“Pensava na filha para resistir”, diz pai de jovem resgatada no mar
Bruna Damaris Sant’Anna da Silva, de 26 anos, ficou 42 horas à deriva em alto-mar, e foi resgatada por pescadores na terça-feira (26/5)
atualizado
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Há 42 horas à deriva em alto-mar, a jovem Bruna Damaris Sant’Anna da Silva, de 26 anos, já se encontrava praticamente sem forças para resistir. Sozinha, sem ter como se alimentar ou se hidratar com a água do mar, e sem nenhum tipo de terra à vista, apenas uma coisa foi capaz de fazê-la continuar: a filha Eloá, de quatro anos.
“Quando ela estava fraca no mar, pensava na Eloá para conseguir forças e resistir”, contou o pai de Bruna, Sidney José da Silva, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (27/5) à frente do hospital onde a filha permanece internada.
Bruna, que segue sem previsão de alta, está no Hospital Municipal Governador Mário Covas Júnior, em Ilhabela, após ter sido resgatada por dois pescadores de Ubatuba na manhã de terça-feira (26/5). O amigo que a acompanhava em um passeio de moto aquática na tarde do último domingo (24/5), Dheorge Pereira Bernardino, de 28 anos, permanece desaparecido.
“Ela ainda não conta muito sobre o que aconteceu no mar, as duas noites que passou na água, no escuro”, continuou Sidney. “Quando lembra, entra em choque, chora.”
O pai da jovem também afirmou aos jornalistas que Bruna ainda está muito traumatizada, e tem tido inclusive dificuldades para dormir, acordando assustada no meio da noite pensando que ainda estava no mar. Mesmo em recuperação, no entanto, ela gravou um vídeo para a família nesta quarta-feira. Veja:
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Também nesta quarta, a Marinha encontrou um colete salva-vidas próximo ao local onde Dheorge desapareceu. Segundo as forças navais, o item “possivelmente é pertencente à vítima”.
Quem é Bruna, encontrada em alto-mar
Bruna Damaris Sant’Anna da Silva, resgatada por pescadores em alto-mar após 3 dias desaparecida, tem 26 anos e mora na cidade de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. A jovem é estudante do 2° ano do curso de Auxiliar e Técnico de Enfermagem e mantém um relacionamento com Beatriz Luz, com quem mora com a filha de 4 anos.
Em entrevista à Rede Vanguarda, Beatriz disse que estava ciente do passeio que a esposa faria. A jovem também contou que a companheira nunca tinha andado de moto aquática antes do ocorrido.
Bruna foi encontrada em um estado vulnerável, nas proximidades da Ilha de Búzios, a aproximadamente 16 km da costa. Após o resgate, a vítima foi transportada pela equipe do Corpo de Bombeiros até o flutuante da balsa de Ilhabela. Na sequência, foi encaminhada por viatura ao Hospital Municipal Governador Mário Covas Júnior para atendimento médico.
O que ela fez para sobreviver?
Josélia Pegorim, meteorologista do Climatempo, afirma que um dos fatores que auxiliou na sobrevivência da mulher é a condição das massas de ar presentes na região. Em alto-mar, as chances de atingir uma hipotermia são altas e, dependendo da condição do ar no momento do acidente, esse quadro pode se consumar ainda mais rápido.
No entanto, apesar da baixa temperatura na região, as condições climáticas desta semana estavam menos agressivas que na semana anterior, o que pode ter facilitado a resistência da vítima.
“Embora não houvesse mais a presença de ar de origem polar intenso no começo desta semana, o ar estava frio. Se fosse na semana passada, quando o ar estava mais frio e tivemos chuva frequente no litoral paulista, as condições para o corpo seriam piores”, diz Josélia.
Em entrevista ao Metrópoles, Leonardo Nery, Comandante do 2° Pelotão De Bombeiros Náutico, apontou a força mental é uma das principais questões para a resistência em situações de risco. Ele relata que, a partir dos depoimentos, foi atestado que Bruna teria sido muito resiliente e esforçada para manter a calma. Mesmo passando pelas “fases do afogamento“, a mulher conseguiu superar o pânico e se manteve lúcida quase todo o tempo, fator de grande importância para a sua sobrevivência.
Segundo Leonardo, o que mais chamou a atenção em toda a equipe foi justamente o estado físico e psicológico da mulher. Para ele, Bruna aparenta estar muito melhor do que o esperado para alguém que passa por uma situação de vulnerabilidade como essa.
“Ela está bem, está orientada, apesar do trauma, […] conversando com os médicos que a atenderam, até surpreendeu a todos lá, porque ela realmente se encontra bem e esperamos que cada dia ela esteja melhor”, continua.













