Justiça mantém condenação de civis por furto de armas do Exército
Superior Tribunal Militar manteve condenação de dois civis acusados de envolvimento no furto de armas do Arsenal de Guerra de São Paulo
atualizado
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O Superior Tribunal Militar (STM) manteve, por unanimidade, a condenação de dois civis acusados de envolvimento no furto de armas do Arsenal de Guerra de São Paulo. O recurso de apelação foi negado pela Justiça.
A Corte manteve a sentença de 18 anos de prisão por comércio ilegal de arma de fogo de uso proibido ou restrito para Altoniel Salvador Almeida, conhecido como “Atani”, e Cláudio Aldo Ferreira, conhecido como “Véio”.
O crime aconteceu em setembro de 2023. Na ocasião, foram subtraídas 13 metralhadoras calibre .50, oito metralhadoras calibre 7,62 e um fuzil. As investigações apontaram que militares envolvidos no esquema aproveitaram o feriado da Independência para retirar o material bélico das instalações militares.
Segundo a denúncia do Ministério Público Militar (MPM), Cláudio participou da conferência e da embalagem das armas furtadas para posterior envio a facções criminosas. A acusação foi amparada por laudo de perícia fonética, que identificou a voz dele em gravações nas quais o armamento era exibido, além de movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Já Altoniel foi apontado como intermediário na venda de quatro metralhadoras calibre .50. Conforme apurado, ele teria fornecido o contato de um comprador clandestino localizado na região de fronteira entre o Mato Grosso do Sul e o Paraguai, recebendo R$ 10 mil pela intermediação.
Armas furtadas
- Em 2024, a Justiça Militar tornou réus oito pessoas por envolvimento no furto de 21 metralhadoras do Arsenal de Guerra de São Paulo — entre elas, o ex-diretor da unidade, tenente-coronel Rivelino Barata de Sousa Batista. Foram aceitas denúncias contra quatro militares e quatro civis.
- As denúncias separam os réus que tiveram participação direta daqueles com atuação indireta no crime. Entre os diretamente envolvidos estão os cabos Vagner da Silva Tandu, de 23 anos, e Felipe Ferreira Barbosa, que são amigos. Os dois tiveram a prisão decretada.
- A Justiça considerou que o tenente-coronel Batista e um primeiro-tenente tiveram participação indireta, por inobservância de lei, regulamento ou instrução. Quatro civis foram denunciados por receptação — pelo menos um deles é ligado ao Comando Vermelho (CV) e atuou no sentido de oferecer o armamento à facção criminosa.
- De acordo com as investigações, o desvio do armamento de guerra ocorreu entre os dias 5 e 8 de setembro, mas só foi percebido mais de um mês depois, no dia 10 de outubro, durante uma inspeção no quartel.
- A partir daí, o inquérito policial militar foi aberto. Três dias depois, o caso veio a público em reportagem do Metrópoles e ganhou repercussão nacional.
- O inquérito apontou que Vagner Tandu, que era motorista do coronel Batista, então comandante do Arsenal, tirou o armamento do quartel na caminhonete do oficial. Ele teve a ajuda do cabo Felipe Barbosa, que teria apoiado a desligar as câmeras, desativar alarmes e romper o lacre do depósito em que estava o armamento.
- Depois que as armas foram retiradas, Felipe Costa teria restabelecido o sistema de segurança e colocado um novo lacre na porta do depósito. As armas, então, teriam sido negociadas com o CV por meio dos quatro civis denunciados. A facção criminosa, no entanto, não se interessou pelas metralhadoras.











