“Não quero queimar essa boquinha minha do BNDES”, disse lobista preso

Lobista alvo da Polícia Federal foi identificado em mensagens sobre venda de influência para empréstimo de R$ 300 milhões junto ao BNDES

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“Não quero queimar essa boquinha minha do BNDES”. A frase consta em uma série de trocas de mensagens atribuídas ao lobista Christian Simões, alvo da Polícia Federal (PF) por uma tentativa frustrada de usar documentos fraudulentos para contrair um empréstimo de R$ 300 milhões no banco estatal.


Entenda o caso

  • Christian Simões foi alvo da Operação Wolfe, desdobramento da Operação Concierge, deflagradas no ano passado para investigar uma rede de fintechs suspeitas de atuar como falsos bancos e lavar quantias milionárias inclusive para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
  • A rede de lavagem de dinheiro das fintechs envolveu movimentações de R$ 7,5 bilhões, segundo as investigações.
  • As empresas se vendiam como bancos que ofereciam contas blindadas da fiscalização do Banco Central, o que dificultaria incidência de bloqueios judiciais e investigações sobre origem do dinheiro dos correntistas.
  • Na prática, não eram instituições financeiras autorizadas, mas vendiam produtos financeiros, como contas, pagamentos de boletos e pix de bancos credenciados pelo BC.
  • A PF chegou a prender 14 envolvidos nas fraudes.

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BNDES detectou fraude em empréstimo de R$ 300 milhões intermediado por lobista e recusou crédito
Patrick Burnett foi preso na Operação Concierge da PF
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BNDES detectou fraude em empréstimo de R$ 300 milhões intermediado por lobista e recusou crédito
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BNDES detectou fraude em empréstimo de R$ 300 milhões intermediado por lobista e recusou crédito

Fernando Frazão/Agência Brasil

 

O lobista Christian Simões chamou a atenção de investigadores após aparecer em trocas de mensagens em um celular apreendido com o empresário Patrick Burnett, um dos alvos da Concierge e dono da fintech I9Pay. 

Nos diálogos, o lobista se dizia próximo de pessoas do BNDES, e prometeu facilidades para intermediar o empréstimo.

A suspeita é que a dupla usou documentos fraudulentos que inflavam o capital da I9Pay para o valor de R$ 6 milhões, além de fraudar um balanço anual deficitário da empresa, com a finalidade de conseguir a aprovação de um crédito milionário no BNDES.

“Agora vou abrir o coração pra você: conversei com a Tainá e você tem lá trezentos milhão mesmo viu meninão! Vou buscar esse dinheiro pra você, tá? Trezentos milhões você tem mesmo lá viu, eu gosto de você porque você não mente, você é um cara verdadeiro”, disse Simões a Burnett.

Em resposta, o empresário disse: “Fala mestre, como é que você está? Tudo bem? Beleza aí? Bom eu to com a senha aqui, sexta-feira eu estou com mago, já pra estruturar já números né? Porque eu vou dar a entrada com cento e sessenta tá, e aí vai bingar!”.

Investigação e “boquinha”

Tainá e outros nomes mencionados nas mensagens apreendidas são citados como funcionários do BNDES. Em uma das linhas de investigação, a PF suspeita que esses contatos sejam reais e facilitavam a atuação do lobista dentro do banco federal.

Outra hipótese é que o lobista vendia uma falsa influência dentro da instituição, uma vez que não foram encontrados registros de entrada de Simões no BNDES. O banco rejeitou a concessão do crédito intermediada por ele e considerado vítima.

Em outra referência à suposta influência com servidores do banco, o lobista disse ter uma “boquinha” no BNDES. “Eu confio no que você fala, entendeu, e eu não quero queimar essa boquinha minha do BNDES não, entendeu?”.

Antes da operação, o lobista voltou a prometer ao empresário que a negociação daria certo. “Olha, até outubro seu dinheiro está na mão tá, foi o prometido”. “E prometeram pra mim até outubro, tá? O seu está garantido no seu e mais três”, disse, em referência a funcionários do BNDES.

À época da operação, o BNDES afirmou que os mecanismos de compliance do banco funcionaram e barraram a tentativa de fraude no empréstimo, e disse que apoia a apuração da Polícia Federal.

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