Morte em Interlagos: depoimentos-chave serão repetidos nesta 6ª
Policiais do DHPP ouvem pelo segundo dia seguido coordenadores da equipe de segurança que atuou em evento em Interlagos no dia do crime
atualizado
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Policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) que investigam a morte do empresário Adalberto Amarilio Júnior, cujo corpo foi encontrado em 3 de junho dentro de um buraco em uma área em obras próximo ao Autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo, vão ouvir novamente nesta sexta-feira (27/6) representantes e coordenadores da equipe se segurança que atuava no local no dia do crime.
Os mesmos representantes já tinham sido ouvidos nessa quinta-feira (26/5). Segundo a polícia, ainda não há suspeitos do crime e não há, por enquanto, nenhum pedido de prisão. No entanto, os novos depoimentos podem ser a chave para esclarecer alguns pontos da investigação — o que pode levar a polícia a identificar possíveis suspeitos. O Metrópoles obteve a informação junto a fontes ligadas à investigação do caso.
A causa da morte de Adalberto foi asfixia. Os exames apontaram sinais de hipoxemia, indicando falta de oxigênio no sangue, com áreas dos pulmões excessivamente cheias de ar (hiperinsuflação alveolar), presença de líquido tanto entre os tecidos quanto dentro dos alvéolos (edema intersticial e intra-alveolar) e pequenas hemorragias recentes, além de congestão pulmonar, que dificulta a circulação do sangue.
Além disso, a análise dos laudos mostra que foram encontrados indícios de broncoaspiração de conteúdo da própria boca — como saliva ou secreções — em vias respiratórias menores, sugerindo que a vítima aspirou esse material antes de morrer. Não foram detectadas substâncias externas nas vias aéreas.
A divulgação da análise médica reforça a suspeita de que Adalberto pode ter sido morto por um segurança que atuava no evento do Autódromo de Interlagos, onde o empresário estava com um amigo. Conforme mostrado pelo Metrópoles, um dos seguranças poderia ter aplicado um mata-leão na vítima, durante um possível confronto.
Adalberto desapareceu no dia 30 de maio, após não retornar de um evento de motos em Interlagos. Quatro dias depois, em 3 de junho, o corpo foi encontrado em um buraco, numa área de obras dentro no autódromo.
Na semana que encontraram o corpo, a diretora do DHPP, Ivalda Aleixo, já acreditava que o empresário não teria caído no buraco e sim posto ali, já inconsciente. Além disso, o fato de Adalberto ter sido encontrado sem calças, sem os tênis e sem a câmera acoplada no capacete também levantou suspeitas.
À época, os investigadores também encontraram a vítima sem ferimentos aparentes, apenas com marcas no pescoço, que, segundo disse Ivalda Aleixo na ocasião, foram causadas pelo atrito com a fivela do capacete que o empresário usava.
Linhas de investigação
A polícia acredita que há mais de um indivíduo envolvido na morte do empresário. O amigo dele, Rafael Aliste, última pessoa a vê-lo com vida, chegou a ser considerado suspeito, mas a hipótese foi descartada após ele prestar dois depoimentos e apresentar um álibi. Agora, os investigadores apuram se Adalberto foi vítima de seguranças do autódromo.
Laudos apontam que o empresário morreu por asfixia, o que alterou a natureza do inquérito para homicídio. No entanto, a polícia ainda não sabe dizer como o crime ocorreu. Por essa razão, há duas possibilidades em investigação: morte por constrição torácica (provocada por pressão no tórax) ou asfixia resultante de pressão no pescoço.
Além disso, um laudo de DNA apontou que as manchas de sangue presentes em carro são do próprio empresário e de uma mulher, ainda não identificada.
Desaparecimento do empresário
- Adalberto desapareceu após não retornar de um evento de moto no Autódromo de Interlagos. Ele estava com um amigo.
- A esposa do empresário afirmou à polícia ter recebido uma mensagem de Adalberto, por volta das 20h, dizendo que iria ver uma corrida de motocross e seguiria para casa posteriormente.
- Rafael Aliste, amigo de Adalberto, contou às autoridades que curtiu o evento com o empresário normalmente, participaram de algumas corridas de moto, beberam bebidas alcoólicas e se despediram por volta das 21h.
- O carro do empresário estava estacionado no Kartódromo de Interlagos. O veículo, que tinha manchas de sangue no interior, foi apreendido pela polícia.
- O corpo de Adalberto foi encontrado em 3 de junho dentro de um buraco de obra.
Quem era Adalberto
Adalberto Júnior era dono da rede Óticas Angela, que tem unidades em Osasco e Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo.
Ele era casado com Fernanda Dândalo. Nas redes sociais, a mulher publicou fotos do casal em viagens internacionais, como Paris e Roma.
Adalberto também gostava de passear de moto, hobby que era dividido com a companheira. Na última publicação do casal, Fernanda aparece ao lado do empresário, em frente a uma moto, com a legenda “motoqueiros selvagens”.























