Investigador teve encontro com acusado de planejar morte de promotor

Ministério Público de São Paulo suspeita que informações privilegiadas tenham sido repassadas às vésperas de operação contra o atentado

atualizado

metropoles.com

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Divulgação/Polícia Militar
Imagem colorida mostra viatura da polícia durante operação contra autoridades envolvidas em suposto atentado contra promotor. Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra viatura da polícia durante operação contra autoridades envolvidas em suposto atentado contra promotor. Metrópoles - Foto: Divulgação/Polícia Militar

A investigação que apura o envolvimento de autoridades de São Paulo com o Primeiro Comando da Capital (PCC) revelou uma reunião entre um chefe de investigadores da Polícia Civil de Campinas, no interior do estado, e um homem acusado de planejar a morte de um promotor do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Nesta terça-feira (9/6), o oficial, um ex-estagiário do MPSP e um policial penal foram presos suspeitos de serem infiltrados do PCC.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP, o encontro aconteceu em agosto de 2025, às vésperas de uma operação que impediu o atentado contra o promotor Amauri Silveira Filho. A reunião foi registrada em vídeo e a suspeita é de que informações privilegiadas e sensíveis tenham sido repassadas pelo investigador da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (DISE) ao criminoso.


Infiltrados do PCC

  • Um chefe de investigadores da Polícia Civil, um policial penal e um ex-estagiário do Ministério Público de São Paulo (MPSP) foram presos temporariamente na manhã desta terça-feira (9/6) em uma operação do próprio MPSP. Eles são suspeitos de serem infiltrados do Primeiro Comando da Capital (PCC).
  • Segundo as investigações, os suspeitos estariam envolvidos em um plano para matar um promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do MP, e em um esquema de extorsão de investigados.
  • Além dos três mandados de prisão temporária, há 10 de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior de São Paulo, incluindo contra um policial penal.

Plano para matar promotor

A Operação Pronta Resposta, deflagrada em 22 de agosto de 2025, investigou a atuação de organização criminosa ligada ao PCC que, dentre outros crimes, estaria planejando um atentado contra a vida do promotor de justiça do Gaeco Amauri Silveira Filho.

No andamento das investigações, o Gaeco descobriu que, uma semana antes da deflagração da operação, um dos principais acusados, responsável direto pela execução do plano para matar o promotor, se reuniu com o chefe dos investigadores.

Vídeos apreendidos mostram o encontro realizado entre os investigados. O Gaeco investiga as informações privilegiadas e sensíveis que teriam sido repassadas ao criminoso pelo investigador de polícia.

As apurações também levantaram que um dos principais membros da organização criminosa estava sendo vítima de extorsão, praticada por um agente que se valia de informações privilegiadas. Com o aprofundamento do trabalho, o Gaeco apurou que o responsável direto pela extorsão seria um estagiário do próprio Ministério Público.

O então estagiário teria, meses antes, propositadamente se infiltrado em uma das Promotorias de Justiça Criminais de Campinas para fins criminosos. Utilizando os bancos de dados e sistemas de pesquisa e contando com o auxílio de outros agentes públicos, o estagiário teria conseguido identificar criminosos de alto poder econômico e, então, direcionado esforços para extorquir dinheiro em troca de suposta proteção nas investigações.

Dentre esses outros agentes públicos, estariam um policial penal e um ex-policial civil, já expulso da Polícia Civil anos atrás pela prática do crime de extorsão mediante sequestro. Também foram colhidos elementos que apontam que os atos de extorsão teriam sido praticados com o uso de internet de um escritório de advocacia.

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