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São Paulo

Ligado a André do Rap, Portuga do PCC escoava coca de fazendeiro foragido

Associado ao tráfico transoceânico de cocaína para o PCC, Portuga deu novas rotas para escoar droga produzida por fazendeiro

27/08/2026 11:00
Reprodução/Arte Metrópoles
Ligado a André do Rap, Portuga do PCC escoava coca de fazendeiro foragido - Metrópoles

Preso pela Polícia Civil nessa terça-feira (25/8), e ligado a André do Rap, Leandro Teixeira de Andrade (imagem em destaque à esquerda), o “Portuga” ou “Benfica”, apontado como integrante de uma célula do Primeiro Comando da Capital (PCC), escoava a cocaína produzida pelo fazendeiro colombiano Yul Neyder Morales Sanchez, o “Crespo”, foragido da Justiça brasileira desde 2015.

Assim como Portuga, Crespo também teve um revés nesta semana. Na segunda-feira (24/8), o Supremo Tribunal Federal (STF) negou a ele um habeas corpus. O colombiano tem uma condenação definitiva no Brasil de sete anos de prisão por associação para o tráfico internacional de drogas.

Também chamado pelos codinomes “Lucas” e “Oliver”, Yul tem uma fazenda na Bolívia onde produz e refina cocaína junto com o pai dele, Cristobal Morales Velasquez, o “Papi Supremo”. A droga, comercializada para diferentes quadrilhas de narcotraficantes brasileiros e estrangeiros, era escoada pelo Porto de Santos, na Baixada Santista, litoral de São Paulo. Um dos responsáveis pelo escoamento era Portuga.

O brasileiro foi procurado para fazer parte do esquema quando uma carga de 32kg de cocaína produzida por Yul foi apreendida pela polícia italiana em Gioia Tauro. A apreensão levou a quadrilha a buscar um novo esquema para o tráfico transoceânico. Foi então que eles buscaram a “expertise” de Portuga para encontrar uma alternativa de escoamento menos visada.

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De acordo com as investigações, Portuga sugeriu desviar os envios do fiscalizado terminal da Santos Brasil e para o terminal da DEICMAR, despachando as drogas por navios da Grimaldi Lines. A quadrilha julgava que este era um meio mais seguro, com menor fiscalização das autoridades.

Portuga foi um dos presos em março de 2014, quando a Polícia Federal (PF) flagrou a entrega de uma remessa de 56,7kg de cocaína vinda da fazenda de Yul na Bolívia. A carga tinha destino à Antuérpia, na Bélgica. O narcotraficante foi solto depois.

Braço de André do Rap no tráfico internacional de cocaína

Portuga é um personagem antigo das investigações sobre o envio de cocaína pelo Porto de Santos. Documentos judiciais da Operação Oversea apontam que ele era responsável por conseguir cargas e destinos e aliciar funcionários de terminais de embarque para o esquema.

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No topo daquela estrutura estava André Oliveira Macedo, o André do Rap. Ele é apontado como um dos chefões históricos do PCC e responsável pelo envio de cargas bilionárias de cocaína para a Europa por meio do Porto de Santos, que rende anualmente à facção ao menos R$ 10 bilhões, segundo calculo conservador do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Como já mostrou o Metrópoles, André deixou a prisão em outubro de 2020 após decisão do então ministro Marco Aurélio Mello, do STF. A ordem foi posteriormente derrubada, mas o traficante já havia desaparecido. Desde então, ele segue foragido.

Fazendeiro da coca na mira da PF e da Interpol

Yul Neyder é descrito pelo ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), como um “grande produtor e fornecedor de cocaína para narcotraficantes brasileiros e estrangeiros, movimentando expressiva quantidade da droga”.

O colombiano entrou na mira da PF após os investigadores interceptarem comunicações entre integrantes da Célula Porto, grupo responsável por escoar drogas para a Europa pelo Porto de Santos, com integrantes do PCC, em 2014.

Ele foi detido em setembro daquele ano na Colômbia graças a um alerta vermelho da Interpol, mas acabou solto depois após o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) lhe conceder um habeas corpus.

A justificativa foi o excesso de prazo na instrução criminal, já que o Ministério Público Federal (MPF) ainda não havia apresentado denúncia contra o narcotraficante. Yul nunca mais foi capturado pela Justiça.

Em março deste ano, a 5ª Vara Federal de Santos ordenou a expedição de novo mandado de prisão contra o colombiano e determinou a reinclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol. O juízo também reforçou o interesse na extradição do foragido “por meio das vias diplomáticas”.

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Leandro Teixeira de Andrade
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Com Portuga polícia localizou anotações, dinheiro e uniforme portuário
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Com Portuga polícia localizou anotações, dinheiro e uniforme portuário

Divulgação/Polícia Civil
Leandro Teixeira de Andrade
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Leandro Teixeira de Andrade

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Divulgação/Polícia Civil

Preso com uniforme do Porto de Santos

Portuga foi detido por policiais da 2ª Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) em um apartamento em Santos, que cumpriram um mandado de prisão expedido pela Justiça, decorrente de condenação por tráfico.

Ele também foi preso em flagrante por manter no imóvel cocaína, US$ 4 mil (R$ 20.578), celulares e um caderno com anotações sobre substâncias químicas (veja galeria acima). Também foram apreendidas roupas de serviço de dois terminais do Porto de Santos. Um carro relacionado ao investigado foi apreendido.

Entre os produtos anotados no caderno estavam cloreto de zinco, ácido acético, álcool polivinílico e água destilada. Segundo os registros da Polícia Civil, essas substâncias podem formar compostos usados para aglutinar cocaína, permitindo prensar a droga ou até impregná-la em roupas e tecidos.

Portuga permaneceu em silêncio durante o interrogatório e recusou fornecer material para exame grafotécnico. A defesa dele não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.

Defesa de fazendeiro nega acusações

O advogado Felipe Kirchner Bello, que representa Yul, argumenta que o processo condenatório possui “graves problemas jurídicos e probatórios”. “A condenação ainda é objeto de discussão judicial e [há] ilegalidades que entendemos terem ocorrido ao longo do processo”, disse, em nota.

A defesa argumenta que “a imputação contra o Yul foi construída essencialmente a partir de interceptações telemáticas e da atribuição a ele de determinados codinomes, sem reconhecimento formal, perícia de voz, correlação técnica de linhas telefônicas, aparelhos, cadastros ou dados biométricos que estabeleçam de maneira segura essa identificação”.

Kirchner alega ainda que os elementos utilizados na condenação se referem a um episódio específico, “sem demonstração de reiteração, continuidade ou integração duradoura a uma organização”.