“Marcas horríveis”: jovem negro fala após 8 meses preso injustamente

Pablo Santos Silva, de 20 anos, foi preso por um crime que não cometeu. Ele contou que a experiência deixou marcas que não serão esquecidas

atualizado

metropoles.com

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Pablo Santos Silva, de 20 anos, ficou oito meses preso injustamente, após ser condenado por roubo à mão armada e corrupção de menores em Praia Grande, litoral sul de São Paulo. Ao Metrópoles, o jovem afirmou que o período detido deixou “marcas horríveis”.

O jovem, que trabalhava como operador de empilhadeira, afirmou que ficou “perplexo” com o que viveu dentro do sistema carcerário.

“Ver o sofrimento que é o dia a dia lá dentro. Ver sua mãe num dia de visita passando por toda humilhação foi uma coisa que me deixou perplexo. Não tem como você acreditar numa coisa dessa”, desabafou.

Pablo foi preso no dia 26 de outubro de 2024, acusado de envolvimento no roubo de um casal na Avenida Castelo Branco. Ele teria sido reconhecido por uma foto enviada por WhatsApp pela Guarda Municipal às vítimas. O jovem foi solto oito meses depois, após seu advogado, o criminalista Renan Lourenço, conseguir provar que ele não estava no local do crime no momento.

Este mês, a Justiça condenou o estado de São Paulo ao pagamento de mais de R$ 57 mil de indenização a Pablo. O juiz Enoque Cartaxo de Souza acatou os pedidos da defesa do jovem e estabeleceu o pagamento de R$ 45 mil por danos morais, levando em conta os meses em que Pablo ficou preso, a interrupção do jovem no mercado de trabalho e a exposição pública do caso, e R$ 12.416 por danos materiais, e auxílio-reclusão, considerando que o jovem não recebeu o benefício enquanto esteve preso e deixou de ganhar salários nesse período.

Ao Metrópoles, o jovem afirmou que pretende usar o dinheiro para investir em um curso de operador de empilhadeira. Ele foi demitido do trabalho por causa da condenação.

O juiz alegou que a inocência de Pablo foi reconhecida de forma unânime pelo Tribunal de Justiça, tendo o álibi comprovado por registros de câmeras, comprovante de Pix, fotografias geolocalizadas e testemunhos.

O juiz ainda destacou que não havia uma situação de flagrante que autorizasse o encaminhamento do jovem à delegacia no dia do ocorrido. Além disso, afirmou que a prisão teve “vícios estruturais” que contaminaram o processo.


Relembre o caso

  • Pablo Santos Silva e outro adolescente foram detidos no dia 26 de outubro de 2024, no bairro Antártica, em Praia Grande, após serem reconhecidos por um casal vítima de roubo a mão armada na região.
  • As vítimas teriam descrito os suspeitos como homens negros usando roupas escuras. Posteriormente, ficou provado que Pablo não estava no local do crime, e sim cortando o cabelo no momento do crime.
  • Porém, o jovem já havia sido condenado em primeira instância e estava preso há oito meses.
  • Segundo o documento apresentado pelo advogado Renan Lourenço, que defende o jovem, tudo foi uma “grande confusão”. “A gente sabe o porquê, esse cunho racial que existe”, afirmou o defensor ao Metrópoles.

 

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