PCC: Marcola e familiares são alvo de operação que prendeu Deolane
Influenciadora Deolane Bezerra é acusada de envolvimento com o PCC e foi presa na manhã desta quinta (21/5) em condomínio de luxo em SP
atualizado
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A operação que prendeu, na manhã desta quinta-feira (21/5), em São Paulo, a influenciadora digital Deolane Bezerra, também tem como alvos Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como principal líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), o irmão dele, Alejandro Camacho, e dois sobrinhos. Marcola e o irmão já cumprem pena presos pelos crimes de associação para o tráfico de drogas e formação de quadrilha.
Além deles, foi preso Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro do grupo.
Deolane, que foi detida em casa, em um condomínio de luxo (foto em destaque) em Barueri, na região metropolitana, é suspeita de envolvimento, a partir da lavagem de dinheiro, com o PCC.
Batizada de Operação Vérnix, a ação é a terceira fase de uma investigação que começou em 2019. Na ocasião, policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime organizado e possíveis ataques contra agentes públicos.
Após a descoberta, a Polícia Civil achou um trecho que citava uma “mulher da transportadora”, que teria feito um levantamento de endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques da facção.
A investigação levou a uma transportadora em Presidente Venceslau, interior de São Paulo, posteriormente reconhecida judicialmente como instrumento utilizado pelo crime organizado para lavagem de dinheiro, e deu origem à segunda fase da operação, batizada de Lado a Lado. Essa etapa revelou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC.
Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam um celular e analisaram mais trocas de mensagens de pessoas ligadas à facção. O conteúdo também revelou indícios de repasses financeiros à Deolane Bezerra e apontou estreitos vínculos pessoais e comerciais da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.
Deolane, segundo os investigadores, passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com o comando do PCC. Os levantamentos apontaram recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição de bens de alto padrão. Para os investigadores, a projeção pública, a atividade empresarial da transportadora e a movimentação patrimonial dos envolvidos eram utilizadas para camuflar o esquema e dificultar a origem ilícita dos recursos.
A quebra de sigilos revelou um alto fluxo de dinheiro sem lastro compatível, além de movimentações bancárias atípicas, contas utilizadas para passagem de valores e operações com empresas sem capacidade financeira aparente.
Na terceira fase da investigação, com a operação deflagrada nesta quinta-feira (21/5), as autoridades buscam descortinar um esquema mais amplo de lavagem de capitais, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras. Foram decretadas seis prisões preventivas, bloqueios de valores superiores a R$ 327 milhões, além da apreensão de 17 veículos, incluindo modelos de luxo.











