Presidente do PT em SP pede CPI para investigar falta de ônibus no 2° turno
A situação dos ônibus em SP marcou esta eleição como um dos motivos para a extensão inédita do horário de votação até 19h em todo o país

São Paulo — Hélio Rodrigues, presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) na cidade de São Paulo e vereador pela capital paulista, solicitou a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à Câmara Municipal para investigar a redução da frota de ônibus em no munícipio no segundo turno eleitoral (25/10).
A iniciativa busca apurar o descumprimento da Prefeitura de São Paulo à Resolução nº 23.751/2026, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou ao poder público a obrigação de garantir a oferta de transporte público no dia da eleição, com frequência e frota equivalentes às praticadas em dias úteis. Conforme noticiado pelo Metrópoles, diversos passageiros enfrentaram filas, pontos lotados e longas esperas pelos coletivos no segundo domingo das eleições.
“A população enfrentou um cenário inaceitável. Precisamos de transparência total para entender se houve omissão, descumprimento de contrato pelas concessionárias ou falha na fiscalização da Prefeitura. O direito de ir e vir do cidadão, especialmente para exercer o voto, não pode ser prejudicado”, destacou o vereador no pedido.
A CPI pretende requisitar os dados de telemetria e GPS da SPTrans, apurar o itinerário e o quantitativo real de ônibus nas ruas hora a hora, e ouvir representantes das empresas concessionárias e gestores públicos do setor de transportes.
A reportagem procurou a Câmara Municipal de São Paulo para comentar a manifestação, mas ainda não obteve resposta. O espaço segue aberto.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPPrefeito Ricardo Nunes culpou motoristas
O prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB) responsabilizou os motoristas de ônibus pela frota reduzida. Segundo declaração de Nunes durante uma coletiva de imprensa nessa terça-feira (27/10), a quantidade de ônibus em circulação no domingo (25) foi determinada pelo número de motoristas que compareceram após o chamado das empresas.
“Veio essa decisão [do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de circulação de 100% da frota], nós rapidamente viemos a dar cumprimento e as empresas começaram a chamar os motoristas para ir trabalhar”, explicou Nunes. De acordo com ele, a notificação oficial foi recebida pela prefeitura às 13h10. Vinte e dois minutos depois, às 13h32, o despacho para as empresas responsáveis pelos ônibus da capital já havia sido enviado.
“Obviamente, em cima da hora, de sábado para domingo, lembrando que a operação começa meia-noite, as empresas tiveram poucas horas para mobilizar milhares de pessoas. Mas foi feita a solicitação. Só não foi para a rua o ônibus daquele motorista que não veio“, completou.

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Ver todasAinda de acordo com o próprio prefeito, circularam, no domingo, 8.814 ônibus de uma frota de pouco mais de 12 mil veículos — cerca de 71%, mesmo número que havia sido divulgado pelo Metrópoles ainda no dia do segundo turno. Da mesma forma que havia feito ainda durante o período de votação, Nunes reforçou que a oferta de ônibus na capital teria sido “muito maior do que a demanda”.
Frota reduzida levou a ampliação do horário de votação
A situação dos ônibus em São Paulo foi um dos grandes marcos desta eleição, tendo sido um dos motivos para a extensão inédita do horário de votação até 19h, duas horas a mais do que o inicialmente previsto, em todo o país.
Não só a frota em geral estava circulando com contingente reduzido, mas algumas linhas, inclusive, tinham mais ônibus nas garagens do que em circulação. Foi o caso da linha Vila Carrão – Praça da Sé, atendida por 17 veículos, dos quais só um estava em circulação no início da tarde. No Rio de Janeiro, como comparação, a taxa era de 100% no mesmo horário — os ônibus em manutenção não entram na conta.
Os fatos contrariavam de forma direta a determinação da Justiça Eleitoral, emitida na sexta-feira (23/10), de que a prefeitura e a SPTrans mantivessem 100% da frota em operação no domingo, em níveis equivalentes aos de dias úteis.
Foi a partir disso que a campanha do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou pedidos no TSE e no Supremo Tribunal Federal (STF) para ampliação do horário de votação, decisão que foi alvo de críticas por parte de apoiadores da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) — ainda que o próprio Flávio também tenha pedido a extensão.










