaduto com algumas dessas empresas. Os organizadores promovem a atividade todas as sextas-feiras, das 19h às 23h, no valor de R$ 35. Para a próxima sexta (19/6), um atendente informou que não há agenda, já que teria um compromisso pessoal. Na sexta seguinte (24/6), no entanto, o passeio deverá ocorrer normalmente.
Outra empresa foi questionada sobre os próximos eventos de rope jump no local. Um organizador informou que a agenda está suspensa por ora, até a regulamentação da prática no Viaduto Sumaré. Mas uma pesquisa rápida nas redes sociais da empresa mostra clientes praticando o salto cerca de quatro dias antes.
Uma terceira não respondeu às tentativas de contato do Metrópoles. Mas, na página da empresa no Instagram, a agenda mostrava um programa de rope jump previsto para 5 de julho na ponte. O serviço custa a partir de R$ 89,99.
A realização de saltos e outras atividades radicais no Viaduto Sumaré é proibida pelo menos desde 2005. Em nota enviada à reportagem, a Secretaria Municipal das Subprefeituras informou que “o local é monitorado periodicamente pela Subprefeitura Lapa, com apoio da Guarda Civil Metropolitana (GCM), para coibir irregularidades e garantir a segurança da população. Denúncias sobre atividades irregulares podem ser registradas pelo SP156”.
De acordo com a pasta, a prática de esportes radicais em áreas públicas da capital depende de autorização do poder público municipal e deve atender às normas previstas na Lei nº 14.139/2006 e no Decreto nº 51.296/2010.
No ano passado, uma jovem de 26 anos bateu a cabeça enquanto saltava de bungee jump no viaduto. No vídeo que circulou nas redes sociais, Tathiane Rosa Costa aparece sendo puxada com força pela corda de proteção e, em seguida, colidindo com a estrutura de concreto. Na gravação, ainda é possível ouvir o barulho do impacto. Ela não sofreu ferimentos graves.
Morte após salto de rope jump
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu no último sábado (13/6), após ser jogada sem cordas da Ponte do Esqueleto, em Limeira, interior de São Paulo, durante a prática de rope jump.
Em um vídeo registrado por testemunhas, a jovem aparece sendo levada até a plataforma por instrutores e, na sequência, sendo arremessada do local sem a corda. Ela caiu de uma altura de aproximadamente 27 metros e sofreu politraumatismo.
Maria Eduarda foi velada no domingo (14/6), em Jandira, na Grande São Paulo, onde morava. A cerimônia ocorreu no Velório Municipal e foi acompanhada por amigos e familiares.
Após a tragédia, a Polícia Civil de São Paulo indiciou três pessoas por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar morte. O trio teve a prisão em flagrante convertida em preventiva, depois de passar por audiência de custódia.
Os homens foram identificados como Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos, Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32, e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27.

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