Corinthians: MPSP pede intervenção judicial e cita falhas na gestão
MPSP aponta dívida de cerca de R$ 3 bilhões no Corinthians, além de déficit de R$ 143,4 milhões e questionamentos sobre registros contábeis
atualizado
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O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) pediu à Justiça a intervenção no Corinthians, em meio ao avanço de investigações e questionamentos sobre a gestão. O pedido foi formalizado no último domingo (3/4) e prevê a nomeação de um interventor, alguém de fora da atual administração, para assumir temporariamente o comando e reorganizar áreas críticas.
A base desse pedido é a ideia de que, apesar de ser uma entidade privada, o Corinthians tem um peso público enorme: cultural, social e esportivo. Por isso, segundo o MPSP, quando surgem indícios graves de irregularidades, o Estado pode intervir para proteger o clube.
No documento, o promotor Cássio Conserino aponta uma série de problemas na estrutura do clube. O principal, segundo ele, é a falha nos mecanismos internos de controle. Conselhos que deveriam fiscalizar a gestão, como o Fiscal e o Deliberativo, teriam aprovado contas mesmo diante de alertas de auditorias sobre possíveis fraudes e má gestão.
Contas de 2025
Outro ponto é a possível violação da Lei Geral do Esporte. A acusação do MPSP é de que o clube não respeitou princípios básicos como transparência, responsabilidade e boa gestão financeira. Há menção a práticas consideradas temerárias, com decisões que colocariam em risco o patrimônio do Corinthians.
A aprovação das contas de 2025 é tratada como um dos episódios mais graves. Segundo a representação, esse processo seria nulo, ou seja, inválido desde a origem. Isso porque houve participação de um conselheiro que estava oficialmente afastado por conflito de interesses: Haroldo José Dantas da Silva. Mesmo impedido, ele participou da reunião, presidiu os trabalhos e assinou a ata final.
MPSP aponta os números da crise
- O MPSP entende que o Corinthians está enfrentando uma crise profunda de governança.. E, por isso, defende que uma intervenção judicial seria necessária para proteger o futuro da instituição.
- O clube acumula cerca de R$ 3 bilhões em dívidas, o que pressiona as finanças e levanta dúvidas sobre a continuidade.
- R$ 200 milhões de uma transação tributária futura teriam sido lançados nas contas de 2025 para melhorar artificialmente o resultado
O último balanço aponta um déficit de R$ 143,4 milhões. - R$ 96 milhões registrados como investimento na Neo Química Arena são questionados por auditoria e podem não refletir a realidade.
- A torcida é estimada em cerca de 30 milhões de pessoas, com 140 mil associados na Gaviões da Fiel.
- 174 conselheiros participaram da votação das contas, com 106 votos a favor e 68 contra.
- Já são 4 denúncias criminais apresentadas à Justiça, além de investigações e inquéritos em andamento.
- Mesmo com dívida alta e prejuízo, a representação aponta que não há um plano concreto para reverter a crise.
Além dos números, a representação aponta inconsistências na forma como as contas foram apresentadas. Segundo o promotor Cássio Conserino, há indícios de distorções contábeis e registros que não refletem a real situação financeira do clube.
