Mãe de menino acorrentado diz ter sido encarcerada e dopada pelo ex
Segundo a mãe do menino encontrado morto acorrentado, o pai da criança a manteve em cárcere e a dopava com remédios durante o relacionamento
atualizado
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Karina de Oliveira Gomes, mãe do menino Kratos Douglas, de 11 anos, encontrado morto acorrentado na casa do pai, na zona leste de São Paulo, contou ao Metrópoles que foi mantida em cárcere e dopada pelo ex-companheiro, pai da criança, na época em que eram casados. Chris Douglas foi preso no dia do crime e confessou que acorrentava o filho “para ele não fugir de casa”.
A mulher relatou ter sofrido uma série de ameaças durante o relacionamento com Chris, o que acabou a deixando “doente mentalmente”. “Eu tive síndrome do pânico, tentei suicídio por duas vezes”, relatou Karina.
Ela buscou tratamento em um psiquiatra, que receitou diversos remédios tarja preta. A medicação era ministrada por Chris Douglas. A mulher suspeita de que o ex-companheiro tenha usado outros remédios ou proporções inadequadas para dopá-la.
“Ele [Chris] me dava um monte de remédios, só que eu não sei se esses remédios eram aqueles que o médico tinha passado ou se era algum outro tipo de medicamento mais forte que me derrubava. Então eu ficava na cama e eu não conseguia acordar. Eu acordava só para tomar um banho e comer um pouquinho”, disse.
A mulher ainda contou que, depois de um tempo, a mãe de Chris, Aparecida Gonçalves, de 81 anos, aproveitou a situação de vulnerabilidade dela para assumir a guarda das duas crianças do casal: Kratos Douglas e uma adolescente de 12 anos, que tem autismo.
Ainda de acordo com Karina, quando as autoridades procuravam Aparecida para perguntar sobre a mãe das crianças, a idosa falava que Karina tinha fugido com outro homem ou até mesmo que a mulher estava presa.
Karina disse que tentou retomar a guarda das crianças, mas afirmou que não conseguiu, visto que Aparecida apresentou um documento de guarda.
Há um um boletim de ocorrência de violência doméstica e ameaça registrado por Karina contra Chris Douglas, na Delegacia da Defesa da Mulher de Bauru, em 2021. À época, a Justiça concedeu medida protetiva para mulher, mas o inquérito foi arquivado, em junho de 2022, por determinação judicial.
Kratos foi velado e enterrado na quarta-feira (13/5), em Bauru, no interior do estado. Durante o velório, a mãe disse ter notado marcas de corrente no rosto da criança. “Tinha uma marca de corrente no rosto e cabeça. Havia pontos e não eram da autopsia. Dava para ver que eram de uma corrente”, afirmou ao Metrópoles.
Entenda o caso
- O caso veio à tona na noite de segunda-feira (11/5), depois que socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) notificaram a PM sobre um garoto morto com suspeita de maus-tratos.
- Policiais encontraram Kratos Douglas caído no chão, próximo da cama de um dos quartos do imóvel, com hematomas nos braços, nas mãos e nas pernas.
- Chris Douglas, pai de Kratos, afirmou, em depoimento aos PMs, que tinha o hábito de acorrentar o filho para impedi-lo de ir à rua. Negou praticar outro tipo de violência ou tortura.
- A vítima não estava matriculada na escola. Além disso, apresentava sinais de desnutrição.
- A madrasta e a avó paterna de Kratos tinham ciência de que o menino era acorrentado.
- Outras duas crianças foram encontradas no local. Uma delas tem diagnóstico de autismo.
- A residência em que o menino foi encontrado morto contava com uma central de monitoramento interno. As imagens serão analisadas pela Polícia Civil.
- Durante a ação realizada pela Polícia Militar (PM), foram apreendidos computadores, notebook, tablet, três celulares e seis cartões de memória.
Prisões dos suspeitos
A avó paterna e a madrasta da criança foram presas na noite dessa quarta-feira (13/5), em Santo André, na região metropolitana de São Paulo. Chris Douglas já havia sido preso no dia do crime.
Aparecida Gonçalves, de 81 anos, e Camilla Barbosa Dantas Felix, de 42, atual esposa de Chris, foram alvo de mandado de prisão temporária. As mulheres foram localizadas na casa de parentes, por volta das 22h30, após saírem do imóvel onde moravam na zona leste devido a manifestações de moradores.
Segundo a Polícia Civil, as presas foram levadas ao 63° Distrito Policial (DP), na Vila Jacuí, onde vão passar por audiência de custódia na manhã desta quinta-feira (14/5).














