Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
São Paulo

Lula critica taxa dos EUA em Ormuz: “Antigamente se chamava pirataria”.

Em evento em SP nesta segunda-feira (13/7), Lula criticou decisão do presidente dos EUA de controlar Estreito de Ormuz com taxa de 20%

13/07/2026 13:20, atualizado 13/07/2026 15:51
Foto: Ricardo Stuckert/Planalto
Lula critica taxa dos EUA em Ormuz: “Antigamente se chamava pirataria”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta segunda-feira (13/7), a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de controlar o Estreito de Ormuz com cobrança de taxa de 20% sobre a carga transportada por navios na rota comercial. O republicano ainda afirmou que pretende reestabelecer o bloqueio naval contra navios ligados ao Irã.

“Ele [Donald Trump] fez um Twitter, Aloizio Mercadante, dizendo que ele vai desobstruir, mas cada navio que ele desobstruir, que ele tirar do Estreito, o dono do petróleo tem que pagar 20% para ele. Isso, antigamente, se chamava pirataria“, afirmou o petista durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.

Lula critica taxa dos EUA em Ormuz: “Antigamente se chamava pirataria” - destaque galeria
4 imagens
Lula visita o Instituto Mauá de Tecnologia
Lula visita o Instituto Mauá de Tecnologia
Lula visita o Instituto Mauá de Tecnologia
Lula visita o Instituto Mauá de Tecnologia
1 de 4

Lula visita o Instituto Mauá de Tecnologia

Foto: Ricardo Stuckert/Planalto
Lula visita o Instituto Mauá de Tecnologia
2 de 4

Lula visita o Instituto Mauá de Tecnologia

Foto: Ricardo Stuckert/Planalto
Lula visita o Instituto Mauá de Tecnologia
3 de 4

Lula visita o Instituto Mauá de Tecnologia

Foto: Ricardo Stuckert/Planalto
Lula visita o Instituto Mauá de Tecnologia
4 de 4

Lula visita o Instituto Mauá de Tecnologia

Foto: Ricardo Stuckert/Planalto

Mais cedo, o republicano havia declarado, em entrevista à emissora Fox, que o Exército dos EUA iria “tomar” o Estreito de Ormuz. O Irã respondeu com ameaças, dizendo que reagirá a qualquer ação no canal “com firmeza” e que atacará qualquer país do Oriente Médio que auxilie os Estados Unidos.

Trump disse, ainda, que os EUA irão reestabelecer “imediatamente” o bloqueio marítimo contra navios ligados ao Irã, o qual permaneceu vigente durante meses, em retaliação ao fechamento do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária do Irã.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP

Os EUA alegam que o bloqueio, realizado nas águas do Mar Arábico, próximo ao Estreito de Ormuz, tem como alvo navios com origem ou destino em portos iranianos, ou que carreguem produtos provenientes do Irã.


Fim da trégua Irã-EUA

  • O Estreito de Ormuz foi fechado para embarcações em 28 de fevereiro pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), após ataques dos EUA e Israel matarem o então líder supremo do país, Ali Khamenei.
  • Em junho, EUA e Irã chegaram a um memorando de entendimento que previa um período de 60 dias de cessar-fogo na guerra para as negociações de um acordo de paz permanente.
  • A recente escalada militar teve início após o presidente Donald Trump declarar, na última quarta-feira (8/7), que está encerrado o memorando de entendimento.
  • O acordo preliminar previa que, nesses 60 dias, o Estreito de Ormuz fosse reaberto gradualmente, sem cobrança de taxas.
  • Os Estados Unidos alegam que a decisão foi tomada após o Irã atacar embarcações comerciais no Estreito de Ormuz.
  • Já o Irã nega as acusações e diz que os Estados Unidos violaram os compromissos assumidos durante as negociações.
  • Os dois países voltaram a trocar ataques desde a semana passada.

“Briga mundial”

Na mesma agenda em São Caetano do Sul, Lula afirmou que o Brasil deveria fazer uma “briga mundial” em defesa do biocombustível brasileiro, e não o presidente Donald Trump.

“Se é verdade que o nosso biocombustível significa essa revolução no mundo da descarbonização da economia, significa que nós vamos ter que fazer uma briga mundial. Em vez de o Trump ficar brigando, a gente é que tem que brigar. Para fazer com que o mundo adote outro modelo da produção de combustível, que não tem que ser o fóssil”, declarou.

O presidente estava acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Luiz Marinho (Trabalho), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Leonardo Barchini (Educação) e Luis Rebelo (Ciência e Tecnologia).

O governo de Donald Trump deve anunciar nos próximos dias a decisão sobre a aplicação de novas tarifas a exportações brasileiras, com base na investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que apura práticas comerciais consideradas desleais. Embora mantenham as negociações, auxiliares do presidente Lula veem pouca possibilidade de reversão do tarifaço.

Segundo Lula, o país precisa ser mais “desaforado” em defesa do biocombustível, fazendo associação com o negacionismo climático de Trump.

“Nós precisamos, então, ser mais desaforados, falar mais grosso, se apresentar em todos os fóruns possíveis, porque essa é uma briga que a gente não só pode ganhar, como a gente deve ganhar. Se o mundo… Veja, o presidente Trump, ele não acredita nessa questão climática. Ele não acredita. Não é a primeira reunião, ele fala em várias reuniões: ‘Eu não acredito que o mundo está com problema, porque o ar americano é limpo, o ar sujo vem de fora’, essas coisas assim. E o que nós precisamos provar é o seguinte: ‘Olha, o Brasil está preparado para dizer ao mundo que, se quiserem arrumar o ar do planeta, o Brasil está disposto a fazer isso, a produzir aço verde, a emitir zero de gás de efeito estufa. Eu estou preparado”, reforçou.