Sem agrément do Brasil, EUA inicia trâmite para trumpista assumir embaixada
Departamento de Estado dos EUA afirma que Daniel Perez foi confirmado pelo Senado e já iniciou preparação para assumir o posto em Brasília

O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que iniciou os trâmites para preparar Daniel Perez para assumir a Embaixada dos EUA no Brasil, embora o governo brasileiro ainda não tenha concedido o agrément — aval necessário para que um embaixador seja oficialmente credenciado.
Em nota enviada ao Metrópoles, o órgão afirmou que Perez foi confirmado pelo Senado norte-americano em 7 de agosto de 2026 e que, na terça-feira (25/8), teve início o processo interno para que o embaixador designado possa começar consultas relacionadas à futura missão.
“O Departamento de Estado deu início aos trâmites processuais para permitir que o embaixador designado inicie as consultas em preparação para sua futura designação, garantindo que ele esteja totalmente preparado para assumir o cargo assim que o processo de agrément e credenciamento do Brasil for concluído”, afirmou um representante da diplomacia norte-americana.
A pasta acrescentou que espera que Perez possa representar o governo do presidente Donald Trump e os interesses norte-americanos em Brasília “o mais rápido possível”.
O movimento ocorre enquanto o governo brasileiro ainda analisa o pedido de agrément para Perez.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesPerez diz que não interferirá nas eleições
A declaração do departamento ocorre logo após Perez afirmar que não pretende interferir nas eleições presidenciais brasileiras de outubro.
Em entrevista ao programa This Week in South Florida, da emissora WPLG Local 10, no domingo (23/8), o indicado disse que a escolha do próximo presidente brasileiro cabe exclusivamente aos eleitores do país.
“Não há qualquer envolvimento da minha parte em relação às eleições no Brasil”, afirmou. Segundo Perez, independentemente de quem vencer o pleito, ele trabalhará com o próximo presidente.
O republicano, de 39 anos, é deputado estadual na Flórida e foi indicado por Trump para o posto de embaixador no Brasil em 1º de junho.
Ele afirmou na entrevista que ainda está nos Estados Unidos e que, no momento, sua prioridade é a eleição de meio de mandato norte-americana, marcada para novembro.
Indicação agravou crise diplomática
- O governo Trump anunciou a indicação de Perez antes mesmo de obter publicamente o agrément brasileiro, o que provocou incômodo no Itamaraty.
- Pela prática diplomática, o país que pretende enviar um embaixador deve solicitar, de forma reservada, o consentimento do governo que receberá o representante antes de tornar pública a indicação.
- A demora na concessão do aval brasileiro também esteve relacionada à decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da então embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
- O governo brasileiro, por sua vez, negou que esteja criando obstáculos à nomeação de Perez.
- O Itamaraty argumenta que Washington desrespeitou etapas da prática diplomática ao anunciar o nome antes da conclusão do processo de agrément.
Aprovação nos EUA não garante chegada a Brasília
Embora o Senado dos Estados Unidos tenha aprovado Perez em 7 de agosto, a decisão não encerra o processo de nomeação. O indicado ainda depende da autorização do governo brasileiro para assumir o cargo.
O agrément é o consentimento formal concedido pelo país que receberá um embaixador. A exigência está prevista na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.
Na prática, os Estados Unidos podem indicar quem desejam para representar o país no Brasil, mas cabe ao governo brasileiro aceitar ou rejeitar o nome antes que o diplomata possa ser credenciado e assumir oficialmente o posto.









