Gestão Nunes quer conceder Praça Roosevelt à iniciativa privada
Prefeitura abre consulta pública para empresa administrar praça por 20 anos. Projeto veta que espaço seja cercado para eventos
atualizado
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A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) planeja conceder a Praça Roosevelt, um dos endereços mais famosos do centro da capital paulista, à iniciativa privada. Nesta quarta-feira (3/6), a Prefeitura de São Paulo publicou no Diário Oficial o anúncio da abertura de uma consulta pública sobre o tema, que vai até o dia 1º de julho.
Para participar é preciso acessar o site da Secretaria Municipal de Desestatização e Parcerias (neste link), baixar o arquivo para escrever as sugestões, e enviar as contribuições sobre o projeto para o e-mail sgmparcerias@prefeitura.sp.gov.br.
Uma audiência pública virtual para debater o assunto foi agendada para o dia 17 de junho, às 10h. Para assistir, é necessário se inscrever com antecedência neste link.
O projeto prevê que a praça e o estacionamento do local fiquem sob a responsabilidade da empresa que vencer a licitação. A futura concessionária deverá reformar a Roosevelt, reativar os quiosques e oferecer atividades culturais no espaço.
A empresa também poderá realizar até dois eventos por mês em parte da área, mas será impedida de cercar o local, de acordo com o secretário das Subprefeituras, Fabrício Cobra.
“Tem uma cláusula no edital que veda o fechamento da praça para qualquer tipo de evento”, afirma o secretário.
Ele nega que a restrição tenha sido feita por causa das polêmicas envolvendo o Vale do Anhangabaú, que passa diversos dias com acesso restringido por causa dos eventos privados e tem tido a concessão criticada por moradores e urbanistas. Em abril, Nunes anunciou que abriu processo para encerrar o contrato no Anhangabaú.
Para Cobra, as duas concessões são “absolutamente distintas”. “A Praça Roosevelt não é um local de grandes concentrações, é um eixo de conexão entre Augusta, Consolação e o centro. Ela tem os públicos que já frequentam, tem um outro perfil”, afirma ele.
O secretário defende que a concessão terá como principal atrativo a exploração econômica dos espaços que estavam desativados ou subutilizados, caso dos quiosques e do estacionamento, respectivamente.
O estacionamento da praça, com mais de 400 vagas, tem sido utilizado, segundo ele, apenas por instituições como a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e a Polícia Militar. No passado, o estacionamento já foi administrado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e era aberto ao público durante 24 horas. Em 2014, o valor cobrado era de R$ 5 pela primeira hora, com custo adicional de R$ 2 por hora.
Segundo Cobra, o edital de concessão prevê que 404 vagas de automóveis e 73 vagas para motos sejam administradas pela empresa que vencer a licitação. As demais vagas do espaço continuarão reservadas para uso dos órgãos públicos.
O edital prevê que a concessionária requalifique também a Rua Gravataí, que liga a Roosevelt ao Parque Augusta, com a instalação de jardins de chuva e melhorias na calçada. O projeto para a Gravataí já havia sido desenhado pela SP Urbanismo.
Além disso, a empresa também será responsável pelo belvedere instalado ao lado da Rua Augusta.
Cobra diz que na Praça Roosevelt uma das principais mudanças será a ampliação do espaço voltado para cachorros, uma demanda que teria sido apresentada pelos moradores do entorno.
O secretário, cujos pais se casaram na Igreja da Consolação, ao lado da Roosevelt, acredita que a concessão pode “potencializar” o uso da praça e diz que o público atual do local não será retirado dali.
A Roosevelt é um ponto cultural histórico da cidade. No passado, fortemente ocupada por artistas da música, a praça virou lugar de encontro para quem assiste aos espetáculos do Espaço Parlapatões, pratica skate no local, ou participa das batalhas de rimas da praça.
Se a concessão for confirmada, a empresa vencedora da licitação administrará o local por 20 anos.