MPSP denuncia dono da Ultrafarma por pagamento de propina a fiscais
Promotores afirmam que Ultrafarma, empresa de Sidney Oliveira, pode ter ressarcimento indevido de R$ 327 milhões

O empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por pagamento de propina a fiscais da Secretaria da Fazenda de São Paulo.
O nome do empresário aparece em denúncia apresentada na quarta-feira (4/2) contra sete pessoas por um suposto esquema de corrupção envolvendo empresários e ex-auditores fiscais de São Paulo, que foram alvo da Operação Ícaro, deflagrada em agosto de 2025. O caso ficou conhecido como “máfia do ICMS“.

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Ver todasDe acordo com a denúncia, os crimes teriam ocorrido entre 2021 e 2025, quando auditores teriam recebido propina para beneficiar a Ultrafarma em ressarcimento de créditos de ICMS.
“De forma preliminar, constatou-se que a empresa Ultrafarma poderá ter sido beneficiada com o ressarcimento indevido de cerca de R$ 327.196.477,52”, afirma a denúncia.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“King”
Os promotores afirmaram que Sidney Oliveira, com assistência de sua secretária Jane Gonçalves do Nascimento, pagou vantagens aos fiscais Artur Gomes da Silva Neto e Alberto Toshio Murakami.
Segundo a Promotoria, o pagamento ocorria em dinheiro vivo. Mensagens entre Sidney uma funcionária indicam encontros para a entrega dos valores.
Nos diálogos, de acordo com o MPSP, Oliveira e a funcionária costumavam se referir a Alberto e Artur como “amigo”. No caso de Artur, ele também seria alguém a quem Sidney se referia como “king [rei, em inglês]”.
Os promotores analisaram dados do celular de Artur e constataram que, nas datas de recolhimento de propina mencionados nas mensagens, ele se dirigia até o escritório da Ultrafalarma, no bairro Planalto Paulista (zona sul da capital).
No dia 16 de fevereiro de 2024, por exemplo, Jane teria dito a Sidney que o “amigo”, neste caso Artur, “acabou de pegar 250”. Segundo os promotores, seriam R$ 250 mil em espécie.
Em agosto, na época da deflagração da operação, Oliveira chegou a ser preso. No dia 16 daquele mês, ele e outro empresário presos na operação, Mário Otávio Gomes, diretor da Fast Shop, foram soltos.
A Ultrafarma afirmou na época da prisão que está colaborando com a investigação e que as informações veiculadas “serão devidamente esclarecidas no decorrer do processo e demonstrará a inocência no curso da instrução”. A reportagem não localizou a defesa do empresário nesta quinta (5/2. O espaço está aberto.
O ex-auditor Artur, que foi demitido, segue preso. Ele chegou a negociar uma delação premiada, mas o acordo não avançou.
Alberto está foragido e promotores pediram a inclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol. A suspeita é que ele esteja nos Estados Unidos.









