Justiça determina reintegração imediata de área no Campo de Marte

Justiça de São Paulo afirma que área ocupada por clube na zona norte é irregular. Grêmio Esportivo aponta risco de “efeitos irreversíveis”

atualizado

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Reprodução/Clube Cruz da Esperança
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1 de 1 justiça área reintegração campo de marte sp - Foto: Reprodução/Clube Cruz da Esperança

A Justiça de São Paulo autorizou, nessa quinta-feira (26/3), a reintegração imediata de uma área de quase 15 mil m² ocupada pelo Grêmio Esportivo e Recreativo Cruz da Esperança, no Campo de Marte, região da Casa Verde, na zona norte de São Paulo.

De acordo com a decisão, proferida pelo juiz Bruno Santos Montenegro, da 9ª Vara da Fazenda Pública, o local foi ocupado de maneira irregular e a entidade não possui qualquer direito sobre o terreno, destacando que “a ocupação é precária e não gera posse legítima”.

A reintegração também se baseia no fato de que a permanência do clube impediria o projeto do futuro Parque Campo de Marte, criado por um decreto em 2024 com objetivo de ampliar a oferta de lazer, esporte e convivência em uma área densamente urbanizada.

Por conta do modelo de concessão, a área precisa ser entregue livre para o início das obras. Além da desocupação do local, a decisão autoriza a demolição das construções, que são consideradas irregulares pela gestão municipal, e uso da força policial se necessário.

A Prefeitura de São Paulo afirma que, durante todo o processo, o clube foi comunicado do possível despejo, mas teria “recusado o recebimento de comunicações formais e ignorado tentativas de soluções administrativas”, além de se recusar a aderir ao acordo firmado com outras entidades.

A defesa do clube afirmou que já recorreu da decisão, sob o argumento de que em nenhum momento a associação foi escutada e que a desocupação pode gerar “efeitos irreversíveis”. Uma das consequências seria o fim de atividades como o Samba do Cruz, que acontece há mais de 60 anos.

“O Cruz da Esperança não é só um campo. Fundado em 1958, é um espaço histórico de samba, futebol de várzea e cultura popular na zona norte de SP. Tudo foi construído pela comunidade com esforço coletivo, luta e pertencimento”, afirma a entidade em nota.

A Justiça estabeleceu prazo de 60 dias para a desocupação do local. No último dia 12, a prefeitura cumpriu a reintengração da sede do Aliança da Casa Verde, um dos seis campos de futebol de várzea também localizados no Campo de Marte.

Clube com mais de 60 anos de história

O Grêmio Recreativo Esportivo Cruz da Esperança foi fundado em 12 de outobro de 1958, como um clube de futebol de várzea, segundo o Museu do Futebol. Apesar de não atuar em grandes competições amadoras da cidade, o Cruz é conhecido pela tradição em eventos sociais, unindo samba e futebol.

O time foi fundado por um grupo de taxistas negros e, para diversos pesquisadores, o local é conhecido como “pequena África paulista”, por conta da presença histórica da população negra ali, em especial no século 20.

Despejos no Campo de Marte

No dia 12 de março, a Prefeitura de São Paulo pôs abaixo a área ocupada pela sede do Aliança da Casa Verde, um dos seis campos de futebol de várzea localizado no futuro Parque. O terreno, com mais de 380 mil m², será entregue à Concessionária Campo de Marte, que venceu o edital de concessão finalizado em 2025.

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Placa do Aliança, clube de várzea demolido em São Paulo
Soraia Marques vê demolição da própria casa e da sede do Aliança, clube de várzea que ela administrava no Campo de Marte
Soraia Marques vê demolição da própria casa e da sede do Aliança, clube de várzea que ela administrava no Campo de Marte
Soraia Marques vê demolição da própria casa e da sede do Aliança, clube de várzea que ela administrava no Campo de Marte
Soraia Marques vê demolição da própria casa e da sede do Aliança, clube de várzea que ela administrava no Campo de Marte
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Soraia Marques vê demolição da própria casa e da sede do Aliança, clube de várzea que ela administrava no Campo de Marte

Diego Viñas/VarzeaPédia
Placa do Aliança, clube de várzea demolido em São Paulo
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Placa do Aliança, clube de várzea demolido em São Paulo

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Soraia Marques vê demolição da própria casa e da sede do Aliança, clube de várzea que ela administrava no Campo de Marte

Diego Viñas/VarzeaPédia

O Aliança foi o último clube a chegar no local, em 2002 e não mantinha qualquer tipo de contrato com a antiga dona do espaço, a Aeronáutica, e nunca entrou na associação com os vizinhos.

Notificação da Secretaria do Verde e Meio Ambiente

Em 2025, a Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA) notificou a associação dos clubes do Campo de Marte para que desocupassem os centros de convivência anexos aos campos de futebol de várzea com o argumento de que a área precisava ser entregue à iniciativa privada “livre e desimpedida”.

A SVMA, que passou a tratar as ocupações como irregulares, entrou em negociação para tentar atender às demandas. Os clubes deveriam desocupar a área, o terreno seria entregue e a concessionária responsável autorizaria o retorno deles posteriormente.

O acordo previa que as equipes permaneceriam no local até a empresa entregar os novos campos, em até no máximo 18 meses, de acordo com o edital. Quatro dos cinco clubes da associação concordaram: Pitangueira, Baruel, Sade e Paulista. O Cruz não se envolveu.

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