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São Paulo

Justiça aprova recuperação extrajudicial da Raízen. Veja o que muda

Plano da Raízen para reestruturar dívida de R$ 61,4 bilhões prevê conversão de créditos em ações, novos títulos e desinvestimentos

30/07/2026 19:50
Reprodução
Raízen

A Justiça de São Paulo homologou nesta quinta-feira (30/7) o plano de recuperação extrajudicial da Raízen, dando sinal verde para a reestruturação financeira da companhia, que acumula uma dívida de R$ 61,4 bilhões. A proposta recebeu adesão de 81,6% dos credores e agora poderá ser implementada.

O plano prevê uma combinação de medidas para reduzir o endividamento da empresa, incluindo a conversão de parte das dívidas em ações, emissão de novos títulos e venda de ativos. A expectativa é que a reestruturação alivie a pressão sobre o caixa da companhia nos próximos anos.

Pelas regras aprovadas, cerca de 45% dos créditos quirografários serão convertidos em participação acionária da Raízen, ao preço de R$ 0,25 por ação. Os 55% restantes serão transformados em novos instrumentos de dívida, por meio de refinanciamento, substituição ou aditamento dos contratos existentes.

Os acionistas de referência também participarão da capitalização da empresa. A Shell se comprometeu a aportar R$ 3,5 bilhões, enquanto a Cosan, do empresário Rubens Ometto, estuda uma injeção adicional de R$ 500 milhões.

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Além da reestruturação financeira, a Raízen anunciou um programa de desinvestimentos e pretende separar a operação de distribuição de combustíveis do negócio de produção de etanol e cana-de-açúcar. As atividades foram reunidas em 2011, quando Shell e Cosan criaram a companhia.

Em comunicado ao mercado, a empresa afirmou que a homologação “reforça a confiança dos stakeholders na solução consensual e estruturante do endividamento do Grupo Raízen”, conciliando as necessidades de liquidez de curto prazo com uma estrutura de capital mais sustentável.

A companhia vive uma das maiores reestruturações corporativas do país. Nos últimos meses, a gestora IG4 chegou a negociar uma participação no processo por meio da compra de créditos da empresa, embora ainda não tenha anunciado oficialmente uma entrada na operação.

A necessidade de renegociação foi impulsionada pela deterioração dos resultados financeiros. No quarto trimestre da safra 2025/26, encerrado em março, a Raízen registrou prejuízo de R$ 7,3 bilhões, quase três vezes superior ao apurado um ano antes. No acumulado da safra, as perdas chegaram a R$ 27,1 bilhões.

Ao fim do período, a dívida líquida da companhia somava R$ 58,2 bilhões, alta de quase 70% na comparação anual. Controlada pela Shell e pela Cosan, a Raízen atribui parte das dificuldades ao ciclo acelerado de investimentos realizado nos últimos anos, incluindo a expansão da capacidade produtiva e projetos que não tiveram o retorno esperado, como a entrada no varejo.