Juiz rejeita ação de ex-chefe do Deic contra jornalistas do Metrópoles
Justiça julgou improcedente ação do delegado Fábio Caipira contra jornalistas do Metrópoles, após reportagens sobre o patrimônio dele
atualizado
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O juiz Fernando Antonio Tasso, da 15ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), julgou improcedente uma ação de danos morais movida pelo delegado Fábio Pinheiro Lopes, conhecido como Fábio Caipira (foto em destaque), contra jornalistas do Metrópoles, por causa da publicação de uma reportagem sobre o patrimônio dele.
Ex-diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil paulista, Caipira também havia pedido para o mesmo órgão abrir inquérito para investigar os repórteres Luiz Vassallo e Alfredo Henrique, autores da reportagem, por “suposta prática de crime contra a honra”.
Na sentença, publicada no fim de setembro, o juiz rejeita os pedidos do delegado, de indenização no valor de R$ 30 mil e de remoção das reportagens, e afirma que os jornalistas do Metrópoles “tiveram o cuidado de consignar, no corpo das próprias reportagens, elementos que atenuam a narrativa e resguardam o princípio da presunção de inocência”.
“A atividade jornalística investigativa, ao perscrutar a vida de agentes públicos, caminha sobre uma linha tênue que separa o dever de informar do abuso de direito. Contudo, no presente caso, não se vislumbra a configuração do dolo ou da culpa grave”, afirma o juiz Fernando Tasso.
Além da ação julgada improcedente, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou ao Metrópoles que o inquérito policial aberto pelo Deic a pedido de Fábio Caipira “foi relatado à Justiça em 3 de setembro, sem indiciamentos” — ou seja, a polícia concluiu que não houve crime contra a honra nas reportagens.
Quem é Fábio Caipira
Fábio Caipira foi afastado do cargo de diretor do Deic em dezembro de 2024, após ter sido uma das autoridades acusadas de receber propina de Vinícius Gritzbach, o delator do Primeiro Comando da Capital (PCC) assassinado no Aeroporto de Guarulhos, em novembro de 2024. O inquérito sobre este caso foi arquivado em março deste ano, por falta de provas.
Em março deste ano, o Metrópoles mostrou que o ex-diretor do Deic blindou cerca de R$ 10 milhões em patrimônio, como fazendas, usando uma empresa de sociedade anônima, após ter sido citado por Gritzbach em sua delação premiada.
Caipira foi apontado pelo delator, em depoimento prestado em setembro de 2024, como um dos delegados para quem teria pago propina por meio de um advogado que se apresentou como intermediário para livrá-lo da investigação sobre a morte de Anselmo Santa Fausta, o Cara Preta, ligado ao PCC.
Em entrevista coletiva concedida em dezembro de 2024, o delegado Fábio Caipira disse que é inocente e que foi injustiçado com o afastamento determinado pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).
















