Governo Tarcísio prevê orçamento maior, mas com cortes para minorias
Com aumento de 15% na receita, orçamento do governo Tarcísio para 2025 prevê cortes nas secretarias da Mulher e da Pessoa com Deficiência

São Paulo – Com 15% a mais de receita do que o apresentado este ano e recorde de investimentos, o orçamento de 2025 enviado pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) prevê cortes em pastas voltadas à promoção de políticas para minorias.
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (
Em nota, a Secretaria da Fazenda disse se tratar do “maior volume de investimentos já registrado” no estado paulista: “Esses investimentos e o aumento da receita projetada para 2025 refletem os resultados do plano ‘São Paulo na Direção Certa’, voltado à melhoria do ambiente de negócios, a modernização da gestão pública e a melhoria do gasto público”, diz.

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Apesar do aumento da receita, o orçamento prevê cortes nas secretarias de Políticas para a Mulher e Direitos da Pessoa com Deficiência, pastas que já apresentam orçamentos baixos se comparados com os de outras secretarias.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“As propostas orçamentárias para as secretarias de Políticas para a Mulher e dos Direitos da Pessoa com Deficiência mantêm os valores da PLOA 2024, antes da incorporação de emendas impositivas e aglutinativas”, justifica a Fazenda em nota.
No entanto, o Metrópoles contabilizou cortes nas duas pastas mesmo se os valores atuais forem comparados com os do projeto enviado pelo governo à Alesp no ano passado, antes da inclusão de emendas dos deputados.
A Secretaria da Mulher, por exemplo, tem um orçamento de R$ 9,6 milhões previsto para 2025, 7% a menos que os R$ 10,4 milhões previstos pelo PLOA de 2024. Em relação à verba destinada à pasta este ano, já incluindo as emendas parlamentares, o corte é ainda mais significativo, de 60% – o orçamento final da pasta foi de R$ 24 milhões.
A pasta é comandada pela ex-deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL), nomeada em maio no lugar de Sonaira Fernandes (PL), que deixou o cargo para concorrer à reeleição como vereadora da capital paulista. No ano passado, o Metrópoles já havia noticiado que a pasta lida com a falta de verba e que Sonaira havia se apropriado de ações de outras secretarias para promover a própria pasta nas redes.
Já a secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência tem a projeção de receber R$ 66 milhões para 2025, sendo 4% a menos do que o observado tanto na PLOA de 2024 como no orçamento aprovado para este ano.
Sob os cuidados do advogado Marcos Costa, a pasta quase foi extinta pelo governo Tarcísio, que pretendia deixá-la sob o guarda-chuva da Secretaria da Justiça e chegou a anunciar o seu fim em dezembro de 2022. O governador voltou atrás da decisão após protestos da oposição.
Maiores orçamentos
As secretarias de maior orçamento para 2025 são Saúde e Educação, com R$ 36 bilhões e R$ 32 bilhões, respectivamente. Saúde recebeu um aumento de 20% em relação ao ano anterior, enquanto o reajuste na área da Educação foi de 3%.
O governo Tarcísio espera aprovar, nas próximas semanas, uma mudança na lei estadual para remanejar esses 5% do orçamento da Educação para a Saúde. O texto foi enviado no fim do ano passado para a Alesp.
O orçamento para a Secretaria de Segurança Pública é de R$ 20,2 bilhões, 11% maior do que o de 2024. Outras três pastas tiveram a previsão de orçamento dobradas para 2025: Comunicação (R$ 342 milhões), Parcerias e Investimentos (R$ 7,9 bilhões) e Controladoria Geral do Estado (R$ 128 milhões).
De acordo com a Secretaria da Fazenda, o aumento no orçamento destinado à Comunicação visa ampliar “campanhas de orientação e conscientização da população, como as de combate à violência contra a mulher, incentivo à doação de órgãos, prevenção ao câncer, combate à dengue e outras arboviroses e campanha do agasalho, além das ações de prestação de contas”.
Já a Secretaria de Parcerias em Investimentos, ainda segundo o governo estadual, demanda maior orçamento por causa de projetos de mobilidade como obras e construções no Metrô e na CPTM, assim como o Trem Intercidades (TIC) no eixo norte.
No caso da Controladoria Geral do Estado (CGE), a Fazenda argumenta ser necessário ampliar o orçamento para reorganizar a estrutura do órgão e “instituir a carreira de auditor estadual de controle no quadro da CGE”.
Tarcísio já propôs transferir para a CGE a condução de processos disciplinares — tarefa que, atualmente, cabe à Procuradoria-Geral do Estado (PGE). A proposta, se aprovada pela Alesp, concederá poder de fiscalização ao atual controlador do estado, Wagner Rosário, que foi controlador-geral da União (CGU) do governo Jair Bolsonaro (PL).
















