Ligado a André do Rap, Portuga é preso com uniformes do porto de Santos
Condenado por tráfico, Leandro Teixeira de Andrade tinha US$ 4 mil, cocaína, celulares e anotações sobre produtos químicos

Leandro Teixeira de Andrade (imagem em destaque à esquerda), conhecido como Portuga ou Benfica e apontado como integrante de uma célula do Primeiro Comando da Capital (PCC), ligada ao megatraficante André do Rap (imagem em destaque à direita), foi preso pela Polícia Civil em um apartamento em Santos, litoral paulista, nessa terça-feira (25/8).
Policiais da 2ª Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) cumpriram contra Portuga um mandado de prisão, expedido pela Justiça, decorrente de condenação por tráfico. No imóvel, além disso, ele também foi preso em flagrante por manter no local cocaína, US$ 4 mil (R$ 20.578), celulares e um caderno com anotações sobre substâncias químicas.
Também foram apreendidas roupas de serviço de dois terminais portuários. Um carro relacionado ao investigado foi recolhido.
Cocaína em tecidos
Entre os produtos anotados no caderno estavam cloreto de zinco, ácido acético, álcool polivinílico e água destilada.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSegundo os registros da Polícia Civil, obtidos pela coluna, essas substâncias podem formar compostos usados para aglutinar cocaína, permitindo prensar a droga ou até impregná-la em roupas e tecidos. A combinação entre a cocaína localizada, os dólares, as anotações e os uniformes portuários embasou a prisão em flagrante por tráfico.
Portuga permaneceu em silêncio durante o interrogatório e recusou fornecer material para exame grafotécnico. A defesa dele não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.
Braço de André do Rap no porto
Portuga é um personagem antigo das investigações sobre o envio de cocaína pelo Porto de Santos. Documentos judiciais da Operação Oversea apontam que ele era responsável por conseguir cargas e destinos e aliciar funcionários de terminais de embarque para o esquema.
No topo daquela estrutura estava André Oliveira Macedo, o André do Rap. Ele é apontado como um dos chefões históricos do PCC e responsável pelo envio de cargas bilionárias de cocaína para a Europa por meio do Porto de Santos, que rende anualmente à facção ao menos R$ 10 bilhões, segundo calculo conservador do Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Como já mostrou o Metrópoles, André deixou a prisão em outubro de 2020 após decisão do então ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem foi posteriormente derrubada, mas o traficante já havia desaparecido. Desde então, segue foragido.












