Furto de combustíveis: bando tinha RH, frete e até perfurador de duto
O grupo acessava dutos de combustível da Transpetro, acoplava uma mangueira e abastecia caminhões com o produto furtado
atualizado
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Um bando criminoso preso nesta segunda-feira (2/3) por desviar combustível e gerar prejuízo de R$ 5 milhões para a petrolífera Transpetro possuía divisão organizada de tarefas. Os integrantes se dividiam nas funções de recrutamento, coordenação, transporte e na perfuração dos dutos de gasolina da empresa.
Segundo a Polícia Civil, o grupo acessava os dutos de combustível, acoplava uma mangueira e abastecia caminhões com o produto subtraído. A organização criminosa atuava nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
No topo da estrutura criminosa, Laerte Rodrigues dos Santos, conhecido como “Mineiro”, exercia papel de liderança e coordenação da organização. Ele era responsável pelo recrutamento dos integrantes, definição dos valores do combustível subtraído, autorização dos carregamentos, direcionamento dos locais de descarregamento e planejamento de novas ações.
A parte logística do grupo era coordenada por Wagner de Sousa Leite, que se apresentava como figura central na execução prática do esquema. O homem viabilizava frota de caminhões e carretas-tanque, organizava os deslocamentos, o transporte do combustível furtado, recebia valores provenientes do crime e os redistribuía conforme orientações superiores.
Um empresário preso em Campinas, identificado como Marcelo Teixeira de Gouveia, sócio da empresa Gouveia Transportes LTDA, também atuava na negociação de preços, ajuste de documentação e pagamento de valores correspondentes ao combustível transportado, segundo a Polícia Civil.
Já na parte operacional, Luis Ricardo Pedrozo da Silva foi preso em Leme, no interior paulista, acusado de ser o detentor do conhecimento técnico relacionado à perfuração clandestina dos dutos. O suspeito era auxiliado por Calil Fernando Carneiro, que tinha função específica no desvio do combustível, e por Emerson Clayton Ramineli, motorista profissional que atuava no transporte do produto furtado.
A Polícia Civil ainda investiga uma possível colaboração interna por parte de Paulo Henrique de Lima Silva, vigilante da Transpetro, que teria fornecido informações estratégicas para a ação criminosa. O suspeito foi preso em Monte Alegre, em Minas Gerais.
Quem é quem no esquema
- Laerte Rodrigues dos Santos: considerado líder e coordenador da organização, ele era responsável pelo recrutamento de integrantes, pela definição dos valores do produto furtado e pelo planejamento das ações.
- Wagner de Sousa Leite: atuando na parte logística do bando, o preso viabilizava frota de caminhões, organizava os deslocamentos do combustível e recebia os valores provenientes do crime.
- Marcelo Teixeira de Gouveia: empresário que atuava na negociação de preços, ajuste de documentação e pagamento de valores correspondentes ao transporte do combustível.
- Luis Ricardo Pedrozo da Silva: detentor do conhecimento técnico relacionado à perfuração clandestina dos dutos.
- Calil Fernando Carneiro: auxiliar na perfuração dos tubos e no desvio do combustível.
- Emerson Clayton Ramineli: motorista profissional que atuava no transporte do produto furtado.
- Paulo Henrique de Lima Silva: vigilante da Transpetro acusado de fornecer informações estratégias para a ação criminosa.
A Operação Sangria calculou que a organização causou um prejuízo aproximado de R$ 5 milhões. Na manhã de segunda (2/3), foram expedidos nove mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão domiciliar. Sete investigados haviam sido presos e dois permaneciam foragidos.
Durante o cumprimento das buscas, foram apreendidos mais de uma dezena de aparelhos celulares e equipamentos eletrônicos, que devem contribuir para a investigação policial.
Procurada pelo Metrópoles, a Transpetro afirmou que “é vítima do crime de furto de petróleo e derivados em dutos e tem como maior preocupação a preservação da vida e a segurança das pessoas e do meio ambiente”.
A empresa informou ainda que usa tecnologia para a localização de derivações clandestinas e colabora com as autoridades competentes, mantendo articulação constante com órgãos de segurança pública. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o bando irá responder por roubo impróprio, receptação qualificada e organização criminosa.






