Justiça pede laudo extra de mulher morta durante briga em show punk

Após laudo que aponta cocaína como a provável causa da morte de Helen Cristina Vitai, Justiça pediu exame pericial necroscópico complementar

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O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que seja realizado um exame pericial necroscópico complementar em Helen Cristina Vitai, que morreu aos 43 anos após uma briga entre punks, na Lapa, na zona oeste de São Paulo, no dia 3 de agosto.

A juíza Patrícia Álvares Cruz defendeu que um novo laudo seja realizado após o laudo anterior ter apontado que a vítima sofreu um “infarto agudo do miocárdio por provável uso de cocaína”.

“O fato de eventual laudo necroscópico apontar como causa mortis imediata ou intermediária infarto agudo do miocárdio não indica necessariamente que o quadro médico não tenha sido agravado por diversas lesões que a vítima teria experimentado antes da morte”, disse Cruz em decisão dessa segunda-feira (22/9).

O decreto também pediu que toda a documentação de atendimento médico de Helen na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Lapa seja anexada aos documentos.

Helen Cristina Vitai (imagem de destaque) foi enforcada por outra mulher durante pelo menos seis minutos. As agressões duraram, ao todo, oito minutos. A vítima foi encaminhada a uma unidade de saúde, mas não resistiu.

Em nota enviada ao Metrópoles, a defesa de Graciella Verenich e André Santos Costa Amorim, criticou a medida que classificou como tentativa de “deslegitimar o laudo necroscópico feito pelo IML” e ressaltou que o exame mostrou que a morte não teve relação com a briga entre a vítima e os dois acusados pelo crime.

“Sobre a decisão que deferiu a produção de algumas provas que possuem o objetivo de deslegitimar o laudo necroscópico que foi feito pelo IML que é um dos institutos mais sérios que possuem no Brasil, notou-se que a juíza está substituindo o papel da promotoria, portanto sendo parcial. Vez que a promotoria não pediu essa produção de provas, até porque para se fazer um laudo complementar seguro e idôneo seria prudente determinar a exumação do corpo, e na decisão a juíza se omite em relação a isso. Em relação ao laudo pericial, está comprovado que a causa da morte não tem ligação com a briga. Na verdade, há uma intenção em manter a Graciela e o André presos por tempo maior do que o necessário. A defesa irá adotar as medidas necessárias.”

Laudo anterior

O laudo necroscópico inicial, obtido pelo Metrópoles, apontava que a isquemia do miocárdio de Helen poderia ser decorrente da ingestão da cocaína, que pode levar a alterações cardiovasculares e óbito. Apesar de apontar lesões no corpo da mulher, o exame não relacionou as agressões à morte.

No dia 8 de setembro, Graciella Verenich e André Santos Costa Amorim, suspeitos de matarem Helen durante a briga, foram presos pela Polícia Civil. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a dupla foi detida em Campinas, no interior de São Paulo. Uma terceira pessoa envolvida no crime ainda segue foragida.

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Por meio do advogado Daniel Lellis, a família da vítima disse estar estarrecida com o laudo necroscópico, que “não aponta nem a fratura descrita e nem os diversos hematomas sofridos na face da vítima, após dezenas de socos, tampouco a lesão na região do pescoço decorrente da esganadura”.

“Há uma clara intenção de se descredibilizar a vítima assassinada, ainda que em antagonismo com as provas colhidas em vídeo que demonstram, indene [ileso] de dúvidas, a autoria e a materialidade do fato delitivo. É um profundo desrespeito à memória da vítima e da família, o casuísmo de que a Helen tenha, por si própria, auxiliado a produzir o seu resultado morte”, disse a nota da defesa.

Já a defesa de Graciella e André argumenta que, segundo o laudo, a causa da morte de Helen foi uma overdose e não teve relação com a briga entre as duas mulheres. “Os níveis de cocaína e outras substâncias como álcool estavam elevados em seu sangue. Ademais, no laudo não há qualquer indício de asfixia, traumas ou fraturas que poderiam ter levado Helen à morte”, disse nota enviada pelo escritório Lozano Barranquera, que representa os suspeitos.

A nota também aponta que o laudo necroscópico foi feito por um médico legista do estado, que, portanto, seria idôneo e não teria interesse na causa.

Mulher morre após briga punk

Uma câmera de segurança registrou as cenas de violência. Diversas pessoas presenciaram as agressões, mas ninguém ajudou Helen em momento algum. Um homem chega a afastar quem está próximo para que as duas continuassem a brigar.

As cenas são fortes, e o Metrópoles selecionou alguns trechos do conteúdo.

Veja:

O caso está sendo investigado por meio de inquérito policial instaurado no 7º Distrito Policial (Lapa).


Vítima estava em show punk momentos antes

  • Helen estava no evento 200 Anos de Punk, no Tendal da Lapa, na Rua Guaicurus, promovido pela Prefeitura de São Paulo.
  • Não há informações sobre como ou em que momento a briga entre a vítima e a agressora se iniciou.
  • Nas redes sociais, adeptos do estilo de contracultura condenam a postura das testemunhas, que não prestaram apoio a Helen, e também aos seguranças do evento, que não apartaram a briga.
  • A reportagem contatou o Tendal da Lapa para questionar sobre as denúncias de negligência, mas o local direcionou a demanda à Prefeitura de São Paulo, que não retornou o pedido até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.

Quem era a vítima

Helen Cristina Vitai tinha uma filha e gostava de falar sobre o estilo musical nas redes sociais. Ela, que sempre postava informações relacionadas a eventos de punk rock e frequentava boa parte deles, foi enforcada por outra mulher durante pelo menos 6 minutos na saída de um festival no Tendal da Lapa.

Helen foi enterrada no dia 6 de agosto no Cemitério Vila Formosa, na zona leste da capital.

Coletivo responsável por evento se manifestou

Em nota publicada nas redes sociais, o coletivo 200 Anos de Punk lamentou o ocorrido. “O evento do domingo foi elaborado e desenvolvido por meses, feito de punks para os punks, e rolou na tranquilidade. Estávamos todos extasiados de ver todas as gerações do punk reunidas e ter conseguido concluir o evento com sucesso e sem maiores ocorrências”, dsse o texto.

“Até que, na segunda pela manhã, nos chegou a notícia de que houve uma briga na rua, após o término do evento, que acabou culminando com a morte da punk Helen Vitai, que era mãe e deixa uma filha pequena”, continuou a nota.

O coletivo, formado pelas bandas que tocaram no evento, repudiou as agressões. “Desde o início, o movimento punk, infelizmente, é marcado por episódios de violência, e isso só nos afasta uns dos outros, fecha espaços e enfraquece a nossa cena”, afirmaram.

O 200 Anos de Punk prestou pêsames aos familiares e amigos de Helen, e cobrou justiça. “Seguiremos tentando construir, somar e passar nossa visão! Paz entre nós, guerra aos senhores!”, finalizou o texto.

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