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São Paulo

MPSP investiga se família de Marcola era dona de ônibus em São Paulo

Everton de Souza, o Player, apontado como operador de familiares do chefão do PCC, tinha conexões com o presidente da Transunião

26/06/2026 02:00
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Arte/Metrópoles
Foto preto e banco de homem branco, cabelo curto, camiseta branca e com quatro silhuetas de pessoas atrás dele - Metrópoles

O Ministério Público (MPSP) e a Polícia Civil de São Paulo investigam se familiares do principal líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, são os verdadeiros donos e exploram economicamente ônibus da empresa Transunião, concessionária que opera 50 linhas de transporte de passageiros na zona leste da capital, com uma média diária de 262 mil pessoas.

Nessa quinta-feira (25/6), a companhia foi alvo da Operação Última Parada, contra um suposto esquema de lavagem de dinheiro da organização criminosa. Segundo as investigações, a empresa teria usado dinheiro do PCC para aumentar seu capital e se adequar à licitação em que obteve o direito de operar na cidade. Após solicitação do MPSP, a Prefeitura de São Paulo determinou uma intervenção pública na companhia. Com isso, a gestão e a operação da Transunião passam a ser administradas pela SPTrans.

Os promotores do Gaeco tiveram acesso, durante a apuração, a planilhas que indicavam que diversos ônibus estavam em nomes de laranjas, classificados como “cooperados”. Enquanto isso, havia menção aos verdadeiros donos, que eram classificados como “cooperados oficiais”. Eram eles, dizem os promotores, quem tinham o direito de explorar economicamente a operação dos veículos.

A hipótese de que familiares de Marcola fossem os verdadeiros donos de alguns ônibus surgiu a partir de Everton de Souza, conhecido como “Player”, que é apontado como um operador financeiro da família do chefão do PCC. Em especial, o irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho, conhecido como Marcolinha. A investigação sobre a Transunião apontou que Everton tinha conexões com o presidente da empresa, Lourival de França Monário, alvo de mandado de prisão.

“Claro que a gente vai ter que trabalhar em cima do que foi apreendido hoje. Mas o indícios indicam que a família Camacho poderia ter algum tipo de participação em ônibus”, afirmou o promotor Lincoln Gakiya, em entrevista coletiva, nessa quinta-feira (25/6). “Normalmente é esse o modus operandi: criminosos da liderança do PCC, através de familiares ou terceiros, recebem uma verba de fora e essas verbas são oriundas de ônibus que eles adquiriram dessas cooperativas”, acrescentou.

Na Operação Vérnix, deflagrada pelo MPSP e pela Polícia Civil, em 21 de maio, Player foi apontado como o responsável por intermediar o envio de dinheiro da família de Marcola para a influenciadora Deolane Bezerra, presa por suspeita de lavagem de capitais.

“O Everton era o player da família Camacho, do Marcola e do Alejandro, que fazia, em liberade, toda a parte financeira e de pagamentos. Na Operação Vérnix, que nós deflagramos aí no mês passado, ele era responsável por arrecadar o dinheiro que vinha da transportadora e teria indicado contas da influenciadora Deolane, a conta dos filhos do Alejandro, o Leonardo e a Barbara. E o Leonardo também teria recebido pagamento da Transunião”, disse Gakiya.

Segundo o promotor, o modelo criminoso implementado na empresa é semelhante aos adotados nas concessionárias de ônibus Transwolf e UpBus. As companhias foram alvo da Operação Fim da Linha, em abril de 2024, também acusadas de lavar dinheiro para a maior facção do país.

Vereador preso

Entre os presos na Operação Última Parada, está o vereador Senival Moura (PT), apontado como um dos principais beneficiários do esquema na Transunião. Em seu sexto mandato na Câmara Municipal, o parlamentar ocupava os cargos de primeiro-secretário da Mesa Diretora e de presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica, colegiado responsável por discutir e fiscalizar políticas relacionadas ao setor de transportes na capital paulista.

O ponto de partida para as investigações foi a morte de Adauto Soares Jorge, executado a tiros em uma padaria no bairro Lajeado, na zona leste, em março de 2020. Dois anos depois, as investigações já apontavam que ele atuava como um laranja de Senival na Transunião.

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Senival Moura
Vereador de São Paulo foi preso nesta quinta (25/6)
Presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara de SP
Senival Moura (PT)
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Senival Moura (PT)

Reprodução
Senival Moura
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Senival Moura

Richard Lourenço/Câmara Municipal de SP
Vereador de São Paulo foi preso nesta quinta (25/6)
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Vereador de São Paulo foi preso nesta quinta (25/6)

Instagram/ Reprodução
Presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara de SP
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Presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara de SP

Câmara Municipal de São Paulo/Reprodução

Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”, foi apontado como autor dos disparos. O Ministério Público acredita que o crime foi motivado por “quebra de confiança” financeira. Integrantes da facção teriam descoberto que Adauto estaria desviando valores da Transunião para subsidiar um “caixa dois” para a campanha de reeleição de Senival Moura, em 2020, em detrimento dos repasses que deveriam ser feitos ao PCC.

Diante disso, o operador Leonel Martins teria sido escalado para resolver a questão por meio do tribunal do crime, que resultou na ordem de execução.

Perdão do PCC

As investigações apontam que Senival Moura foi perdoado pelo PCC após ressarcir um dinheiro que teria desviado do esquema criminoso na Transunião. Por isso, ao contrário do que ocorreu com Adauto, foi poupado.

“Vereador foi perdoado pelo partido em razão do ressarcimento do que ele havia desviado”, afirmou Ronaldo Sayeg, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em entrevista coletiva. O delegado, no entanto, disse que não há informação sobre qual teria sido o valor ressarcido.

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