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São Paulo

MPSP diz que PM usava empresa em nome de familiares em esquema com PCC

Segundo MPSP, negócio registrado em nome da mãe e do padrasto servia para formalizar pagamentos aos PMs envolvidos no esquema ligado ao PCC

29/08/2026 09:31
Arte Metrópoles
Segundo o MPSP, negócio registrado em nome da mãe e do padrasto servia para formalizar pagamentos aos PMs envolvidos no esquema ligado ao PCC - Metrópoles

Uma empresa apontada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como parte do esquema que envolvia os quatro PMs denunciados por prestar segurança a dirigentes ligados ao PCC estava registrada em nome da mãe e do padrasto de um dos policiais, um tenente-coronel da corporação. Segundo a denúncia, apesar de aparecerem como donos oficialmente, os familiares não comandavam o negócio: a administração ficaria, na prática, nas mãos do próprio oficial.

A empresa, foi criada em 2013 e tinha sede na zona norte de São Paulo. A mãe do tenente-coronel aparece como sócia da companhia, enquanto o padrasto dele aparece como responsável por outra empresa do mesmo grupo. Os dois moravam no interior de São Paulo, a mais de 500 quilômetros da sede dos negócios.

Para o MPSP, essa estrutura servia para manter o oficial afastado formalmente das empresas. Isso porque policiais militares, segundo a legislação citada na denúncia, não podem exercer atividade comercial ou administrar sociedades.


Entenda o caso

  • Quatro policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por supostamente integrar um esquema de segurança particular para dirigentes da Transwolff e da UPBUS, empresas investigadas por ligação com o PCC.
  • Entre os denunciados estão um tenente-coronel, um capitão, um segundo-sargento e um terceiro-sargento da reserva. Vários deles têm ligação com a ROTA.
  • Os PMs teriam feito a segurança dos empresários em escalas organizadas e também recrutado outros policiais para participar dos serviços.
  • Contrato de segurança começou com pagamentos de R$ 30.905 por mês e chegou a R$ 44.639,10 em janeiro de 2025.
  • Valor aumentou cerca de 44% mesmo depois da Operação Fim da Linha, que investigou suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo a Transwolff e a UPBUS.
  • Segundo a denúncia, os policiais teriam continuado no esquema mesmo após serem alertados sobre os vínculos dos empresários com o crime organizado.
  • Os quatro são acusados de organização criminosa. Dois também respondem por exercício de comércio por oficial e um deles por lavagem de dinheiro.
  • O MPSP pediu a manutenção da prisão preventiva de três policiais e a prisão do tenente-coronel. Os pedidos serão analisados pela Justiça Militar.

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Quem comandava a empresa, segundo o MPSP

A própria mãe do tenente-coronel teria dito aos investigadores que era o filho quem administrava a empresa, junto com um gestor contratado. Esse funcionário também afirmou que prestava contas diretamente ao oficial e seguia as orientações dadas por ele.

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Imagens de câmeras também teriam registrado o tenente-coronel dentro da sede da empresa em janeiro deste ano. Segundo a denúncia, a  passou a ser utilizada a partir de 2020 para formalizar pagamentos relacionados ao esquema de segurança prestado aos dirigentes da Transwolff.

Empresa era usada nos pagamentos aos policiais

Na prática, de acordo com o MPSP, a empresa emitia notas fiscais pelos serviços de segurança, enquanto os policiais faziam a proteção dos empresários e de seus locais de trabalho. O Ministério Público sustenta que os documentos davam aparência de prestação regular de serviços aos pagamentos feitos ao grupo.

O contrato de segurança previa inicialmente R$ 30.905 por mês e foi reajustado posteriormente. Segundo o MPSP, a empresa chegou a receber mais de R$ 44 mil mensais pelo serviço.

Para a acusação, as empresas não eram usadas apenas para prestar serviços de segurança. Elas também teriam servido para dar aparência legal aos pagamentos feitos aos policiais, que, segundo a denúncia, atuavam na proteção particular de dirigentes da Transwolff, empresa investigada por ligação com o PCC.

Por isso, o tenente-coronel e o capitão foram denunciados pelo MPSP não apenas por organização criminosa, mas também por exercício de comércio por oficial. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça Militar. A denúncia não representa condenação, e os policiais poderão apresentar suas defesas durante o processo.