Entenda o que ajudou Bruna a sobreviver 3 dias à deriva em alto-mar

Especialistas apontam que condições climáticas e força mental podem ter ajudado na sobrevivência da mulher

atualizado

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Imagem colorida de Bruna Damaris, encontrada à deriva em alto-mar
1 de 1 Imagem colorida de Bruna Damaris, encontrada à deriva em alto-mar - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Bruna Damaris Sant’anna da Silva havia desaparecido nesse domingo (24/5), durante um passeio de moto aquática com seu amigo, Dheoge Pereira, em Ilhabela, litoral de São Paulo. Ela foi resgatada com vida, em alto-mar, após três dias de busca, a aproximadamente 16 km da costa. Até o momento, o homem que estava com Bruna não foi encontrado pela Marinha.

 

O resgate, após 42 horas à deriva no mar, surpreendeu todos que acompanharam as buscas – até mesmo especialistas em ocorrências do gênero. Nas redes sociais, surgiram centenas de questionamentos, principalmente sobre como foi possível encontrar Bruna ainda com vida.

O Metrópoles entrou em contato com especialistas, buscando responder às dúvidas do público. Seria, esse episódio, um milagre ou há fatores científicos que possam explicá-lo?

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Mulher que desapareceu em Ilhabela é encontrada com vida em alto mar
Mulher que desapareceu em Ilhabela é encontrada com vida em alto mar
Mulher encontrada à deriva em alto-mar surge em vídeo enviado à família
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Mulher encontrada à deriva em alto-mar surge em vídeo enviado à família

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Mulher que desapareceu em Ilhabela é encontrada com vida em alto mar

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Mulher que desapareceu em Ilhabela é encontrada com vida em alto mar
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Mulher que desapareceu em Ilhabela é encontrada com vida em alto mar

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Josélia Pegorim, meteorologista do Climatempo, afirma que um dos fatores que auxiliou na sobrevivência da mulher é a condição das massas de ar presentes na região. Em alto-mar, as chances de atingir uma hipotermia são altas e, dependendo da condição do ar no momento do acidente, esse quadro pode se consumar ainda mais rápido.

No entanto, apesar da baixa temperatura na região, as condições climáticas desta semana estavam menos agressivas que na semana anterior, o que pode ter facilitado a resistência da vítima. “Embora não houvesse mais a presença de ar de origem polar intenso no começo desta semana, o ar estava frio. Se fosse na semana passada, quando o ar estava mais frio e tivemos chuva frequente no litoral paulista, as condições para o corpo seriam piores”, diz Josélia.


“O maior inimigo nessa questão de sobreviver é o psicológico”

Em entrevista ao Metrópoles, Leonardo Nery, Comandante do 2° Pelotão De Bombeiros Náutico, aponta a força mental é uma das principais questões para a resistência em situações de risco. Ele relata que, a partir dos depoimentos, foi atestado que Bruna teria sido muito resiliente e esforçada para manter a calma. Mesmo passando pelas “fases do afogamento“, a mulher conseguiu superar o pânico e se manteve lúcida quase todo o tempo, fator de grande importância para a sua sobrevivência. 

“Eu acredito que o maior inimigo nessa questão de sobreviver realmente é o psicológico, porque ele vai te abater. Primeiro você vai ter aquelas fases […] até a fase do afogamento, que é uma angústia; e o pânico, e depois você submerge. Eles estavam de colete, mas ela se manteve consciente em todo esse período. Tanto é que ela narra, ela perdeu um pouco a noção do tempo, o que era dia, ela lembra da noite, mas ela se perde um pouco em relação aos períodos. Então acredito que a primeira situação que aniquila a vítima nesse sentido é o psicológico, depois vem a questão do cansaço, a hipotermia, a desidratação, mas ela conseguiu sobreviver a isso tudo”, diz.

Segundo Leonardo, o que mais chamou a atenção em toda a equipe foi justamente o estado físico e psicológico da mulher. Para ele, Bruna aparenta estar muito melhor do que o esperado para alguém que passa por uma situação de vulnerabilidade como essa. “Ela está bem, está orientada, apesar do trauma, […] conversando com os médicos que a atenderam, até surpreendeu a todos lá, porque ela realmente se encontra bem e esperamos que cada dia ela esteja melhor”, continua.

Bruna continua internada no Hospital Mario Covas, em Ilhabela. Em nota, a prefeitura da cidade litorânea afirmou que, após a realização dos exames de controle e avaliação da equipe médica, Bruna apresentou evolução estável do quadro clínico, sendo liberada para o setor de internação, onde permanecerá em observação e recebendo os cuidados assistenciais necessários.

Além disso, o comandante ressalta os ensinamentos sobre segurança no mar que esse caso traz à tona: “O jet-ski [moto aquática] apresentou uma pane, afogou ou alguma coisa nesse sentido, não sabemos se foi uma pane seca, mas assim que o jet-ski parou, o que tinha que ter sido feito era verificar […] Eu acho que o alerta que esse tipo de ocorrência dá para todos, é que a segurança em primeiro lugar. Então, antes de nos aventurarmos no mar, é ter conhecimento técnico e se cercar de toda a segurança possível”.


Entenda o caso

  • Bruna Damaris Sant’anna da Silva, de 26 anos, e Dheoge Pereira Bernardino, de 28 anos, desapareceram nesse domingo (24/5), em Ilhabela, litoral de São Paulo.
  • Segundo as autoridades, o homem e a mulher participavam de uma confraternização em um barco quando decidiram se separar do grupo com a moto aquática por volta das 16h. Como os dois não retornaram ao local, os colegas iniciaram buscas preliminares ainda durante a noite, com apoio de pescadores e profissionais náuticos.
  • Na tarde dessa segunda-feira (26/5), com o apoio da Marinha do Brasil, foi possível localizar a embarcação aquática utilizada pelas vítimas — o veículo estava a mais de 20 km do local de origem. A partir desse ponto, as equipes conseguiram delimitar uma área de busca mais precisa, fator determinante para a localização de Bruna nesta data.
  • O homem, Dheoge Bernardino, permanece desaparecido, e as equipes do Corpo de Bombeiros seguem empenhadas nas buscas.

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