MPTCU aponta ilegalidade em leilão de megaterminal do Porto de Santos
Segundo procuradora-geral, o modelo do certame em duas fases não tem fundamentação técnica e afronta princípios constitucionais

O Ministério Público do Tribunal de Contas da União (MPTCU) apontou ilegalidade no modelo proposto pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para o leilão de megaterminal de contêineres do Porto de Santos, no litoral de São Paulo. Parecer apresentado nessa quinta-feira (30/10), obtido pelo Metrópoles, condena o estabelecimento de duas fases para o certame e as restrições de participação impostas aos operadores atuais, os chamados incumbentes.
Segundo a procuradora-geral, Cristina Machado da Costa e Silva, a proposta afronta os princípios constitucionais da isonomia (ampla concorrência), eficiência e proporcionalidade, assim como diversos dispositivos legais. Além disso, para ela, não há apresentação de “fundamentação específica, circunstanciada e robusta” para justificar o impedimento de determinados agentes de concorrerem.
“Tal medida configurará verdadeira punição aos agentes econômicos que assumiram riscos e decidiram investir no Porto de Santos no passado e se verão alijados de concorrer por terminal estratégico para o mercado nacional e internacional. Além de passar uma sinalização ruim ao mercado, essa medida enseja alto risco de judicialização”, destacou a procuradora-geral no relatório.

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Ver todasA área técnica do TCU sugeriu um leilão aberto, sem impedimentos, mas com uma cláusula de desinvestimento. Nesse caso, se um incumbente arrematar a concessão, precisará vender os ativos atuais em Santos. Sob relatoria do ministro Antonio Anastasia, o processo de desestatização ainda será analisado no plenário do órgão.
Proposta da Antaq para o leilão
Com apoio do Ministério de Portos e Aeroportos, a Antaq apresentou a proposta do leilão em duas etapas, com algumas restrições aos atuais operadores dos terminais em Santos. O vencedor do certame será quem oferecer mais dinheiro pelo direito de construir e operar o megaterminal em Santos.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPNa primeira fase, os incumbentes não poderiam participar. Na fase final, os atuais operadores poderiam entrar caso não surgisse nenhuma proposta na etapa inicial.
Anteriormente, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) manifestou apoio ao modelo de leilão em duas fases, com restrições. A manifestação foi assinada pelo presidente da entidade, Vander Costa, e encaminhada ao relator do processo no TCU. Por outro lado, a legalidade da realização em duas etapas também foi contestada pelo Ministério da Fazenda, que evidenciou possibilidade de judicialização da ação.
Megaterminal
Intitulado Tecon 10, o megaterminal deve receber aporte de R$ 6,4 bilhões para a expansão da capacidade de movimentação de contêineres, que está praticamente saturada no Porto de Santos. A expectativa do governo é a de que o leilão ocorra na segunda quinzena de dezembro.
Considerada o maior projeto portuário da história brasileira, a estrutura será instalada em uma área de 622 mil metros quadrados. Nos 25 anos de concessão, a previsão de investimento pode chegar a R$ 40 bilhões no total. Vale destacar que o contrato é passível de prorrogação, até o limite máximo de 70 anos.


