Aumento salarial a Tarcísio beneficia 18 mil servidores, incluindo PMs

Aumento de 50% no salário do governador, aprovado pela Alesp, vai provocar efeito cascata em outras categorias do funcionalismo paulista

atualizado 30/11/2022 13:27

tarcísio de freitas Fábio Vieira/Metrópoles

São Paulo – O aumento de 50% no salário do governador de São Paulo, que será usufruído por Tarcísio de Freitas (Republicanos) a partir de janeiro, provocará um efeito cascata em algumas carreiras do estado que deve beneficiar ao menos 18 mil servidores públicos estaduais no ano que vem.

São representantes da elite do funcionalismo paulista, como auditores fiscais da Receita Estadual, procuradores, engenheiros e, especialmente, policiais militares, que serão diretamente beneficiados  com o reajuste do governador, considerado o teto salarial dos servidores do estado.

Essa cúpula da gestão pública, entre os quais funcionários de carreira que tiveram o salário elevado por exercer funções comissionadas de chefia, com indicação política, recebe até agora um salário máximo de R$ 23.048,59, que é o subsídio do atual governador, Rodrigo Garcia (PSDB).

Com o aumento que os deputados estaduais aprovaram a Tarcísio na terça-feira (29/11), na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), esses servidores poderão receber até R$ 34.572,89, que será o salário do novo governador a partir de janeiro do ano que vem.

Informações do Portal da Transparência do governo de São Paulo mostram que, em setembro (dado mais recente), o Estado possuía 18.379 servidores recebendo salários igual ou maior do que o teto, dois quais 12.993 têm o valor excedente descontados do contracheque para não estourar o limite legal.

Na semana retrasada, Tarcísio admitiu ser “necessário” promover um reajuste no salário do governador para elevar o teto no estado e permitir que os servidores recuperem poder de compra – o valor estava congelado desde 2019, quando foi feito o último reajuste no subsídio do chefe do Executivo estadual.

Benefício a PMs

A maioria dos beneficiários do reajuste é formada por policiais militares, uma categoria que representa uma das principais bases de apoio ao governador eleito e ao seu padrinho político, o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os dados da Transparência mostram que 2.817 coronéis da PM, a maioria inativos, serão beneficiados pela medida. Outros 410 tenentes-coronéis, a maioria ativos, também estão na lista.

Pelas regras da Polícia Militar, a maior patente que um oficial ativo chega é a de coronel, e o mais comum é que isso só ocorra no momento de o militar ir para a reserva (se aposentar).

Desse modo, esse grupo de elite da PM, com  3.227 pessoas, é o que tem mais servidores beneficiados com o aumento do teto salarial do estado. Na Polícia Civil, são 526 delegados de classe especial, o topo da carreira.

Entre os civis, os auditores fiscais da Receita são o maior grupo, com 3.005 beneficiados.

Votação

A votação na Assembleia Legislativa, na tarde de terça-feira (29/11), aprovou o projeto com 56 votos a favor e seis contra. Dado a polêmica do assunto – uma vez que a maioria dos servidores da base do funcionalismo, como professores, não tiveram reajuste nos mesmos índices – 32 deputados deixaram de votar.

Além do aumento a Tarcísio, o salário do vice-governador foi aumentado de R$ 21.896,27 para R$ 32.844,41 e o dos secretários de Estado passará de R$ 20.743,72 para R$ 31.115,58. A medida ainda precisa ser sancionada pelo atual governador, Rodrigo Garcia, que deixa o cargo em janeiro e também já defendeu o aumento.

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