
Igor GadelhaColunas

Leilão no Porto de Santos leva duas empresas a pressionarem ministro
Empresas europeias atuam para que ministro de Lula desconsidere parecer da Antaq e garanta participação delas em leilão o Porto de Santos
atualizado
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Ao menos duas empresas de origem europeia têm feito forte pressão sobre o ministro dos Portos e Aeroportos do governo Lula, Silvio Costa Filho, por conta do leilão de uma nova área do Porto de Santos, em São Paulo.
Trata-se da licitação do “Tecon Santos 10”, maior terminal de contêiner da região. Com investimento de R$ 5,6 bilhões, o certame entrou na mira de grupos internacionais que atuam em transporte marítimo.
Interessadas no leilão, a “MSC”, de origem suíça, e a dinamarquesa “Maersk” têm cobrado reuniões com o ministro dos Portos e já recorreram até à Casa Civil para participarem do certame.
A pressão se deve a um parecer técnico da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), de abril de 2025, recomendando restrições à participação das duas empresas na primeira etapa da licitação.
No parecer, a Antaq recomenda que fiquem de fora do leilão os grupos que já operam em Santos, como é o caso da MSC e da Maersk. As duas empresas são sócias da BTP, um dos terminais do Porto de Santos.
O que o ministro de Lula tem sinalizado
O ministro dos Portos não tem ingerência sobre a agência reguladora, que é vinculada ao Ministério dos Transportes. Apesar disso, cabe a ele decidir se seguirá ou não a recomendação da Antaq.
Nos bastidores, Silvio Costa Filho tem sinalizado que vai acatar o parecer técnico da agência. Antes disso, porém, ele aguardará manifestação do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o tema.
No lobby para garantir que participem da licitação, a MSC e a Maersk têm usado até mesmo serviços diplomáticos da Suíça e da Dinamarca, o que vem causando desconforto no governo Lula.
Em 25 de junho, por exemplo, os embaixadores da Suíça e da Dinamarca tinham uma reunião com o ministro dos Portos. Pressionado, ele acabou desmarcando o encontro, alegando questões de agenda.
A disputa já foi parar na Justiça. A Maersk entrou com mandado de segurança cível questionando as regras da licitação. A Justiça Federal negou o pedido, mas abriu prazo de 10 dias para a Antaq prestar esclarecimentos.
A coluna não conseguiu contato no Brasil com a MSC e com a Maersk. O espaço segue aberto para eventuais manifestações das duas empresas europeias.









