Infiltrados do PCC: ex-policial cooptou ex-estagiário e investigador
Itamar Gomes da Silva foi preso nesta terça (9/6) no âmbito da Operação Infiltrados. Ele foi expulso da Polícia Civil pelo crime de extorsão

O ex-policial civil Itamar Gomes da Silva, preso na Operação Infiltrados, deflagrada nesta terça-feira (9/6) pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), foi o responsável por cooptar o ex-estagiário Gabriel Lira de Jesus e o investigador da Polícia Civil Maurício Aparecido de Oliveira para o time de “infiltrados” do Primeiro Comando da Capital (PCC). Itamar foi expulso da corporação, há alguns anos, pelo crime de extorsão mediante sequestro.
Segundo as investigações, os suspeitos estariam envolvidos em um plano para matar o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) Amauri Silveira Filho, de Campinas, e em um esquema de extorsão de investigados. Além deles, um policial penal, cujo nome não foi divulgado, é investigado por ligação ao grupo.
O Gaeco apurou que o encontro do policial Maurício com o empresário José Ricardo Ramos, apontado como um dos responsáveis pela execução do plano para matar o promotor de Justiça, foi intermediado por Itamar Gomes. Vídeos obtidos pelo Metrópoles mostram a reunião entre eles.
Os promotores também acreditam que boa parte das informações obtidas pelo ex-estagiário vinham justamente de Itamar. A suspeita é que Gabriel Lira se valia dos sistemas do MPSP para fazer levantamentos de criminosos de alto poder aquisitivo — para, depois, extorqui-los, sob o falso argumento de “blindagem” nas investigações. Uma das vítimas do ex-estagiário foi uma pessoa investigada por lavagem de dinheiro e suposto envolvimento com o PCC.
Prisão do ex-estagiário
Gabriel Lira de Jesus, que hoje é advogado, está entre os presos desta terça-feira. Ele foi estagiário no MPSP de Campinas e, segundo as investigações, usava o cargo para obter informações privilegiadas. Ele é apontado como um dos membros do grupo ligado ao PCC que planejou o atentado contra o promotor de Justiça — o plano acabou frustrado.
Ele foi preso por policiais do 1º Batalhão de Ações Especiais (Baep). Documentos e dispositivos eletrônicos foram apreendidos.
Ex-chefe da Dise
O segundo preso é o policial civil Maurício Aparecido de Oliveira. Atualmente, ele estava lotado no 1º Distrito Policial (DP) de Campinas. Contudo, segundo o MPSP, na época do planejamento do atentado, ele era chefe da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), da Divisão de Investigações Criminais (Deic) de Campinas.
Maurício Oliveira foi gravado na reunião com José Ricardo Ramos em agosto de 2025, um dia antes da operação que frustrou o atentado. Segundo o Gaeco, o investigador pode ter fornecido informações “privilegiadas e sensíveis”.
Maurício foi preso pela Corregedoria da Polícia Civil. Ele foi levado a uma penitenciária exclusiva para agentes policiais infratores.
Policial penal
Um policial penal também foi alvo da Operação Infiltrados. A Corregedoria da corporação cumpriu mandado de busca e apreensão em endereço ligado ao agente, em Cardoso, município no interior da capital paulista. A atuação dele na trama não foi especificada pelo MPSP.
Além das Corregedorias, a operação desta terça-feira contou com o apoio da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em razão de envolver buscas em um escritório de advocacia.

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