PF assume investigação avançada contra núcleo da farra do INSS em SP

Provas colhidas pela Polícia Civil de SP desde julho de 2024 vão abastecer inquérito da Polícia Federal (PF) contra farra dos descontos

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Polícia Federal deflagra a operação Sem Desconto, que cumpre na manhã desta quarta-feira 23 de abril 7
1 de 1 Polícia Federal deflagra a operação Sem Desconto, que cumpre na manhã desta quarta-feira 23 de abril 7 - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

A Polícia Federal (PF) assumiu uma investigação em estágio mais avançado conduzida pela Polícia Civil paulista contra um grupo de empresas e entidades de São Paulo envolvidas no esquema bilionário de fraudes contra aposentados do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), revelado pelo Metrópoles.

Após um pedido de compartilhamento de provas feito pela PF, a Justiça decidiu remeter nesta semana toda a investigação para a esfera federal porque há interesse da União em ressarcir as vítimas, além de envolvimento de servidores do INSS, um órgão federal. A medida foi defendida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).

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PF aponta três operadores da farra dos descontos contra aposentados, entre eles o ''Careca do INSS'' (ao centro)
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PF aponta três operadores da farra dos descontos contra aposentados, entre eles o ''Careca do INSS'' (ao centro)

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"Ninguém é autorizado a falar em nome do INSS”, enfatizou o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior
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"Ninguém é autorizado a falar em nome do INSS”, enfatizou o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior

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Entenda o caso

  • O inquérito tem como alvo o núcleo ligado ao empresário Maurício Camisotti, suspeito de ser um dos beneficiários finais da farra dos descontos indevidos de mensalidade sobre aposentadorias.
  • Segundo a PF, ele recebeu, por meio de empresas, ao menos R$ 43 milhões de três associações envolvidas nas fraudes e operadas por laranjas. Camisotti nega qualquer envolvimento no esquema.
  • O empresário, suas empresas e três associações ligadas a ele foram alvos da Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF em 23 de abril contra um megaesquema de descontos indevidos em aposentadorias que pode ter desviado até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2025.
  • O mesmo núcleo, contudo, já havia sido alvo de busca e apreensão da Polícia Civil paulista, em julho do ano passado, em um inquérito aberto para investigar os crimes de estelionato e associação criminosa por meio das fraudes contra aposentados.
  • As sedes da Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) e da empresa Benfix, por exemplo, que são ligadas a Camisotti e estão na mira da PF, já haviam sido vasculhados pelos investigadores da Polícia Civil nove meses antes.
  • Na ocasião, os policiais apreenderam computadores e documentos que já foram periciados. O Metrópoles apurou que foram constatadas fichas falsificadas de filiação de aposentados pela Ambec e por Cebap e Unsbras, outras duas entidades ligadas ao grupo.
  • Com a remessa dos autos para a PF, essas provas vão abastecer os inquéritos que correm na Justiça Federal, no âmbito da Operação Sem Desconto.

Coaf mostrou elo entre entidades

A corretora de seguros Benfix, de Camisotti, recebeu R$ 10 milhões de entidades de aposentados, como mostrou o Metrópoles em agosto do ano passado. Os repasses constam de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e demonstraram o elo entre as empresas, as entidades e Maurício Camisotti.

A defesa do empresário alega que a empresa foi contratada para melhorar a gestão das entidades e que auditorias paralelas foram acionadas por Camisotti para demonstrar, na Justiça, que o serviço foi prestado.

Os relatórios financeiros anexados à investigação da PF mostram que Camisotti e familiares movimentaram mais de R$ 700 milhões em operações suspeitas nos últimos anos. A defesa do empresário diz que há valores sobrepostos nas informações relatadas pelo Coaf.

Farra do INSS

O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. As reportagens levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU).

Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

As fraudes começaram em 2019, no governo de Jair Bolsonaro (PL) e triplicaram a partir de 2023, governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A atual gestão pediu o bloqueio de bens de parte das entidades envolvidas e promete ressarcir os aposentados lesados — ao menos 2,3 milhões de segurados disseram que sofreram descontos de mensalidade associativa não autorizados nos últimos cinco anos.

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