Quadrilha que furtava carga em vagões de trem é alvo de operação em SP
Operação Ouro Branco visou desarticular quadrilha especializada no furto de carga de farelo de soja e açúcar em vagões de trem em Aguaí (SP)
atualizado
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O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) realizou uma operação para desmantelar uma quadrilha que furtava carga em vagões de trem no município de Aguaí, no interior de São Paulo.
A operação, chamada Ouro Branco, acontece na manhã desta terça-feira (17/3), por meio da 2ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar).
A associação era especializada no furto de carga de farelo de soja e açúcar. Os criminosos acessaram os vagões de trem durante o transporte e realizaram o ensacamento da carga transportada, jogando-a na linha férrea. Posteriormente, outros integrantes da quadrilha recolhiam a carga usando carros.
Quadrilha especializada em furto em vagões de trem
A associação criminosa era composta por quatro frentes, chamadas pelo Deic de “equipe de vandalismo”, “equipe de coleta”, “equipe de intermediários” e “equipe de receptores”.
- Equipe de vandalismo (linha de frente): sabotadores com conhecimento técnico. Cortavam mangueiras de ar com facões para frear composições, rompiam lacres com alicates de pressão, abriam tremonhas e lançavam a carga no solo.
- Equipe de coleta (trabalho braçal): usuário e cooptados. Recolhiam o açúcar despejado na via, ensacavam rapidamente e moviam as cargas para zonas de descarte na mata.
- Equipe de intermediários (logística/ocultação): pagavam de R$ 10 a R$ 15 por coletor. Transportavam a carga de vans/kombis e ocultavam em residências e sítios locais (safe houses).
- Equipe de receptores (lavagem e escoamento): operavam galpões. Limpavam o açúcar, reensacavam em sacarias novas e emitiam notas fiscais fraudulentas para inserir o produto lícito no mercado estadual.
Os roubos aconteciam na via ferroviária sentido Porto de Santos, no litoral de São Paulo. A concessionária afetada foi a Ferrovia Centro Atlântica (FCA/VLI).
A operação conta com 29 policiais civis e 10 viaturas policiais, visando o cumprimento de 4 mandados de prisão temporária e 11 mandados de busca e apreensão.
A carga furtada era alocada em galpões e sítios na região e revendida pelos membros da quadrilha. Segundo a investigação do DEIC, os roubos resultaram em perdas estimadas na casa de milhões de reais anuais.
