Prefeitura de São Paulo remove estrutura do Teatro de Contêiner
Prefeitura iniciou, nesse sábado (21/3), a remoção da estrutura do Teatro de Contêiner. Ação acontece em meio à batalha judicial
atualizado
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A Prefeitura de São Paulo iniciou, nesse sábado (21/3), a remoção da estrutura do Teatro de Contêiner, no centro de São Paulo. A ação acontece em meio à batalha judicial travada entre a gestão Ricardo Nunes (MDB) e a Cia. Mungunzá, responsável pelo teatro.
Integrantes da companhia registraram caminhões e guindastes no local também neste domingo (22/3). “Estamos há três meses sem o mínimo de diálogo, eles não nos procuraram. A gente apresentou várias propostas para a gente tirar esse teatro daqui e colocar em outro lugar. Eles sumiram e estão gastando dinheiro público para destruir um dos equipamentos mais importantes do nosso país”, diz um deles, em vídeo publicado nas redes sociais.
Em janeiro, a prefeitura iniciou a retomada do terreno em que funcionava o Teatro de Contêiner, na Luz, após autorização da Justiça. A 5ª Vara da Fazenda Pública decidiu que a Cia. Munguzá havia perdido o prazo para deixar o local. Há 10 anos, o grupo ocupava o espaço público culturalmente, com espetáculos de artes cênicas, música e dança.
Segundo a gestão municipal, o Termo de Acordo firmado com a companhia previa a retirada integral das estruturas e a transferência para outro espaço. Ao Metrópoles, o Teatro de Contêiner afirmou que aceitou o novo endereço, mas alegou não ter recursos para realizar a mudança.
Em nota, a prefeitura afirmou que ofereceu apoio financeiro de R$ 100 mil para auxiliar na desocupação do endereço, mas os responsáveis pelo teatro reivindicaram pagamento de R$ 2 milhões, valor considerado “incompatível” pela administração municipal.
Com a retomada do terreno, está prevista a construção de unidades habitacionais e pontos de lazer e convivência integrados ao “plano de recuperação da região central” da prefeitura, por meio da transferência da área para a Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab).
O Metrópoles entrou em contato com a Prefeitura de São Paulo para falar sobre a retirada dos contêineres, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.
Relembre
- O impasse entre a Prefeitura de São Paulo e a Companhia Munguzá começou em maio de 2025, quando artistas do Teatro de Contêiner foram surpreendidos por uma notificação extrajudicial de despejo com prazo de 15 dias para desocupação do terreno.
- Em setembro do ano passado, a Justiça de São Paulo deu 90 dias para que a companhia deixasse o endereço na Rua dos Gusmões.
- Além dos custos da mudança, a Cia. Mungunzá se preocupa com o risco de um novo despejo no endereço oferecido pela Prefeitura, localizado na Rua Helvétia, nos Campos Elíseos.
- De acordo com o grupo de teatro, foi solicitada a cessão do terreno por 30 anos, mas a contraproposta foi de dois anos.
- “Nessas condições, permanecemos sem possibilidades para avançar. Não podemos transferir o teatro para um espaço do qual possamos ser removidos novamente a qualquer momento”, destacou a companhia em um post nas redes sociais.
- Em agosto passado, um protesto de artistas ligados ao teatro terminou em confronto com agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
