Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Eleições 2026Demétrio Vecchioli

Candidata ao governo de SP diz ter sido agredida pela GMC de Diadema

Vivian Mendes estava do lado de fora do paço durante manifestação de movimento por moradia popular. Prefeitura diz que prédio foi invadido

28/08/2026 19:37, atualizado 28/08/2026 19:39
Vivian Mendes (UP)
Candidata ao governo de SP diz ter sido agredida pela GMC de Diadema

A candidata do partido Unidade Popular (UP) ao governo do estado de São Paulo, Vivian Mendes, diz ter sido agredida pela Guarda Civil Municipal (GCM) de Diadema, na Grande São Paulo, durante repressão a um ato por moradia popular no paço municipal. A prefeitura alega, sem provas, que pessoas de um movimento ligado à UP depredaram o prédio.

Após questionamento da coluna, a gestão municipal enviou seis vídeos, que mostram os guardas tentando tirar os manifestantes do paço municipal de forma truculenta e os manifestantes reclamando exatamente disso. Nenhuma das gravações mostra atos de vandalismo.

A confusão ocorreu após moradores da ocupação Palestina Livre e militantes da UP protestarem, dentro do paço, contra uma ordem judicial de desocupação de um antigo hospital onde eles vivem há cerca de um ano. Eles dizem que o paço é um espaço público, sem catracas, e que apenas entraram lá como qualquer cidadão poderia fazer.

A versão da prefeitura de Diadema é que o grupo “invadiu” uma área restrita do prédio, que fica fechada por uma porta de vidro, seguindo em direção ao gabinete do prefeito Taka Yamachi (MDB), que havia viajado para fora do estado. Já a UP diz que, enquanto as partes tentavam organizar uma mesa de negociação, a GCM chegou ao local utilizando gás de pimenta, impedindo o diálogo e colocando manifestantes e servidores em uma câmara de gás.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

“Os manifestantes reforçam que estiveram o tempo todo no hall de entrada, em uma conversa de ambas as partes para selecionar os representantes para uma mesa de negociação. Durante a conversa, a GCM entrou já agredindo os presentes com cassetetes e spray de pimenta. A agressão resultou em um vidros quebrados pela própria GCM“, diz o partido.

Confusão teve vidro quebrado

A prefeitura alega que o grupo entrou naquela área restrita do paço “de forma dissimulada, quando um dos integrantes solicitou uso do banheiro interno e, na sequência, franqueou o acesso aos demais manifestantes”.

“No local, o grupo promoveu tumulto, vandalizou a estrutura interna e quebrou vidros. A GCM atuou prontamente para conter a invasão e retirar os ocupantes, sendo o prédio posteriormente isolado para resguardar os servidores e viabilizar os trabalhos da perícia técnica”, afirmou a gestão municipal.

Em depoimento à polícia, um guarda municipal disse que foi empurrado por um manifestante e acabou lançado contra uma divisória de vidro, que se quebrou com o impacto. A imagem desse vidro quebrado tem sido utilizada por aliados de Yamachi como demonstração de que os manifestantes eram “vândalos”.

Candidata a governadora diz ter sido agredida

Os manifestantes, de qualquer forma, foram expulsos do paço pela GCM e, já do lado de fora, vídeos produzidos pelos dois lados mostram membros da guarda municipal agredindo integrantes do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas) na tentativa de retirá-los do paço e usando spray de pimenta.

Vivian Mendes, candidata ao governo do estado pela UP, diz que acompanhou a manifestação e que também foi agredida. “A GCM já chegou jogando gás de pimenta em nós que estávamos do lado de fora. Quando a gente pedia para eles irem com calma, que tinha mulheres e crianças dentro, eles agrediram a gente com empurrões e gás de pimenta“, disse à coluna.

O relato dela é que os manifestantes foram retirados do paço a socos e empurrões. “A GCM agiu com muita violência e sem tentativa de diálogo. Os manifestantes entraram, estavam absolutamente pacíficos, puxando palavras de ordem e vendo entre eles quem seria da comissão para ser recebido pelo servidor da prefeitura. A GCM chegou no meio da negociação jogando gás de pimenta no meio da manifestação. Foi uma violência desproporcional e que impediu o diálogo”, afirma Vivian.

Para a candidata ao governo de São Paulo, o órgão municipal tinha como objetivo claro “criminalizar o movimento”. “Eles saíram em busca de pessoas para responsabilizar”, alega.

Polícia civil indicia manifestantes

Dois manifestantes foram presos ao fim da manifestação: um do MLB e um militante do partido. Eles foram indiciadas por lesão corporal, resistência à prisão e violação do patrimônio público, a partir de relatos dos guardas municipais, que afirmaram, em uníssono, que um deles tentou tomar um spray de pimenta de um GCM e outro o empurrou contra um vidro, o que o fez se ferir.

O boletim de ocorrência, compartilhado pela prefeitura de Diadema, afirma que os vídeos apresentados mostram os acusados “em postura aparentemente pacífica e sem a prática de atos de violência” e pondera que “tais registros, por si sós, não afastam nem desnaturam os demais elementos informativos e probatórios já carreados aos autos, notadamente os relatos dos agentes públicos que presenciaram diretamente os acontecimentos”.

Mesmo assim, a partir dos relatos dos guardas municipais, os dois militantes foram presos em flagrante. Depois, liberados na audiência de custódia.

A polícia civil cita um único caso de violência identificado nos vídeos: um guarda municipal desferindo um soco em um dos acusados. Instada a identificar o agressor e apresentá-lo no distrito policial, a GCM informou que ele mora em outra cidade e havia sido dispensado. Ficou determinado que o guarda seria ouvido no momento oportuno, na condição de investigado.