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São Paulo

Padre Júlio pede trégua na remoção de barracas: "Truculência voltou"

Padre Júlio Lancellotti quer que prefeito Ricardo Nunes suspenda durante a Páscoa operação que retira barracas de moradores de rua

Bruno Ribeiro04/04/2023 09:05, atualizado 04/04/2023 11:03
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@padrejulio.lancellotti/ Instagram
Imagem colorida: Padre Julio Lancellotti segura imagem de menino Jesus negro - Metrópoles

São Paulo – O padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua da Igreja Católica, quer uma reunião com o prefeito Ricardo Nunes (MDB) para pedir trégua na operação que retira barracas dos moradores de rua durante o feriado de Páscoa.

Lancellotti disse ao Metrópoles nesta terça-feira (4/4) que, diferentemente do que vem afirmando o prefeito, “a truculência e a violência estão de volta”.

A operação desta segunda (3), de acordo com o religioso, “foi violenta e truculenta como sempre. Pergunte para a prefeitura onde estão os contralacres das barracas apreendidas ontem”, disse o padre.

Conforme a prefeitura, quando barracas de moradores de rua fossem retiradas, o material seria lacrado e levado para depósitos. Os moradores receberiam o contralacre para, depois, poder reaver os objetos.

Lancellotti afirma que os pertences recolhidos estão indo para o lixo, e as pessoas ficando sem bens como colchões e cobertores. O Metrópoles acompanhou uma ação de retirada de barracas no centro, e os moradores de rua reclamaram da intransigência dos agentes.

Um homem de 63 anos, acampado no centro da capital e com tuberculose, disse que os agentes levaram até seus medicamentos: “Eles vieram com muita estupidez. Estou fazendo tratamento médico. Até medicamentos eles levaram. O bicho pegou”.

Nessa segunda, o prefeito Nunes afirmou que a abordagem dos moradores de rua seria humanizada e que, ao retirar as barracas, seriam oferecidas alternativas diferentes de abrigo.

O padre Júlio Lancellotti foi um dos coautores da ação civil que pediu à Justiça, em fevereiro, que a remoção das barracas fosse interrompida. A decisão liminar foi derrubada na última sexta-feira (31).

A política de retirada de barracas de moradores de rua divide opiniões e pode ser vista como “enxugar gelo” caso não seja acompanhada de outras ações de assistência social, segundo especialistas.

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