MPSP pede identificação de torcedores que assediaram médica em jogo
Médica Bianca Francelino foi assediada em partida do Campeonato Paulista. Torcedores poderão ser proibidos de frequentar estádios
atualizado
Compartilhar notícia

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitou, nesta quarta-feira (11/3), que a Federação Paulista de Futebol (FPF) e o Comercial Futebol Clube forneçam a identidade dos torcedores que assediaram uma médica durante partida no sábado (7/3).
A partida, válida pela Série A4 do Campeonato Paulista, foi paralisada após um torcedor gritar palavras de cunho sexual e fazer gestos obscenos para a profissional do Nacional Atlético Clube, adversário do Comercial.
“Ele fazia comentários do tipo: ‘Doutora gostosa, doutora linda, vem aqui me examinar’, ‘Trabalha para mim no particular, eu vou pagar seu salário’, e apontava para as partes íntimas”, relatou a médica Bianca Francelino, ao Metrópoles. Era a primeira vez que ela trabalhava em um jogo de futebol.
O promotor Paulo Teotônio, que formalizou a solicitação, afirmou que o caso é inadmissível. Com a identificação, a Promotoria do Juizado Especial Criminal (Jecrim) pretende punir autores dos ataques. Eles podem ser proibidos de frequentar arenas esportivas por dois anos e prestar serviços comunitários por um ano. Segundo o promotor, a punição servirá para evitar a disseminação da intolerância, misoginia e falta de empatia em eventos desportivos.
Assédio à médica
- A partida entre Comercial de Ribeirão Preto e Nacional, tradicional equipe da Barra Funda, foi interrompida após torcedores do time do interior de São Paulo assediarem sexualmente a médica da equipe visitante.
- O jogo, válido pela Série A4 do Campeonato Paulista, foi paralisado após um torcedor gritar palavras de cunho sexual e fazer gestos obscenos para a profissional.
- “Ele fazia comentários do tipo: ‘Doutora gostosa, doutora linda, vem aqui me examinar’, ‘Trabalha para mim no particular, eu vou pagar seu salário’, e apontava para as partes íntimas”, relatou a médica Bianca Francelino, ao Metrópoles.
- Era a primeira vez que ela trabalhava no futebol.
- Segundo a médica, a denúncia para a arbitragem foi feita pelos jogadores e demais integrantes do Nacional, que se incomodaram e foram pedir respeito ao torcedor.
- “Eu estava tentando evitar ao máximo essa situação, por mais constrangedor que estivesse. Avistaram que ele realmente estava ameaçando chegar no ponto de tirar para fora o membro mesmo”.
- Nesse momento, começou um bate-boca próximo ao alambrado do estádio Francisco de Palma Travassos, casa do Comercial.
- O namorado da médica estava na arquibancada e tentou intervir, mas o torcedor reagiu de forma hostil, segundo o relato.
- Policiais militares foram acionados para controlar a briga.
Clubes e Federação Paulista
Em nota, o Nacional repudiou o episódio, que classificou como “lamentável”. “Repudiamos veementemente o assédio sofrido pela Dra. Bianca Francelino, médica dedicada ao atendimento de nossos atletas, que foi atacada de forma dolosa durante a partida contra o Comercial.”
“À Dra. Bianca, nossa total solidariedade e admiração pela força demonstrada ao continuar no jogo apesar do ocorrido. Que episódios como esse sirvam para unir todos na luta contra qualquer forma de violência e desrespeito”, completou.
Em nota, a Federação Paulista de Futebol diz que “repudia mais um lamentável episódio de assédio, desta vez de torcedores do Comercial à médica do Nacional, em partida válida pelo Paulistão A4 Rivalo”.
Segundo a FPF, ao ser informada do assédio, a árbitra do jogo, Ana Caroline Carvalho, acionou o protocolo previsto no Tratado pela Diversidade e Contra a Intolerância no Futebol Paulista, paralisando a partida. “A equipe da FPF na partida ofereceu todo apoio à médica vítima do assédio”.
A FPF prometeu enviar o caso às autoridades competentes, para que os “responsáveis pelo ato criminoso sejam identificados e punidos de forma rigorosa”.
“O Futebol Paulista não é palco para assédio, preconceito ou qualquer tipo de discriminação e importunação. Seguiremos atentos para coibir que situações como essa se repitam”, finaliza o texto.
O Metrópoles também tentou contato por telefone com o Comercial, sem sucesso. O espaço segue aberto para manifestações.










