MPSP questiona aposentadoria de coronel preso por matar esposa PM

Segundo o MPSP, não há elementos que embasem a abertura de uma investigação, mas SSP e PM devem explicar aposentadoria de coronel em 15 dias

atualizado

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Homem branco, em pé, em sala de apartamento iluminado com a luz do dia - Metrópoles
1 de 1 Homem branco, em pé, em sala de apartamento iluminado com a luz do dia - Metrópoles - Foto: Reprodução/Polícia Civil

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu uma série de esclarecimentos sobre a aposentadoria do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso há quase dois meses, acusado de matar a esposa policial militar, Gisele Santana, com um tiro na cabeça. A solicitação foi feita à Secretaria da Segurança Pública (SSP) e a à Polícia Militar (PM) no dia 30 de abril.

O objetivo da ação é apurar possíveis irregularidades no processo que colocou o tenente-coronel na reserva remunerada da PM, mesmo após a prisão do réu pelos crimes de feminicídio e fraude processual.

O pedido da promotoria acontece após o deputado estadual Guilherme Cortez (PSol) entrar com uma notícia de fato no MPSP. No pedido, o parlamentar requer a suspensão do ato administrativo que colocou o tenente-coronel na reserva, além da anulação da aposentadoria e o pagamento da pensão. Além disso, pede a apuração de um eventual desvio de finalidade do ato administrativo que aposentou o réu.


Apesar do relatado pelo deputado, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social não entendeu haver provas suficientes para abrir uma investigação, mas deu 15 dias para que a SSP e a PM prestem esclarecimentos sobre a aposentadoria de Geraldo Neto. São eles:

  • Informações sobre o processo que levou à aposentadoria do tenente-coronel, com pagamento integral do salário, de aproximadamente R$ 21 mil, mesmo após a decretação da prisão preventiva do réu.
  • Uma cópia do processo administrativo que culminou na transferência de Geraldo Neto para a reserva remunerada.
  • Uma cópia integral do procedimento administrativo instaurado pela PM, com a finalidade de excluir Geraldo Neto dos quadros da instituição.
  • Esclarecimentos sobre a atual situação funcional e previdenciária do tenente-coronel, bem como acerca da continuidade dos pagamentos da pensão de aposentadoria.

O Metrópoles procurou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) e a Polícia Militar (PM) para um posicionamento, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.

Aposentadoria do coronel

A aposentadoria de Geraldo Neto foi publicada no Diário Oficial do Estado no dia 2 de abril e determinou o pagamento do salário integral do oficial como forma de pensão.

De acordo com o Portal da Transparência do governo do estado e como já divulgado pelo Metrópoles, o coronel ganhou, em fevereiro de 2026, um salário bruto de R$ 28.946,81, acrescido de abono de R$ 2.995,43. O valor corresponde a quatro vezes mais do que recebia a esposa morta, que ganhava R$ 7.222,33 mensais.


Relembre o caso


Prisão do coronel

A prisão do oficial Geraldo Leite Rosa Neto foi solicitada pela Polícia Civil no dia 17 de março, após o resultado dos laudos descartar a hipótese de suicídio sustentada por ele. O coronel foi preso na manhã do dia 18, em um condomínio residencial de São José dos Campos, interior de São Paulo, exatamente um mês após a morte da esposa.

Ao chegar às dependências do Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, na tarde de quarta-feira (18/3), o tenente-coronel foi recebido com abraços por colegas de farda. Veja:

O tenente-coronel terá o caso julgado pela Justiça comum, após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que definiu que o processo ficará sob responsabilidade da 5ª Vara do Júri de São Paulo, afastando a competência da Justiça Militar.

A definição do STJ foi proferida pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, que entendeu que se trata de crime doloso contra a vida, o que deve ser julgado pelo Tribunal do Júri. Com isso, o processo segue na esfera comum da Justiça paulista.

Geraldo Neto responde pelo crime de feminicídio.

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