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São Paulo

Haddad se manifesta sobre prisão de vereador do PT: "Lei é para todos"

Pré-candidato ao governo de São Paulo disse ninguém está imune a investigações. Parlamentar foi detido nesta quinta (25/6) por elo com PCC

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Rebeca Ligabue/Metrópoles
Fernando Haddad em São Paulo - Metrópoles

Pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) repercutiu, nesta quinta-feira (25/6) a prisão do vereador petista Senival Moura. Ele afirmou que ninguém está imune a apurações e que as pessoas são responsáveis pelos próprios atos.

A fala ocorreu no escritório da campanha do petista, no bairro do Pacaembu, zona oeste da capital paulista, durante coletiva de anúncio de Márcio França (PSB) como vice na chapa.

“Eu já disse reiteradamente o que eu penso de qualquer investigação. Para mim, a questão ética não é uma questão partidária. As pessoas são responsáveis pelos seus atos, têm que ser investigadas na forma da lei, com todas as salvaguardas legais de direito de defesa, tudo que se conhece do direito penal”, disse Haddad.

Na ocasião, Haddad também mencionou suposta ligação de integrante do PCC com o fornecimento de wi-fi na gestão Ricardo Nunes (MDB) e uma suposta tentativa do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) de tentar salvar o banco Digimais, do bispo Edir Macedo, ao aprovar o fornecimento de crédito consignado a servidores.

“Nada se compensa. Tudo que está errado tem que ser investigado”, destacou Haddad. “A lei é para todos”.

Senival Moura -Metrópoles
O vereador Senival Pereira de Moura (PT) foi preso, nesta quinta-feira (25/6), durante a Operação Última Parada

Prisão de Senival

Alvo de uma operação contra um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de empresas de ônibus de São Paulo, o vereador Senival Pereira de Moura (PT) é apontado pela investigação como um líder oculto da empresa Transunião.

Além do político, outros dois alvos foram presos durante a Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público paulista na manhã desta quinta-feira (25/6). Mais duas pessoas com mandados de prisão expedidos pela Justiça paulista são procuradas.

Segundo a representação policial, obtida pelo MetrópolesSenival é identificado como uma “instância superior de comando” no esquema. Trocas de mensagens revelaram que repasses financeiros e decisões empresariais dependiam da anuência do petista, tratado pelos codinomes “presidente”, “véio”, “velhinho” e “vereador”.

Planilhas internas também mostram que Senival era o beneficiário real de, ao menos, 13 ônibus que estavam em nome de terceiros ou da própria Transunião. Os CPFs do político e de familiares, como esposa e filhos, aparecem vinculados aos ativos.

A investigação identificou ainda que ele movimentou mais de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022, sendo que R$ 2,47 milhões não possuem origem declarada. Além disso, o vereador possui um patrimônio imobiliário de alto padrão, considerado incompatível com a remuneração oficial.

Conforme o documento da polícia, Senival seria o principal responsável por instrumentalizar a Transunião para a lavagem de dinheiro em favor de indivíduos ligados ao PCC. O homicídio de Adauto Soares Jorge (ex-presidente formal da empresa), em 2020, teria ocorrido porque integrantes do PCC acreditavam que Adauto estava desviando valores em benefício de Senival.

A investigação ainda aponta que assessores vinculados ao gabinete de Senival na Câmara Municipal ocupavam simultaneamente cargos estratégicos na administração da Transunião e de outras empresas do grupo, sugerindo a instrumentalização para garantir os interesses do vereador.

A autoridade policial também ressaltou que Senival exerce atualmente os cargos de 1º Secretário da Mesa Diretora e Presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara Municipal de São Paulo, o que lhe confere poder de fiscalização e regulamentação sobre o próprio setor em que a Transunião opera.

Em diligências realizadas no escritório do petista, a polícia apreendeu diversos documentos e dispositivos digitais relacionados à operação da Transunião. Devido a esses indícios, a autoridade policial representou pela sua prisão temporária e pela busca e apreensão em seus endereços.

Metrópoles entrou em contato com a assessoria do vereador Senival Moura, por e-mail e WhatsApp, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

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