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São Paulo

Intoxicação em piscina: viúvo de mulher morta durante aula recebe alta

Vinícius de Oliveira ficou oito dias internado após intoxicação em piscina. Juliana Faustino Bassetto sofreu parada cardíaca e não resistiu

15/02/2026 18:58, atualizado 15/02/2026 19:36
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Imagem colorida mostra aluna passando mal após intoxicação em piscina. Metrópoles

O viúvo da professora Juliana Faustino Bassetto, que morreu após intoxicação na piscina da academia C4 Gym, na zona leste de São Paulo, recebeu alta do hospital neste domingo (15/2). Vinícius de Oliveira estava internado desde o dia 7 de fevereiro, quando clientes do estabelecimento passaram mal durante uma aula de natação.

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Ao menos uma pessoa morreu
Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, foi enterrada no Cemitério Quarta Parada no começo da tarde de segunda-feira (9/2)
Polícia Civil interditou academia enquanto perícia trabalha
Alunos passaram mal durante aula de natação em academia na zona leste de SP
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Alunos passaram mal durante aula de natação em academia na zona leste de SP

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Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, foi enterrada no Cemitério Quarta Parada no começo da tarde de segunda-feira (9/2)
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Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, foi enterrada no Cemitério Quarta Parada no começo da tarde de segunda-feira (9/2)

Material cedido ao Metrópoles
Polícia Civil interditou academia enquanto perícia trabalha
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Polícia Civil interditou academia enquanto perícia trabalha

Divulgação/PC

Após o mal-estar, Juliana e o marido foram, por conta própria, ao hospital Santa Helena, de Santo André. A mulher sofreu uma parada cardíaca e não resistiu. Além do casal, ao menos outras cinco pessoas precisaram de atendimento médico devido à intoxicação por cloro.

Sócios indiciados por homicídio

Os três proprietários da academia C4 Gym foram indiciados por homicídio por dolo eventual após a intoxicação de alunos na piscina do estabelecimento.

Ao Metrópoles o delegado titular do 42º Distrito Policial (Parque São Lucas), Alexandre Bento, informou que Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração compareceram de forma espontânea à delegacia, na quarta-feira (11/2), acompanhados de advogados, e prestaram depoimento para o delegado responsável pelo caso.

De acordo com o delegado, há indícios de que o manobrista Severino José da Silva, de 43 anos, recebia orientações diretas dos proprietários, por meio de mensagens via WhatsApp, sobre a aplicação de produtos químicos na piscina, mesmo sem possuir qualificação técnica para o procedimento.

Segundo o delegado, as especificações técnicas apontam que “a carga de cloro que usavam em um dia era para uma semana”, como forma de maquiar a água e a piscina nunca fosse fechada.

A Justiça de São Paulo, no entanto, negou a prisão dos sócios sob justificativa de que não há razão para que eles sejam detidos. Na decisão, a juíza Paula Marie Konno destacou que os investigados se apresentaram à polícia, prestaram esclarecimentos e não representam risco para a investigação. Ela também ressaltou que a C4 Gym encontra-se lacrada e já foi periciada.

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A juíza, no entanto, impôs medidas cautelares alternativas à prisão. Os sócios devem se apresentar mensalmente à Justiça, além de informar e justificar atividades. O trio também está proibido de se aproximar do endereço da academia, de manter contato com testemunhas e de se ausentar da Comarca por mais de sete dias sem autorização.

“Recebemos com satisfação a decisão judicial que garante aos nossos clientes o direito de aguardar a apuração dos fatos em liberdade, sendo certo que cumprirão fielmente todas as cautelares alternativas impostas pela justiça”, disse a defesa dos sócios.

“Reiteramos que eles permanecem inteiramente à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos, em qualquer momento, confiando que a investigação prosseguirá de forma técnica, isenta e em estrita observância às garantias constitucionais”, concluiu a nota.


Morte após aula de natação

  • Em 7 de fevereiro, uma aluna morreu e ao menos outras seis pessoas foram internadas em estado grave após nadarem na piscina da C4 Gym, no Parque São Lucas, na zona leste de São Paulo.
  • Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, sofreu uma parada cardíaca após a aula de natação.
  • Ela estava acompanhada do marido, Vinicius de Oliveira, de 31 anos, que também sentiu mal-estar na piscina.
  • Eles comunicaram a situação ao professor responsável e, depois da aula, foram por conta própria ao Hospital Santa Helena, de Santo André, no ABC paulista.
  • No hospital, Juliana não resistiu. O marido dela foi internado em estado grave.
  • O fato foi registrado em boletim de ocorrência no 6º Distrito Policial de Santo André.
  • Há ainda o registro de ao menos outra pessoa internada em estado grave no Hospital Vila Alpina, na zona leste de São Paulo.
  • O menor de idade foi levado pelo pai ao hospital e ele também nadou na piscina da academia, onde apresentou dificuldade de respirar.
  • Aluna de 29 anos foi internada na UTI após sentir náuseas, vômitos e diarreia.

“Impossível de respirar”

Um dos alunos que estava na aula de natação relatou ao Metrópoles o que aconteceu enquanto estavam na piscina. O advogado Eduardo Esteves Rossini, de 37 anos, disse que funcionários da academia C4 Gym fizeram uma mistura de cloro em um balde e deixaram ao lado da piscina.

“Jogaram alguma coisa que deu reação química. Sentimos queimar os olhos, nariz, garganta e pulmões. Ficou impossível de respirar”, afirmou.

Segundo Rossini, quem estava mais próximo ao balde sofreu mais — a mulher que morreu, o marido dela e o adolescente, que foram internados em estado grave. “Eles inalaram mais”, disse.

O advogado procurou atendimento médico na ocasião e precisou retornar ao hospital, nessa segunda-feira (9/2), devido a uma piora no quadro de saúde. “Acordei com a garganta muito inflamada e expelindo um pouco de sangue. Estou tomando algumas medicações e fazendo exames”, relatou.

Vídeo mostra desespero de alunos

Câmeras de segurança flagraram o momento em que alunos e instrutores passam mal durante a aula de natação na piscina da academia. Nas gravações (veja abaixo), é possível ver as vítimas sendo retiradas da água com dificuldades de movimento e respiração.

Outra câmera filmou Juliana sendo levada para a recepção da academia, após ser retirada da piscina. Ela senta no chão, coloca a mão no peito, faz sinal como se estivesse tonta e parece tossir.

Em nota, a direção da Academia C4 Gym destacou que “lamenta profundamente o ocorrido em sua unidade” e que “está colaborando integralmente com as autoridades competentes”.