Mulher de 37 anos que fingia ter 12 se torna ré por estelionato

Justiça de SC aceitou denúncia contra Amanda Souza Oliveira, que fingia ser criança para obter acolhimento. Ela também aplicou o golpe em SP

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Amanda Maria Sousa Oliveira, acumula passagens pela Justiça em todo o país e responde a acusações por falsidade ideológica e estelionato - Metrópoles
1 de 1 Amanda Maria Sousa Oliveira, acumula passagens pela Justiça em todo o país e responde a acusações por falsidade ideológica e estelionato - Metrópoles - Foto: Reprodução / Redes sociais

A Justiça de Santa Catarina aceitou a denúncia e tornou ré, nesta terça-feira (9/6), Amanda Maria Souza de Oliveira, a mulher de 37 anos que fingiu ser uma adolescente de 12 e enganou uma família que a acolheu em Joinville. Investigada pelos supostos crimes de estelionato e falsa identidade, ela está presa desde o último dia 2. Amanda aplicou o mesmo golpe em cidades de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Ceará.

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Amanda Maria Sousa Oliveira, acumula passagens pela Justiça em todo o país e responde a acusações por falsidade ideológica e estelionato
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Na decisão em que recebeu a denúncia contra Amanda, o juiz determinou a citação da acusada para apresentação de defesa no prazo legal. Já o exame de sanidade mental foi agendado em um processo apartado — um incidente de insanidade mental que tramita em segredo de Justiça, no qual foi designada a realização de perícia no dia 26 de junho.

Segundo a acusação, a investigada teria se aproximado de uma família do distrito de Pirabeiraba, em Joinville, para relatar que possuía experiência em panificação, com o objetivo de obter uma oportunidade de trabalho. Com o tempo, passou a compartilhar dificuldades pessoais e acabou acolhida pela família em sua residência.

Conforme os autos, após um período de convivência, teria passado a se apresentar como criança em situação de vulnerabilidade, o que teria levado à continuidade do acolhimento e ao custeio de despesas com alimentação, moradia e medicamentos.

A denúncia do MPSC aponta que os fatos foram posteriormente questionados após um familiar tomar conhecimento de informações que indicavam inconsistências na identidade da mulher.

Passagem por São Paulo

Antes de ser descoberta em Santa Catarina, Amanda já havia aplicado o mesmo golpe em outras cidades de Santa Catarina, em São Paulo e em pelo menos outros cinco estados.

A passagem por São Paulo começou em junho de 2022. Segundo documentos da Polícia Civil obtidos pelo Metrópoles, Amanda chegou à capital paulista vinda de Belo Horizonte e procurou o Conselho Tutelar alegando ser uma adolescente vítima de abusos. A história convenceu as autoridades, que providenciaram acolhimento em um abrigo para menores de idade. Pouco tempo depois, porém, ela fugiu da instituição ao ser informada de que seria encaminhada para reencontrar a sua suposta família.

Após deixar a capital, Amanda seguiu para Registro. Lá, passou a usar o nome de Vitória Karoliny e voltou a afirmar que tinha apenas 12 anos. A mulher foi acolhida pelo Centro de Referência à Infância e Juventude (CRIFF) após relatar uma história envolvendo exploração sexual, torturas e até a presença de agulhas espalhadas pelo corpo. 

Levada à delegacia para esclarecimentos, Amanda acabou admitindo que a história apresentada às autoridades era fantasiosa e que costumava criar relatos semelhantes para conseguir abrigo e assistência.

Durante a apuração, policiais verificaram seus dados e realizaram o processo de identificação, confirmando que ela não era a adolescente de 12 anos que dizia ser, mas uma mulher adulta. Como não havia mandado de prisão contra ela e o município não possuía estrutura de acolhimento destinada a adultos na mesma situação, Amanda foi liberada.

Dormindo na Praça da Sé

Após deixar Registro, ela retornou à capital paulista. Em depoimento posterior à Polícia Civil, relatou que passou semanas vivendo nas ruas, em especial nas regiões da Praça da Sé e da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, no centro de São Paulo.

Nesse período, sobreviveu com refeições oferecidas por igrejas e contou com a ajuda de moradores de rua, que permitiam que ela dormisse em barracas improvisadas. Depois seguiu para Guarulhos e, sem permanecer muito tempo na cidade, embarcou de trem para Jundiaí, onde voltaria a assumir uma nova identidade.

Quando Amanda virou Ana Clara

A última parada de Amanda no estado foi Jundiaí, no interior paulista. Em agosto de 2022, ela chegou na cidade e voltou a assumir a identidade de uma menina de 12 anos, desta vez usando o nome Ana Clara dos Santos Oliveira. Ao procurar ajuda, relatou ter sido vítima de exploração sexual, estupros e cárcere privado no Ceará, o que mobilizou a Guarda Municipal, equipes de saúde e a rede de proteção à infância.

Inicialmente, Amanda foi encaminhada ao Hospital Universitário para atendimento médico. Depois, passou por um abrigo destinado a crianças e adolescentes e, posteriormente, foi transferida para o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS IJ), onde recebeu acompanhamento especializado. Ao longo do acolhimento, porém, profissionais começaram a desconfiar da idade informada por ela devido às inconsistências entre o relato, o comportamento apresentado e suas características físicas.

Farsa descoberta

Um exame de idade óssea apontou que a suposta adolescente tinha mais de 18 anos, o que levou a Polícia Civil a aprofundar as investigações. A confirmação veio após a comparação de prontuários médicos e registros de ocorrências semelhantes em outros estados, quando sua verdadeira identidade foi descoberta.

Pelos golpes ocorridos em Jundiaí, ela foi indiciada por falsidade ideológica e comunicação falsa de crime. O inquérito policial foi instaurado em 2 de setembro de 2022, e a denúncia foi recebida pela Justiça em junho de 2023. No entanto, Amanda foi citada por edital, não compareceu aos atos do processo e não constituiu advogado. Diante da ausência da acusada, a ação penal acabou suspensa e seu paradeiro passou a ser considerado desconhecido pela Justiça paulista.

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