Grupos de direitos humanos fazem manifesto por egípcios retidos em SP

Família de egípcios, composta pelo pai, a mãe grávida e dois filhos, está retida em área restrita do aeroporto de Guarulhos há 18 dias

atualizado

metropoles.com

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Família egípcia retida em área restrita do aeroporto internacional de São Paulo
1 de 1 Família egípcia retida em área restrita do aeroporto internacional de São Paulo - Foto: Imagem cedida ao Metrópoles

Um conjunto de entidades da sociedade civil que atuam na defesa dos direitos de migrantes e refugiados lançou um manifesto público em favor da família de egípcios que está retida há 18 dias na área restrita do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo.

O grupo é composto pelo pai, dois filhos pequenos e a mãe, que está grávida do terceiro filho e tem diabetes gestacional. A gestação está na 34ª semana, mas nessa quinta-feira (23/4) a mulher parou de sentir os movimentos do bebê. Segundo o pai, chamado Abdallah, eles tiveram atendimento médico negado.

A família já acionou a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. De acordo com Abdallah, a família tem visto válido, mas não obteve permissão para entrar no Brasil. “Ainda estamos sendo detidos aqui”, lamentou em vídeo enviado ao Metrópoles (veja abaixo).

“Esperamos que o nosso caso seja resolvido o mais rápido possível. O impacto psicológico e de saúde em nossa família se tornou extremamente sério”, completou Abdallah.

 

 

 

Manifesto

O abaixo-assinado reúne organizações com atuação na área migratória, além da Comissão Justiça e Paz de São Paulo e do deputado estadual Eduardo Suplicy (PT). No documento, as entidades classificam o caso como de “extrema gravidade” e destacam o fato da mulher estar grávida, com risco de perder o bebê.

De acordo com o manifesto, a manutenção da família em área restrita, sem solução rápida e sem garantia de acompanhamento médico pode configurar violação de direitos humanos, “especialmente no que se refere ao direito à saúde, à dignidade da pessoa humana e à proteção integral de crianças e gestantes”.

Os grupos ainda lembram de um caso recente também ocorrido no aeroporto de Guarulhos, em 2024, quando o migrante ganês Evans Osei Wusu morreu após permanecer retido por dias na área restrita enquanto buscava proteção internacional.

O manifesto também aponta preocupação com a ausência de atuação coordenada entre os órgãos responsáveis, especialmente Polícia Federal, Ministério da Justiça e Ministério das Relações Exteriores, além de alertar para o risco de eventual repatriação da família como solução administrativa.

No documento, as organizações signatárias defendem:

  • Garantia imediata de atendimento médico adequado à gestante;
  • Condições dignas de permanência à família;
  • Adoção de solução humanitária para o caso;
  • Acompanhamento institucional por órgãos de direitos humanos;
  • Revisão de práticas administrativas no controle migratório que restrinjam direitos sem garantias mínimas.

“A situação exige que o caso seja tratado como uma questão de acolhimento humanitário, e não apenas sob a lógica do controle migratório”, afirma o advogado Willian Fernandes, responsável pela defesa da família.


Família egípcia retida no Aeroporto de Guarulhos

  • Os egípcios aguardam a aprovação do pedido de refúgio para entrar no Brasil.
  • Além do bebê no ventre da mãe, estão retidas — com os pais — duas crianças, de 2 e 5 anos.
  • A entrada oficial da família no país depende de anuência da Polícia Federal, que não retornou o contato do Metrópoles até a publicação desta reportagem.
  • A gestante demanda acompanhamento médico contínuo. Além disso, uma das crianças tem intolerância à lactose.
  • A alimentação disponibilizada pelas autoridades imigratórias à família não é adequada às necessidades deles, conforme o advogado.

 

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