Irmão de PM morto no Guarujá está em estado grave após acidente com viatura
Luigi Angerami é irmão de Luca, que foi sequestrado e morto por criminosos do PCC, em abril de 2024, no Guarujá, litoral sul de São Paulo
atualizado
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Um grave acidente deixou um policial militar morto e outros dois feridos após a viatura em que estavam capotar durante perseguição a uma moto, nessa segunda-feira (16/3), em Taubaté, interior de São Paulo. Um dos policiais feridos é o soldado Luigi Romano Angerami, de 22 anos, irmão do soldado Luca Romano Angerami, sequestrado e morto em 2024, pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), na Vila Baiana, no Guarujá, litoral sul.
O cabo Fábio Vaz dos Santos, que estava dirigindo o veículo, morreu durante o acidente. Além de Luigi, o tenente Alef Augusto Santos de Moura também ficou ferido, mas o estado de saúde não foi divulgado.
Segundo a Polícia Militar, Luigi segue hospitalizado em estado grave. Ele passou por cirurgia.
A corporação informou que os policiais perseguiam uma moto antes do acidente. A colisão contra outro carro foi na Rua José Carlos Marcondes, no Parque Ipanema. A viatura bateu contra o veículo e capotou. A moto alvo da perseguição fugiu – a polícia tenta identificar quem conduzia a moto, bem como a placa, para eventual punição futura.
A morte do PM Luca Angerami
Luca foi sequestrado, julgado e condenado pelo chamado “tribunal do crime” do Primeiro Comando da Capital (PCC) em abril de 2024, no Guarujá, litoral paulista. Ele foi morto com 18 tiros. Um homem, João Marcus Galdino da Silva, conhecido como “Trolho”, foi identificado como mandante do crime e preso em fevereiro de 2025.
O corpo do policial militar foi encontrado apenas em 20 de maio, em uma cova rasa de um cemitério clandestino do Guarujá. Luca estava enrolado em uma lona com as mãos amarradas, tinha perfurações pelo corpo e um cadarço em volta do pescoço. Seu rosto estava desfigurado.
Uma tatuagem no braço esquerdo teria ajudado na identificação do PM.
O PM havia sido visto pela última vez em uma biqueira, como são chamados os pontos de venda de drogas, na madrugada de 14 de abril. Antes, ele havia passado a tarde com amigos na Praia do Tombo, ido a um bar de sinuca e depois a uma adega na Vila Santo Antônio.
A Polícia Civil acredita que Luca foi sequestrado na saída da adega. Por sua vez, os investigados dizem que o soldado chegou por conta própria ao ponto de venda de droga, perto do qual foi flagrado por uma câmera andando ao lado de um suspeito, e só foi arrebatado no local.
Segundo um dos depoimentos, de Carlos Vinícius Santos da Silva, o Malvadão, o PM parou o seu carro, um Toyota Corolla, um pouco à frente da biqueira, localizada na Rua das Magnólias, e logo foi abordado pelo traficante responsável pelo ponto. Esse criminoso seria Caick Santos Riachão da Silva.
Após conversar de 5 a 10 minutos com o PM, Caick teria voltado sozinho para a biqueira. Em seguida, o soldado foi abordado por outro suposto frequentador do local, identificado como Danilo Jefferson Corrales Lins Andrade, o Caga, que o convenceu a descer e ir até o ponto de venda de drogas.
Ao chegar à biqueira, Luca e Caga teriam sido questionados pelo traficante, que àquela altura já sabia que se tratava de um PM. “E ai, qual é, Cara, tá trazendo polícia?”, teria dito Caick, segundo depôs. Foi quando o soldado levantou a camisa para mostrar que estava desarmado.
Outros criminosos teriam sido avisados da presença do policial e chegaram ao local. Entre eles, estavam João Victor de Souza Miranda Santos, o BH, João Marcus Galdino da Silva, o Trolho, e Rafael da Silva Santos, o Cebola, apontados como “disciplinas” do PCC na Vila Santo Antônio.
Diferentes depoimentos também citam a presença de Fábio Barbosa da Silva Júnior, o Fabinho, e Renato Borges de França, o Coroinha, no local.
Enquanto Luca era interrogado pelos traficantes, o “olheiro” da biqueira teria ido até o carro do PM, encontrado a arma de fogo dele e a levado para os criminosos. De acordo com os depoimentos, a pistola foi entregue na mão de BH.
“O irmão BH devolveu a arma para o policial, sem as munições, falando para ele ‘vazar’”, declarou Malvadão. Luca, no entanto, teria se negado a deixar o local sem levar “o pente e as balas” que os traficantes haviam tomado. “[O PM] começou a ameaçar que senão ia ter que voltar para pegar a munição (…) Aí, BH disse: ‘Vai ser assim então?.”
Essa versão da ocorrência é corroborada por Caick, Fabinho e o próprio BH, que admite ser integrante do PCC. Na investigação, o disciplina da facção criminosa relatou que “falou para o policial ir embora ‘porque ia molhar a quebrada’” – ou seja, atrair ainda mais policiais.
























