Após denunciar calote, médico é ameaçado e pede asilo na Austrália
Médico dermatologista Diogo Rabelo diz ter sofrido calote golpe de uma paciente e, após denunciar crime, passou a ser ameaçado
atualizado
Compartilhar notícia

O médico dermatologista Diogo Fabris Rabelo passou a ser ameaçado após denunciar o calote de uma paciente — que teria sido submetida a procedimentos em quatro datas distintas em sua clínica em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Com medo das ameaças, ele deixou o país e chegou a pedir asilo na Austrália, com direito a um período de “detenção” no país da Oceania. Mais tarde, ele mesmo admitiu que o processo era muito complexo e desistiu de viver fora do país.
Os golpes denunciados pelo médico teriam ocorrido em junho de 2024, julho e outubro de 2025 e, por fim, em fevereiro deste ano. No total, o prejuízo seria de R$ 6.380. Do montante, Diogo Rabelo recebeu apenas R$ 2,7 mil. As fraudes foram descobertas a partir da análise de comprovantes enviados pela suspeita à clínica, que teria adulterado os documentos para simular a transferência de pagamentos.
Cobrança na Justiça
Após perceber o golpe, Diogo entrou com uma ação na Justiça para reaver os R$ 3.680 que faltavam, além de pedir indenização por danos morais contra a paciente, que é publicitária de Campinas, no interior de São Paulo. Além do processo, o dermatologista registrou queixa de estelionato na Polícia Civil.
Conforme declaração do médico, após o processo e a denúncia, ele passou a ser vítima de ameaça. Ele diz que a paciente teria sugerido uma chamada de grupo em uma rede social para, supostamente, pôr fim ao imbróglio. Na ligação, segundo Diogo, havia outros dois homens, que teriam dito: “Da mesma forma que você está acabando com a vida dela, vamos acabar com você”. A informação consta no BO registrado por ele posteriormente.
Após a ameaça, o médico contratou um segurança para a acompanhá-lo na clínica. Ainda assustado, no início deste mês Diogo saiu do país e viajou até a Austrália, onde pediu asilo. Enquanto o pedido era analisado, ele ficou retido em uma espécie de centro de detenção migratória — a saga fora do país foi compartilhada em suas redes sociais, onde ele tem mais de 200 mil seguidores.
“A legislação migratória da Austrália está entre as mais rígidas do mundo quando se trata de asilo. O que muitos viajantes desconhecem é que, ao solicitar proteção internacional dentro do país, o status migratório muda imediatamente e o visto anterior pode ser cancelado”, escreveu Diogo nas redes.
O médico também descobriu que a regularização de sua situação poderia levar semanas, e ele teria que permanecer “detido” na unidade migratória. “Dependendo da situação documental e do momento em que o pedido é feito, o solicitante pode ser encaminhado para centros de detenção migratória enquanto o caso é analisado. Esses centros não são prisões criminais, mas instalações administrativas onde estrangeiros permanecem até que sua situação migratória seja resolvida. O problema é que esse processo pode durar semanas ou até meses”, disse,
Diante da incerteza sobre o tempo que ficaria retido, o médico decidiu retirar o pedido de asilo e retornar ao Brasil voluntariamente. Ele desembarcou no país nessa segunda-feira (16/3).
O Metrópoles procurou a mulher investigada, mas ela não respondeu. O espaço segue aberto para manifestação.
